A urgente necessidade de desmilitarizar as polícias

Rafael Andrade/Folhapress

Constituição, raízes ideológicas e “guerra ao tráfico” reforçam pensamento “militaresco” da segurança pública

 23/11/2011

 

Eduardo Sales de Lima

da Redação

 

Afinal, qual é o papel da polícia na sociedade? Levando-se em conta somente este ano, saltam aos olhos que as ações das polícias militares estaduais têm sido carregadas de “excessos”. A violência policial ficou evidenciada sobretudo nas respostas às manifestações políticas públicas (tendo a Marcha da Maconha como exemplo, quando jornalistas foram feridos por policiais), nas conturbadas relações entre policiais e moradores de comunidades pobres das grandes cidades brasileiras e, mais recentemente, na desocupação do prédio da reitoria da USP. 

De arma em punho, policial do Batalhão de Choque da PM revista

carro de morador da Rocinha - Foto: Rafael Andrade/Folhapress

Digno de estupefação, o último exemplo desse “status quo” policial veio do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Nesta terça-feira (22), ele nomeou para comandar a ROTA um dos 116 acusados do massacre do Carandiru, em 1992. Trata-se do tenente-coronel Salvador Modesto Madia. 

Por essas e outras, ganha força o debate acerca da desmilitarização de nossas polícias estaduais. Como lembrou o juiz de Direito Luiz Fernando Vidal, na edição 438 (julho deste ano) do Brasil de Fato, é fundamental considerar a Polícia Militar conforme o contexto político dado pelo governante, e não apenas como instituição autônoma.“É preciso parar de dizer que os erros e arbitrariedades da polícia ocorrem à revelia dos que governam e comandam o poder do Estado. É o governante quem tem o poder de orientar, e assim ele responde pelos atos da policia”, analisou. Não obstante, “todo o organismo tem uma certa autonomia da ação”, como acrescenta Ângela Mendes de Almeida, coordenadora do Observatório de Violências Policiais, da PUC-SP). 

Constituição

Porém, “incorreções” ou imprecisões na própria Carta Magna reforçam a vigência de um Estado policialesco no Brasil. Como explica a juíza de direito aposentada Maria Pereira Lucia Karam, com  a permanência das polícias militares estaduais como forças auxiliares e reserva do Exército, conforme estabelecido no § 6º do artigo 144 da Constituição Federal, contribui para desvios e abusos no exercício de suas funções de policiamento ostensivo e preservação da ordem pública, funções essas previstas no § 5º do mesmo artigo 144 da Constituição Federal”. 

Segundo ela, o policiamento ostensivo e a preservação da ordem pública, atividades típicas de polícia, não se coadunam com a organização militarizada em que se estruturam as polícias militares. “Uma Emenda constitucional que promova sua re-estruturação e unificação com as polícias civis faz-se necessária e urgente”, defende.

Ideologia 

“ Não há despreparo. Há um preparo para abordar de forma truculenta, torturar, e criminalizar os movimentos sociais”. A indignação de Ângela Mendes de Almeida, coordenadora do Observatório de Violências Policiais, da PUC-SP), se dá, agora, pelo que ocorreu no caso da desocupação da reitoria por estudantes, em que foram deslocados até helicópteros. “É a mesma coisa que fazem no Rio, para invadir o morro da Rocinha e do Alemão; é para o público ver, um espetáculo”, critica Ângela. 

Os mais desavisados defendem que o conjunto do policiamento militar no Brasil cometa excessos por despreparo. Mas corriqueiramente, nossos policiais, por ato contínuo, põem a mão na arma a torto a direito, até mesmo em manifestações políticas. André Takahashi, integrante do grupo “Armas menos letais”, lembrou na edição 438 do Brasil de Fato que no dia 17 de julho, num ato contra a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte e a aprovação do novo Código Florestal, na região da avenida Paulista, com “o simples ato de sentarmos no asfalto, essa [colocar a mão na arma] foi a primeira reação dos policiais”, relata. 

