Nau dos loucos

Peça aborda doentes mentais que vivem nas ruas como sujeitos históricos
16/07/2012
Eduardo Sales de Lima,
da Reportagem
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| Foto: Maritza Farías Cerpa |
Dois passageiros navegam no asfalto. Um viaja no delírio desconexo, confuso, hilariante, louco, belo e intrigante, com sua lógica própria. O outro desliza, atracado durante 18 anos na Ilha Pedroso de Morais, com um discurso firme e crítico. Ambos denunciam uma questão humana. Esta é a sinopse da peça Nau do asfalto, que faz parte do projeto “Dramaturgia de uma Nau de Loucos: uma possibilidade cênica”.
A ação cênica, inserida dentro de uma proposta acadêmica de doutorado, ocorre no dia 9 de agosto às 10h, de graça, no Teatro Laboratório - Sala Miroel Silveira, na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP).
O projeto começou quando a atriz Evinha Sampaio, formada pela EAD – Escola de Artes Dramáticas , da ECA-USP, percebeu um outro corpo vivendo nas ruas de São Paulo. “Eu identifiquei que não era o corpo do catador de lixo, o crackeiro, nem o morador de rua. E não era o bêbado. Era uma outra coisa que eu estava vendo, uma outra pessoa. Fiquei observando e assisti a alguns surtos psicóticos”, relata Evinha.
Em 2009, a atriz iniciou uma reflexão sobre o que queria para o seu projeto de doutorado. Enveredou-se a partir do que denomina de “movimento do corpo louco”, que aborda o corpo do doente mental inserido no espaço da cidade e sua relação com o outro.
Também influenciada pelo livro “A História da Loucura”, de Michel Foucault, que narra, entre outras coisas, a “limpeza” que as cidades da Idade Média faziam em seus territórios. As autoridades públicas detinham todos aqueles considerados loucos, os colocavam num navio que, por sua vez, perdia-se em alto-mar, à deriva. “O resultado de minha pesquisa teórica chama-se Nau do Asfalto porque tem a ver com essa nau que ficava em alto-mar. Hoje, esses loucos estão à nossa porta, na nossa calçada, nos nossos canteiros, no asfalto, e à deriva também”, conta Evinha.
Serviço
Funcionários e usuários de ONGs e CAPS – Centros de Atenção Psicossocial, ou qualquer outra instituição que quiser levar um grupo de pessoas, por favor, entre em contato pelo e-mail: mebarea@gmail.com



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