A heroica greve dos professores mineiros

Neste momento somos todos professores em Minas Gerais! Somos todos professores em todo o país!

 

15/09/2011

 

Editorial da edição 446 do Brasil de Fato

 

Algumas lutas acabam se convertendo em verdadeiro marco histórico por sua persistência, coragem e capacidade de resistir.

No início da ofensiva neoliberal protagonizada pelo governo da Baronesa Margarete Thatcher (Inglaterra), a privatização das famosas minas de carvão inglesas era uma questão crucial. Dava início a um processo que hoje ficou conhecido como a “privataria”. Sua tentativa de fechar algumas minas para iniciar a privatização enfrentou muita resistência da classe trabalhadora.

Em 12 de março de 1984, os sindicatos do Reino Unido decretaram uma greve geral de toda a categoria. Com piquetes que chegaram a contar com mais de 10 mil trabalhadores, a greve durou um ano. Rapidamente, as forças neoliberais de todo o mundo compreenderam o que estava em jogo. Uma intensa luta ideológica foi travada durante todo o período de luta. O governo inglês importou carvão da Polônia, acusou os trabalhadores de ineficientes, recebeu carregamentos de carvão como ajuda de seu amigo estadunidense Ronald Reagan e finalmente, com ajuda da grande mídia e dos serviços de espionagem, lançou um falso dossiê, o famigerado Relatório Cook, que acusava os sindicatos de terem ligações com terroristas líbios.

A heroica greve dos mineiros ingleses mostrou que a ofensiva neoliberal teria que enfrentar a resistência da classe trabalhadora. Em nosso caso, a luta marcante deste período histórico foi a greve geral dos petroleiros em 1995. Aqui, quem cumpriu o papel sujo da baronesa Thatcher foi seu discípulo Fernando Henrique Cardoso, então presidente do Brasil.

Em plenária nacional convocada pela Federação Única dos Petroleiros (FUP), em janeiro de 1995, os petroleiros decidem unificar a luta com outras categorias do setor público: eletricitários, telefônicos, trabalhadores dos Correios e os servidores federais. O movimento unificado, no entanto, vai perdendo força e os petroleiros acabam sustentando a greve heroicamente por 32 dias.

Os trabalhadores se revezavam nas refinarias para garantir o abastecimento básico da população e preservar os equipamentos. Enfrentaram todo o tipo de ataques e acusações da grande imprensa. Trata-se da última greve brasileira que enfrentou todas as multas e punições do Tribunal Superior do Trabalho (TST). Demissões, multas gigantescas diárias, bloqueio das contas dos sindicatos, nada impediu a combatividade dos trabalhadores petroleiros. Os sindicatos chegaram a ser obrigados a funcionar na clandestinidade e conseguiram manter a categoria coesa. Para jogar a população contra os grevistas, utilizaram as distribuidoras de gás de cozinha que abruptamente estocaram os produtos e suspenderam as vendas.

Até as tropas do Exercito Brasileiro foram utilizadas pelo governo para reprimir a greve que simbolizou o início dos anos de descenso das lutas no Brasil. Infelizmente, a maioria do movimento sindical não compreendeu o que estava em jogo naquele momento. Apesar das muitas iniciativas de solidariedade, as entidades sindicais e os movimentos sociais não perceberam que estavam diante de uma batalha decisiva e trataram a greve como uma luta apenas dos petroleiros. Demoraram muitos anos para perceber que ali estava sendo sepultado o direito de greve previsto na Constituição Federal de 1988. Atualmente estamos vivendo um novo período para as lutas da classe trabalhadora. O crescimento do número de greves e as conquistas salariais apontam uma evidente retomada do movimento sindical. No momento em que as forças populares se unificam em torno da bandeira de 10% do PIB para a Educação, estamos vendo a combatividade dos professores lutando por condições dignas de trabalho em todas as regiões do país.

A principal reivindicação dos professores é emblemática deste período histórico tão desfavorável para a luta da classe trabalhadora. Os professores de Minas Gerais, assim como professores da maioria dos estados brasileiros reivindicam simplesmente o cumprimento da lei! Exigem o imediato cumprimento do Piso Salarial Profissional Nacional (PSPN), estabelecido pela Lei Federal nº 11.738.