Quando Gilberto Maringoni, no artigo “Os princípios da PM Paulista”, “desconstruiu” o brasão da instituição para explicar alguns de seus significados, lançou luz na própria história da repressão aos movimentos populares em nosso país. “Há exaltação ao golpe de 1964 e a repressão a três mobilizações populares (Canudos, Revolta da Chibata, Greve de 1917)”, se referindo a algumas estrelas que compõem o brasão. “Manter um símbolo exaltando a repressão sangrenta e covarde a manifestações democráticas é um acinte à democracia”, escreveu. 

Hoje, tantos os movimentos sociais organizados quanto os pobres são os criminalizados da vez. Os elementos que invadem as mentes e os corações de nossos policiais militares e de seus comandos se atualizam. “Essa polícia foi criada pela ditadura e trabalha com a ideia de um inimigo interno. Como esse inimigo não pode mais ser mais a esquerda porque não existe mais a ex-URSS, agora são os pobres. Não é uma mentalidade de um Estado democrático de direito, e sim da ditadura, da primeira República e assim por diante”, explica Ângela Mendes de Almeida. 

Guerra

Segundo a juíza de Direito Maria Lúcia Pereira Karam, no momento atual, a proibição das “arbitrariamente selecionadas drogas tornadas ilícitas” é o motor principal da militarização das atividades policiais. “O paradigma bélico, explicitamente retratado na expressão 'guerra às drogas', torna a atuação do sistema penal ainda mais violenta e excludente”, aponta Maria Lúcia.  

Na “luta contra as drogas”, o “criminoso” se torna o “inimigo”. Ora, numa guerra, quem deve “combater” o “inimigo”, deve eliminá-lo. “Os policiais brasileiros são formal ou informalmente autorizados e mesmo estimulados, por governantes e por grande parte da sociedade, a praticar a violência, a tortura, o extermínio. Basta pensar que o 'cinematográfico' Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro tem como símbolo uma caveira”, ilustra a juíza de Direito aposentada, Maria Lúcia. 

Assim, para ela, a chamada “guerra às drogas” como motor da militarização das atividades policiais, não se dirige efetivamente contra as drogas, e sim contra pessoas. Ou seja, os produtores, comerciantes e consumidores das arbitrariamente selecionadas substâncias tornadas ilícitas. “Mas é ainda mais propriamente uma guerra contra os mais vulneráveis dentre esses produtores, comerciantes e consumidores. Os 'inimigos' nessa guerra são os pobres, não-brancos, marginalizados, desprovidos de poder, como os vendedores de drogas do varejo das favelas brasileiras, demonizados como 'traficantes', ou aqueles que a eles se assemelham, pela cor da pele, pelo local de moradia, pelas mesmas condições de pobreza e marginalização”, argumenta a juíza. Ela pontua que no Rio de Janeiro, mantém-se a média de um em cada cinco homicídios (travestidos em “autos de resistência”) praticado por policiais em operações nas favelas.

De acordo com Ângela Mendes, a polícia age ilegalmente por aqui não só quando matam ou torturam, mas também no que se refere a “encaminhamentos burocráticos”. Age ilegalmente do ponto de vista das leis brasileiras. “Em todos esses enfrentamentos, que eles chamam de resistência seguida de morte, não existe perícia. Em qualquer lugar do mundo, quando alguém morre, é preciso fazer perícia”, aponta.

Para Ângela Mendes, as corregedorias de polícia deveriam ser independentes. “Elas são internas justamente para não deixar passar algumas coisas mais visíveis, escandalosas, apenas, e controlar aquilo que sai. Nada acontece com os agressores, pois eles julgam-se a si mesmos”, arremata.

Mudança

A juíza de direito Maria Lúcia Pereira Karam defende que um dos passos para uma efetiva desmilitarização da atividade policial, para afastar o paradigma bélico da atuação do sistema penal, é a mobilização para pôr fim à “guerra às drogas” e substituir a proibição por um sistema de legalização e consequente regulação da produção, do comércio e do consumo de todas as drogas.  

Mais do que isso. A juíza de Direito Maria Lúcia Pereira Karam vai além. Para ela, existe um problema cultural entre as corporações e que perpassa diversos setores da sociedade. “A desmilitarização passa por uma nova concepção das ideias de segurança e de atividade policial, que não se limita a essa necessária promoção de uma reestruturação e unificação das polícias estaduais. Ao afastar o paradigma bélico, que possa resgatar a ideia do policial como agente da paz, cujas tarefas primordiais sejam a de proteger e prestar serviços aos cidadãos”, explica. Por isso, segundo ela, a adoção dessa nova concepção não depende apenas de ações internas nos cursos de formação dos policiais e na atuação das corregedorias. É preciso que essa nova concepção seja, antes de tudo, “adotada pela própria sociedade e exigida dos governantes”, pontua.

