Solidariedade aos estudantes da USP

Por esse compromisso histórico do MST com a Educação Brasileira, viemos por meio desta carta demonstrar toda a nossa solidariedade e apoio aos estudantes

 

17/11/2011

 

Da Página do MST

 

A terra, assim como a educação, são latifúndios que historicamente sempre estiveram nas mãos da elite brasileira, fazendo com que servissem somente aos seus interesses. Mas ao mesmo tempo, a classe trabalhadora se organizou para lutar contra esses latifúndios. O MST e o Movimento Estudantil são provas dessa organização da classe trabalhadora.

O que se viu na ação da Polícia Militar do último dia 8/11 foi mais uma demonstração da truculência e arbitrariedade com que o governo do estado de São Paulo tem tratado os movimentos sociais nos últimos anos, com a clara intenção de reprimir e criminalizar as lutas e os lutadores sociais que sonham em construir um mundo mais justo.

Porém, essa não é uma ação isolada. Faz parte da estratégia que o capital tem para com o nosso continente: transformar todos os bens em mercadoria. A educação e a terra, para eles, são somente mais uma dessas mercadorias. Da mesma forma acontece em outros países, como por exemplo no Chile e na Colômbia, onde leis de reforma da educação propostas pelos governos tem o claro objetivo de transformar a educação em mercadoria.

Mesmo com os avanços desses processos de privatização da educação, os estudantes seguem se organizando e se mobilizando, como demonstram os estudantes chilenos que estão em luta desde o inicio desse ano e os estudantes colombianos, que há cinco semanas estão em greve e hoje fazem uma grande marcha em defesa da educação pública. Para os estudantes chilenos e colombianos, todo nosso apoio e solidariedade.

É nosso dever e nossa tarefa defender uma educação pública, gratuita e de qualidade para o campo e à cidade. Não podemos permitir mais que fechem escolas no meio rural como vem acontecendo nos últimos 10 anos, onde mais de 37.776 escolas do campo foram fechadas. Temos que defender a autonomia e a democracia dentro das universidades e escolas, com eleição direta para reitores e diretores.

Lutaremos por mais verbas para a educação, tendo na bandeira dos 10% do PIB para educação o nosso instrumento de luta para melhores salários aos professores, aumentar a verba para assistência estudantil, expandir o ensino público com contratação de professores e técnicos administrativos e a melhoria da infraestrutura das escolas e universidades no campo e na cidade.

Repudiamos a ação truculenta e antidemocrática da polícia de São Paulo sob o comando do governador Geraldo Alkmin e do Reitor João Grandinho Rodas. Basta de repressão e criminalização das lutas sociais!

Por esse compromisso histórico do MST com a Educação Brasileira, viemos por meio desta carta demonstrar toda a nossa solidariedade e apoio aos estudantes da Universidade de São Paulo, que lutam por autonomia e democracia nos rumos dessa importante universidade do nosso país para que ela represente de fato os anseios do povo brasileiro.

 

Direção Nacional do MST

Comentários

POLICIA NA USP

Ninguém em sã consciência aprova quando o Estado investe contra o povo, em qualquer situação - Durante toda minha vida adulta todos já me viram envolvido com as mais diferentes causas sociais, seja em favor do MST, antimanicomial, sindical, comunicação popular, sem teto, vitimas de barragens, causas indígenas, anti-racismo, mulheres, homosexuais, política de esquerda, enfim, sempre levantei e conduzi bandeiras de luta... mas chega uma hora que a gente começa a analisar com profundidade a lama em que a gente enfia o pé. - Sempre lutei pela liberdade, democracia, participação popular nas decisões em coletivo, porém, essa causa em pauta de uma minoria acadêmica da USP que burlam as decisões de assembléia, não me parece tão justa quanto se apresenta... Esses "caras" (jovens burgueses que estudam numa universidade pública paga com o suado imposto da população) acham que podem se transformar em vítimas para angariar simpatia dos demais, para depois serem eles mesmos os ditadores estudantis. - Gente que no futuro, com o canudo na mão, jamais se lembrarão dos movimentos que participaram. - outra coisa, é que precisamos analisar o pragmatismo que está envolto nesse caso, bem como a carga hormonal e a adrenalina dessa juventude.

Chico Lobo - militante da Democratização da Comunicação e Rádios Comunitárias desde 85 - autor do livro Radiodifusão Alternativa e Radio Comunitária, Ferramenta da Democracia.

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