Desde 8 de junho, os professores mineiros enfrentam a tropa de choque, ataques difamatórios na grande mídia, punições administrativas e ameaças, apenas por exigirem o cumprimento da lei!

As vésperas de completar 100 dias de greve, a vitória dos professores mineiros não pode ser vista como apenas de uma categoria. É parte importante da mesma luta que reivindica verbas para a educação e, principalmente, um símbolo de um novo período de conquistas que se abre para a classe trabalhadora.

Neste momento somos todos professores em Minas Gerais! Somos todos professores em todo o país! Exigimos uma educação pública e de qualidade para todos os brasileiros. Essa luta é de todo o povo brasileiro.

Comentários

parabéns pela reportagem,

parabéns pela reportagem, pelo compromisso com a verdade e pelo respeito ao cidadão brasileiro.

Sou universitário e sei o quanto é importante uma educação básica de qualidade para garantir um futuro aos brasileiros. E a qualidade dessa educação só será garantida quando os professores receberem o devido respeito e reconhecimento que merecem.

Quanto ao nosso governo estadual e federal eu sou mais um a lamentar sua incompetência e desrespeito para com o povo brasileiro.

A lei do Piso e a Ditadura Civil

No município de Juiz de Fora, em Minas Gerais, tivemos uma situação também horrível.

A administração Custódio Mattos se nega a abrir negociações para a implementação da Lei do Piso. Com menos de 20 dias de greve a administração tucana recorreu ao Judiciário (TJMG) pedindo a ilegalidade da greve e uma liminar para suspender a mesma. Conclusão, o Tribunal decidiu pela suspensão imediata da greve e com uma multa diária de R$ 50 mil. Continuamos em greve até a multa atingir o valor de R$ 650 mil. Nesse dia começamos a sofrer ameaças de corte de ponto e exoneração, colocando os contratados em risco.

Depois de muita discussão em assembléias, a categoria decidiu por suspender o movimento grevista, mas decidiu que a luta pelo piso irá continuar.

A conclusão de tudo isso, somado ao que acontece no Estado de MG e em outros estados e municípios e os inteditos proibitórios durante outras greves, podemos afirmar, sem medo de errar, que apesar de termos um governo de frente popular, encabeçado pelo PT, estamos diante de uma DITADURA CIVIL.

Está na hora da CUT unificar as categorias e convocar uma greve geral para realinhar o governo Dilma, conforme os compromissos assumidos de sua candidatura com a classe trabalhadora.

Saudações CUTistas,

Péricles de Lima - Presidente da CUT Regional Zona da Mata/MG

A Lei não está do nosso lado?

 O TJMG, declarou que a nossa greve é ilegal, a justificativa se encontra no ECA. No Rio Grande do Sul a justiça obriga o Estado pagar o Piso, alegando que o Estado é o responsável pela greve, a ilegalidade está em não pagar o Piso, o que prejudica crianças e adolescentes.

A Justiça tem várias interpretações pro mesmo fato, ou interpretações que convém o grupo que eles de fato representam. Aqui em MG a justiça é injusta com a sociedade e representam a todo momento o Governo.

Se tiver algum grupo de professores de direito, de estudantes que não concordam com a atitude do TJMG, por favor participem conosco do Ato pela Educação na ALMG no dia 20/09 . Repudiamos o TJMG e acredito que são corruptos a ponto de abandonar a Constituição Nacional e responsabilizar os professores e não o Estado pela criança e o adolecente sem aula e sem comida.

Que sirva de exemplo

Parabéns ao autor do texto e sucesso para a luta mineira, que deve ser a de todos nós!!!

Espero que esse movimento resistente seja motivador para outros grupo de educadores do país, o qual quer se mostrar como potência para o mundo, mas não consegue dar dignidade profissional para quem educa os seus cidadãos.

parabéns, mas e eu, e nós, o que fazemos?

a matéria me lembrou um documentário chamado "Um poquito de tanta verdad" que fala de uma manifestação heróica de professores, igualmente massacrada pela mídia, igualmente menosprezada pelo grande público, igualmente desafiadora. COmo eu, como nós, podemos apoiar, divulgar, mobilizar forças para que absurdos contra os direitos públicos não continuem a nos massacrar?

TODOS OS CIDADÃOS!!!!