Na mesma linha, como já lembrou o juiz de Direito Luiz Fernando Vidal, na edição 438 (julho deste ano), urge a revolução cultural dentro de uma sociedade, que é, desde há muito, “tristemente seduzida por uma farda e um coturno”. Ele disse à época: “a polícia militar deve ser extinta”.

Comentários

Sinceramente, àqueles que são

Sinceramente, àqueles que são a favor da extinção da PM, não passam de integrantes dos direitos "DOS MANOS", e não "direitos humanos", pois só veem o lado dos bandidos..Muitos ai, são a favor de terem arma em casa, mais querem desarmar a policia, vão a merda!!!!Não sou PM, mas pretendo ser, conheço quem é e por sinal exerce um ótimo trabalho, com direito a medalha e tudo, então acho que meia duzia de idiotas falam muito antes de pensar no que realmente querem!!

Falamos de truculências e

Falamos de truculências e violência, mas esquecemos que para iliminar o máximo disso teríamos que primeiro investir em educação, não adianta desmilitarizar, isso ou aquilo que apesar de não ser militar o papel de polícia vai ser o mesmo, só vai estar sem farda, mais com outro uniforme. Se todos dizem que é falta de preparo, porque não investir em treinamentos, mais capacitação, e ouvi em alguns textos que são a favor da desmilitarização falar em suborno, etc, mas esquecem que policiais em alguns estados ganham 800 reais, pode isso, como viver bem com isso, sendo que você enfrente bandidos de todas as formas, caracteristicas. Com certeza para quem esta na corporação seria ótimo, acabar com o militarismo e ter mais respeito entre as pessoas. Mas esse é mesmo o caminho?

Desmilitarizar a policia??af

Desmilitarizar a policia??af q piada.. pq nao distribuem flores pros traficantes e mandam caixas de chocolates pros sequestradores tb?

Desmilitarização já!

O Brasil é um dos últimos países do mundo a ter Polícia Militarizada, só esse argumento basta para rever esse conceito de militarização da Polícia.  

Engraçado que os EUA estão

Engraçado que os EUA estão passando por um processo no qual a polícia humanitária de lá está transitando para ser militarizada diante da chamada guerra  constra as drogas. Como vc responde ao fato de uma das maiores potências do mundo estar nadando contra correnteza da desmilitarização?

Só isto resolve?

Realmente culpa do militarismo?

"A juíza de direito Maria Lúcia Pereira Karam defende que um dos passos para uma efetiva desmilitarização da atividade policial, para afastar o paradigma bélico da atuação do sistema penal, é a mobilização para pôr fim à “guerra às drogas” e substituir a proibição por um sistema de legalização e consequente regulação da produção, do comércio e do consumo de todas as drogas". Esse tipo de pensamento me assusta, principalmente como argumento para o que está se defendendo. Não só vejo uma distorção de conceito aqui como também é notável no até bem redigido artigo que se cria uma argumentação técnica para sustentar uma defesa ideológica, deixando de abordar a verdadeira razão dos males da segurança pública. Isso porque o artigo também critica "ideologia" quando está muito mais carregado disso do que o objeto que condena. Até hoje fala-se da ditadura como se realmente fosse algo presente nos desvios que são cometidos e não as questões sociais, profissionais e, principalmente, a falta de sustentação legítima e estatal do profissional de segurança pública para seu próprio trabalho. Para não ir longe, 80% das pessoas presas são reincidentes e, destas, muito mais da metade não deveria estar nas ruas. Não são poucas vezes que um infrator saia mais cedo de uma delegacia do que um policial que o prendeu. Falta leis mais inteligentes, pois elas hoje são um emaranhado de brechas que só facilita ao delinquente e isso se reflete no trabalho policial que, ao ver seu trabalho esvair na omissão do estado, acaba agindo por si próprio. E quando isso se soma a um mal profissional que não teve o investimento necessário para sua formação, tudo se potencializa. Não é a prisão pela prisão, mas não se pode achar normal que delitos sejam tratados "sociologicamente" quando nossa cultura permissiva só favorece a quem se desvia dos propósitos da convivência saudável em sociedade. Esse é só um dos milhares de problemas... mas o problema é a ditadura, o militarismo, só lembrados para justificar ideologias. Em tempo: é curioso a mesma militância aplaudir a lei seca porque vai pegar os "playboyzinhos" e defender a legalização de "todas as drogas". O mundo indo na direção de afastar as drogas do seio social (inclusive contra o cigarro e o álcool, "drogas legais") e se usa esse argumento para defender o objeto ideológico do artigo. Desculpem, mas é tão contraditório como conveniente.

desmilitarizar a policia

sou policial militar, sofro por ser regido pelo RDPM, nao trata o policial como cidadao, pois é negado todo o direito Civil, trabalhista. O meu sonho é de um dia ver a desmilitarizaçao da policia, acha até que deveriam haver uma pesquisa entre toda a policia militar do Brasil para consultar quem era afavor ou contra, pois tenho certeza que mais de 90% é afavor da desmilitarizaçao. Como é que o policial vai defender os direitos civis, onde nem os seus sao respeitados, que motivaçao ele vai ter? Queria que Os Direitos Humanos vissem a causa da policia Militar do Brasil, pois existem homens que dao a sua vida para defender a sociedade, embora existam os truculentos. Voces viram o que aconteceu recentemente com a greve da PM, e qua a forma que os governos e mídia trataram os policiais militares, prendendo em presidios de segurança máxima, como se fossem os piores bandidos, ainda feriram a constituiçao nao deram o direito de defesa, e foram para prisao sem serem julgado pelo  Tribunal de Justiça. A sociedade é vítima de uma policia que por sua vez é vitima de um sistema acaíco e desumano. Nao sei porque ainda existem póliticos que defendam esse sistema de Segurança Pública, é preciso mudar, antes que seja tarde demais, pois ninguem aguenta mais.

A policia certa para sociedade

Como a policia pode ajudar uma sociedade se a sociedade, em sua maioria, é corrupta e cheia de defeitos. Primeiro muda-se a sociedade, depois a policia.

desmilitarização

Quem é contra a forma como a pm age em abordagem, é porque não teve a sensação de como abordar um criminoso. Vá lá tentar... 

Quem confia em policia?

Ninguém obriga ninguém a ser policia...vc pode optar por estudar, e dormir de consciência tranquila. Pra que virar militar, sabendo que ganha mal, e e trabalha bastante? Eu acho idiotice.

Na minha opinião, idiotice é

Na minha opinião, idiotice é ser bandido!

Nem Policia violenta, nem bandido...

Sou a favor tb de uma Policia mais INTELIGENTE e HUMANA, uma que não "faça justiça com as próprias mãos". Que não afronte os direitos humanos de pessaos, (independente de sua cor, crdeo, opção sexual, classe ecônomica..)só em nome de sua pseudo-autoridade. Enfim...Concordo com tudo que foi falado, mas me deixa sempre um nó na garganta, qdo dão a impressão que "os tais vendedores de DROGAS" são tratados de maniera tão inocente, como se fossem apenas elas, as vitimas, (sei que tb são, por todas condição de vida que lhe são impostos) ou como se fossem pequenos comerciantes tentando ganhar a vida e  que prezam pelo bem da comunidade. Isso é mentira, TRAFICANTE não esta aí para a comunidade, não são santos, são assasinos tb. Tão violentos quanto a policia.  Mas eles podem? pq? pq não tiveram oportunidades? Sim..tudo bem... O ( ou um dos)  problema da violência sem duvida é o abismo social que existe entre os ricos, e os pobres...sim..claro... viver em uma favela, sem as condições básicas sanitárias, de educação sem o minímo de qualidade de vida, sendo tratado com preconceito, sem nehum direito, sem sentir parte de uma sociedade e etc... são motivos suficientes para deixar qq um revoltado e tocar o terror...mas eu me pergunto, aonde vamos aceitar que pessoas lancem a mão da violência? E que ela seja justificada? Pq sempre, me parece, que terá uma justificativa. Seja quem for que a pratique. Ver na tv quatro garotos, sim, negros  e pobres, matarem um outro garoto, sim, branco e de classe média, só pelo fato desse último, ao ser abordado pelos quatro, por bater com o portão na cara de um deles, possivelmente levado pleo nervosismo é revoltante e é triste, tanto qunato a violência cruel exercida pela nossa fálida e vioelnat policia. Execução. É isso que os bandidos fazem. Eles hj em dia resolvem se querem ou não executar sua vitimas.  E suas vitimas, não são apenas as PESSOAS BRANCAS e BURGUESAS, tb são os negros, os pobres, os jovens, ou velhos... pois a violência, alcança a todos. Mas não vejo ninguém fazendo CHURRASCÃO em nome dessa vitimas. Me parece mais que as coisas são divididas assim: de um lado, a direita reacionária e facista e do outro lado a esquerda demagógica e sensacionalista. Cada um vê oque lhe interessa e tenta explrorar o assunto da maniera que mais lhe convém, mais para autenticar suas visões extremistas, do que para solucionar realmente algo. Vamos lutar sim por uma policia menos truculenta, menos injusta, que vise o interesse de um determinado grupo do que a segurança do cidadão. Mas não vamos ser inocente e sensacionalistas: A violência vem de outras fontes. Como resolver isso?