Caro correspondente

A sua ajuda será de enorme valor nessa nossa luta, veja uma ótima maneira de nos apoiar nap´ratica: Se morar em MG melhor ainda pois é eleitor nesse estado. Vá até o site da Assembléia Legislativa e escreva para os Deputados EXIGINDO que eles NÃO APROVEM O PROJETO DE LEI ENVIADO PELO GOVERNADOR QUE DESTRÓI A CARREIRA DOS EDUCADORES EM MG!

Se não morar por aqui pode escrever mesmo assim, pois a opinião pública é muito importante para esses deputados!

Valeu pelo apoio!

Ainda espero alguma atitude do governo digna de parabéns

Concordo que a greve dos professores mineiros seja heroica. E realmente gostaria que o governo de minas tomasse também uma atitude heroica: aumento considerável para um salário justo e demissão de todos aqueles (muitos) que não são realmente qualificados para educar o futuro do nosso país.

E se os professores estão realmente preocupados com a qualidade da educação, não deveriam exigir apenas direitos financeiros... Deveriam exigir também a criação de algum sistema de avaliação e reciclagem de professores que realmente funcione!

parabéns!

Parabéns aos professores mineiros!!! Acredito que em todo Brasil é reconhecida a bravura de vocêm em lutar mesmo diante dos ataques mais cruéis, sem retroceder! Admiro vocês imensamente!!!

Sou do SINASEFE, que também está mantendo uma greve na rede federal, apesar das pressões do governo.

Greve dos professores de Minas

 

  Parabenizo os professores pela resistência. O governo utiliza até de forças ocultas da polícia para amedrontar a classe. Este governo não tem a mínima consideração, nem respeito com o funcionalismo público, além de termos no estado uma mídia comprometida.

 

Proporcionalmente, o governo

Proporcionalmente, o governo de Minas cumpre sim a Lei Federal 11.738. Somos todos professores em MG. Muito bonito! E quem é aluno? Esqueçam o professor Fernando Henrique. Já se passaram oito anos de um outro governo e nada foi feito para mudar o que eles encontraram. Pelo contrário! Hoje os sindicatos já nem aparecem em manifestações contra a corrupção, esta sim, uma herança maldita. No governo do companheiro Lula, quanto no atual, o maior simbolo é o Sarney, aquele que como disse o Lula, não é uma pessoa comum! Só lembram do Fernando Henrique, OITO ANOS depois. E o Mensalão, porque não se lembram???

greve em Minas

Quem bom que ainda temos uma imprensa desligada dos interesses do governo! Aos professores mineiros, os meus parabéns pela luta. Ao governo mineiro, que insiste em não cumprir a lei, o meu desprezo!

greve dos EDUCADORES DO BRASIL

Estou orgulhoso de saber que o nossos BRASILEIROS ainda tem com quem contar.BRAVOS e GUERREIROS são voces que estão recebendo todo tipo de intimidação,estou acompanhando de perto toda manifestação dos nossos desgovernantes e sei que não é facil. Mas sejamos firmes fortes e guerreiros.A VERDADE ESTA SENDO VISTA POR TODOS BRASILEIROS ; MAIS ESTA SENDO MUITO BOM POR TERMOS ESTA GRANDE OPORTUNIDADE DE CONHECER DE BEM PERTINHO OS NOSSOS GOVERNANTES  QUEM ESTA APOIANDO E QUEM ESTA TENTANDO DEIXAR POR MAIS UMA OU DUAS ,TRES DECADAS OS NOSSOS BRASILEIRINHOS NO BERÇO DO DESCASO, ENQUANTO OS DESGOVERNANTES PODEROSOS COM O NOSSO SUOR CONTINUAM GOZANDO DOS SEUS SALARIOS QUE TORNAM MILHONARIOS.É isso ai minha gente brasileira sem tirar e nem por.OUVI NA TELEVSÃO O NOSSO GOVERNADOR DIZER O SEGUINTE QUE O MINEIRO DA UM BOI PARA NÃO ENTRAR NA BRIGA E UMA BOIADA PARA NÃO SAIR DELA . QUE ISSO SIRVA TAMBÉM PARA OS GREVISTA QUE TAMBÉM SABEM LUTAR PELO QUE QUEREM. ESTA É A PRÁTICA  DOS MEUS ANTEPASSADOS.

Parabéns pelo artigo, fico

Parabéns pelo artigo, fico feliz em saber que ainda existem jornais que não mascaram as notícias em favor de uns e outros.

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