Utópico e Reducionista.

Olha, não sei de que mundo você está falando, mas no mundo real, do Brasil real, em que vivemos, não há a menor possibilidade de se brincar de desmitaliração do jeito que o artigo propõe.

O artigo foi reducionista ao extremo, deixando a polícia com o papel de opressora do povo pobre e das minorias, no mais autêntico sensacionalismo jornalistico patético que o brasileiro adora. É muito fácil falar em acabar com a guerra às drogas legalizando tudo e desmilitarizar a polícia, difícil seria viver num país sem lei como esse.

Caiam na real, fazendo favor: legalizar a droga pode reduzir o problema do tráfico de drogas, e por mais que vocês façam os traficantes de coitados - sim, é um problema grave, mas não vai acabar com os bandidos. É bem capaz que, na verdade, piore-se a violência dos crimes, já que vamos arrancar o ganha pão de gente perigosa e inescrupulosa e deixá-los ao deus dará. Legalizar as drogas (e eu sou a favor de legalizar várias delas) vai deixar sem ocupação gente armada de fuzis, metralhadoras e granadas de classe militar, e desmilitarizar a nossa polícia seria deixar esses bandidos, então ainda mais furiosos, sem uma força à altura que os detenha e os combata. E sim, é preciso combatê-los: são organizações páramilitares que se travestem de defensores das populações e de meros comerciantes ilegais, e enquanto eles existirem, o Brasil vai carregar o estigma da violência.

Mas não discordo totalmente do texto e não vim a criticá-lo sem sugerir opções. Eu tenho uma.

Em algumas cidades do Brasil o modelo de guarda municipal vem rendendo bons frutos. Aqui mesmo em Belo Horizonte tudo começou muito tumultuado: a seleção de guardas municipais não era tão rígida quanto devia e o preparo deixava a desejar, resultando em guardas municipais despreparados e/ou tão violentos e desrespeitosos quanto a polícia, mas isso vem mudando aos poucos.

Oficializar as guardas municipais, desarmadas, como responsáveis pelo policiamento ostensivo das cidades, atendimento a pequenos delitos e treinando-os com um forte apelo pacífico pode sim surtir bastante efeito. A polícia *militar* deveria então ser deixada, com seu treinamento *militar* e seu constante preparo para lidar com situações de combate, para lidar com esses supracitados grupos *paramilitares* e outras situações graves, como sequestros, assaltos a banco e outros crimes onde armamento pesado e técnicas *militares* sejam necessárias.

Seria bacana demais? Certamente. Mas mesmo eu não formo esperanças. Num país onde a classe média espanca mendigos, motoristas avançam o sinal pra fechar o cruzamento e as autoridades fazem vista grossa para igrejas que catequizam forçosamente índios e lavam dinheiro de tráfico, nunca vamos ver a minha ou a sua sugestão acontecer.

Sobre o "Utópico e reducionista"

Caro coleitor, seu comentário inicialmente criticou com vigor o texto, mas no fim das contas me parece que você também é a favor da desmilitarização da polícia para os fins referidos no texto (situações rotineiras ou não violentas, como policiamento ostensivo nas ruas e manifestações políticas), que poderiam ser realizados pela Polícia Civil ou pela Guarda Municiapl. As "situações de combate" seriam realizadas por grupos com treinamento militar, que poderiam ser BOPE/GOE, PM ou mesmo o Exército. 

Com relação à liberação das drogas, ou de apenas algumas delas, você sugere que a obsolescência do mercado antes feito pelo tráfico deixará os criminosos em desespero, que usarão seu arsenal bélico pra aterrorizar a população. Esta sim é uma situação de combate, a ser realizada por militares, e só durará enquanto os bandidos possuírem armas. Se eles não tiverem mais nenhuma fonte de capital, seu poder de violência vai diminuir até a quase pacificação. 

A meu ver, você concorda mais com o texto do que discorda, não?

Cordialmente,

Bruno

Desmilitarização e Polícia única nos estados

Sou favoravel a desmilitarização e que cada estado da federação tenha apenas uma polícia, pois como é hoje não sabemos quem devemos procurara visto que cada uma tem uma função. Por exemplo, se tenho um veículo roubado chama-se a PM que lavra um BO/PM e depois me manda para delagacia onde faço novamente um BO, porém BO/PC. Esse é um dos motivos para uma polícia única. Quanto ao militarismo existe a máxiam entre os PMs: "paisano é bom, mas tem muito". Ou seja, se não for PM ou familiar de PM os civis não servem para nada? Essa mentalidade, mesmo nos dia de hoje, quando o cidadão ingressa numa academia ou escola de policia militar lhe é trasmitida e quando sai para a rua pensa que está diante de somente bandidos que devem ser eliminados. Mas não podemos confundir tratamento com dignidade com covardia e fugir de um eventual confronto com bandidos, principalemnte armados, o preparo deve ser justamente para enfrentar quando for necessário e dentro dos parâmentros legais, que é o que a sociedade deseja, pois nem todo bandido se rende quando a polícia chega e "atrapalha seu serviço". Está no Senado Federal a PEC nº 102/2011 que unifica as polícias dos estados, transformando-as em um órgão apenas. Torço para que seja aprovada e melhore não só a segurança como o tratamento dado a sociedade e aos policiais, sejam civis ou militares.

João Batista, SP

anonimo

Sou Policial Militar em Minas Gerais (região do 29º BPM de Poços de Caldas) e meu maior sonho é um dia ver a desmilitarização acontecer, pois trabalho 264 horas por mês sem ganhar um real de hora extra, trabalho em turno de 24 horas e se eu dormir, sou preso por crime militar, minhas folgas são caçadas a bel praser do comando, não tenho a quem recorrer, não somos regidos pela CLT, meus DIREITOS HUMANOS são violados a todo momento. A midia não divulga nada disso.

Não vejo a hora dessa desmilitarização acontecer... só que aí eu quero ver quem vai segurar a peteca quando a coisa ficar feia!!!

Aí lascou

Se tirar as armas da policia, aí lascou. Quem sobe numa favela sabe que existem pessoas boas, mas também sabem que quem não presta não vem identificado. Se bandido usasse uniforme ficaria mais fácil, mas não é assim que as coisas funcionam.

TRuculencia é um preço que temos que pagar para termos paz.

Então você assume o risco de

Então você assume o risco de ser confundido com um bandido, assassinado junto com sua família, e ser enterrado sem julgamento ou perícia?

PM

POLÍCIA: CÃES DE GUARDA DA BURGUESIA!

Que time é teu?

Você é proletário?

Resposta ao comentário de

Resposta ao comentário de "Acho que não entendi"

A questão da extinção da PM não significa acabar com o policiamento. Antes, a ideia é ter um policiamento efetivamente digno, que respeite o cidadão. Desculpa cara, mas eu é que diria "não sei em que mundo você vive"!!! Eu sou morador de periferia e sei muito bem como é o tratamento desumano ao qual muitas vezes somos submetidos pelos homens de farda atuais. A polícia deve ser um mecanismo de proteção do cidadão, não de agressão e truculência com alguns cidadãos em específico.

Sobre o que você disse que, no final quando precisamos de ajuda nós chamamos a PM´. É claro, o Batman não existe (exceção ao “ex”-policial do grupo de extermínio com o mesmo nome). Chamamos a PM não porque gostamos dela e achamos ela ótima, mas porque não há opção! A questão dá crítica à PM é essencial para que a polícia seja humana com todos, até mesmo com os criminosos que tem DIREITO a um julgamento pelo poder judiciário e não ser condenados a pena de morte (que aliás não existe legalmente) na rua por um outro criminoso, só que às vezes fardado.

 

 

Pois é...

Acho que estamos de acordo...

Nem eu, nem você quer o fim da polícia....

Queremos uma polícia mais preparada...e uma sociedade menos violenta.

Acho que não entendi

Não sei se já comecei a ler com um determinado viés, mas parece que o autor vive em uma sociedade imaginária ideal. Como assim pacificar a policia? Onde você mora cara? Em condomínio fechado?

Espero comentário mais objetivo sobre a questão...

E cade os tão citados movimentos sociais para questionar a corrupção disseminada nos governos federal, estudual e municipal em todo o país? Contra a violência espalhada em todo o território? Contra o crack, que tá acabando com uma parcela específica da população? Por uma educação de qualidade aos jovens?

A esquerda ainda é viúva da ditadura....toda argumentação tem que citar a ditadura...

Vamos cobrar a melhoria da polícia, não o fim dela. Se um dia entrarem na sua casa, é para ela que você vai ligar.

JÁ PASSOU DA HORA

A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR.   PORQUE A PRESIDENTE DILMA QUE SOFREU NA MÃO DE MILITARES QUE HOJE ESTÃO AQUARTELADOS FICA INTERFIRINDO NAS FORÇAS ARMADAS, E NÃO FLA NADA A RESPEITO DOS policiais MILITARES QUE ESTÃO DIA -A-DIA COM A POPULAÇÃO?

O MILITAR COLOCA EM SEGUNDO PLANO A ANÁLISE GLOBAL DOS FATOS PARA APENAS CUMPRIR ORDEM SEM QUESTIONAR. ELE NÃO SERVE PARA O DIA A DIA. PRA GUERRA ELE É PERFEITO, POIS, O CHEFE FALA PRA O SUBALTERNO IR PRO MEIO DE UMA CHUVA DE BALAS E ELE VAI FELIZ E GRITANDO; COM A POPULAÇÃO EM GERLA, IDOSOS, CRIANÇAS, DEFICIENTES FÍSICOS, ETC.. TEM QUE SER DIFERENTE; UM POLICIAL NAS RUAS PRECISA TER UMA AUTONOMIA QUE O MILITARISMO NÃO PERMITE.

É POR ESSAS E OUTRAS QUE AS EMPRESAS DE SEGURNÇA PARTICULARES INVADIRAM AS CIDADES SE TORNANDO UM NEGONCIO ALTAMENTE LUCRATIVO, POIS  TEMOS MAIS O MILITAR NA RUA DO QUE O POLICIAL.

SP: Policiais mais violentos do mundo

SP: Policiais mais violentos do mundo

Em 2011, a cidade de São Paulo teve 629 pessoas mortas, sendo que 128 foi a própria polícia que matou. Entretanto, para escapar da fama de 'polícia assassina', a própria corporação alega que 60% dos confrontos no período não tiveram mortos.

De cada cinco pessoas assassinadas na cidade de São Paulo em 2011, uma foi morta pela Polícia Militar. Os dados fazem parte de relatório da Secretaria da Segurança Pública do estado.

Nos primeiros meses do ano, entre janeiro e julho, 629 pessoas foram assassinadas na capital paulista. Deste total, 128 registros foram feitos como "pessoas mortas em confrontos com a Polícia Militar em serviço".

O tipo de ocorrência, conhecido em outros estados como "auto de resistência", é um indicativo de revides da Polícia Militar a ataque de criminosos ou enfrentamento em ação policial.

(fonte:http://port.pravda.ru/news/science/22-09-2011/32193-policia_violencia-0/)

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