Greve dos servidores do Incra e MDA completa um mês
Trabalhadores pedem a reestruturação dos órgãos, que sofrem com falta de orçamento, servidores e estrutura mínima
18/07/2012
Michelle Amaral,
da Redação
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Manifestação realizada no dia 4 de julho em Brasília (DF) Foto: Marcello Casal/ABr |
A greve dos servidores do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) completa nesta quarta-feira (18) um mês. Os trabalhadores pedem a reestruturação dos órgãos, que sofrem com falta de orçamento, servidores e estrutura mínima.
Os servidores realizaram na terça-feira (17) uma manifestação em frente ao prédio do MDA, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília (DF) e entregaram a pauta de reivindicações a representantes do gabinete do ministro.
Segundo relata Reginaldo Marcos Aguiar, diretor da Confederação Nacional das Associações dos Servidores do Incra (CNASI), os representantes do MDA disseram que o ministro Gilberto Vargas conhece a reivindicação dos trabalhadores e irá tratá-la com o centro de governo – Casa Civil e Presidência da República. “É difícil dizer se seremos atendidos ou não, mas a expectativa é positiva, pela lógica das nossas reivindicações e pelas necessidades dos órgãos que são conhecidas”, afirma Aguiar.
Os servidores denunciam que, do orçamento de R$ 4 bilhões do Incra, houve corte de R$ 1 bilhão pelo governo e, por isso, o órgão não consegue atender à população como deveria. O Instituto tem 5.500 servidores, sendo que 2 mil estão prestes a se aposentar, e atende diretamente a 10 milhões de pessoas. No ano de 2011, a meta do Incra era assentar 50 mil famílias, mas, de acordo com o órgão, só foram assentadas cerca de 20 mil. O número, no entanto, é contestado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), segundo o qual apenas 5.735 famílias participaram dos processos de reforma agrária neste ano. Em 2012, conforme os servidores, quase nenhum assentamento foi feito até agora. “Fica difícil trabalhar, a gente tem poucos servidores, uma estrutura deficitária e, ainda, a redução de orçamento”, desabafa o diretor do CNASI.
O MDA, por sua vez, devido à falta de estrutura, tem enfrentado dificuldades para a execução das suas políticas. Desde sua criação, em 1999, o ministério realizou apenas um concurso público, no ano de 2009. As vagas abertas em todo o país não foram completamente preenchidas e 79 servidores que tomaram posse já deixaram o MDA. Hoje, o ministério tem mil funcionários, mas somente 127 são concursados. Os demais trabalhadores são terceirizados e indicados políticos. De acordo com nota dos servidores, “o órgão necessita urgentemente de novos concursados e da concretização de um plano de carreira específico, que venha a corrigir as distorções salariais com outros setores”.
Os trabalhadores pedem também a ampliação do orçamento para os dois órgãos de R$ 4 bilhões para R$ 6 bilhões e a contratação de 4 mil servidores por concurso público – três mil para o Incra e mil para o MDA. “Servidores, movimentos sociais e governo concordam com a necessidade de reestruturação dos órgãos, o que está em discussão é o tamanho dessas medidas que devem ser aplicadas e quando serão aplicadas”, explica o diretor do CNASI.
Na próxima terça-feira (24), os servidores participarão de uma rodada de negociações com o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG). Esta é a quinta reunião realizada neste ano entre a pasta e os servidores dos dois órgãos. “A gente busca uma contraproposta, porque apresentamos a nossa reivindicação e até agora [os representantes do ministério] só recepcionaram, não se posicionaram. Na última reunião, disseram que iriam apresentar a contraproposta no dia 31 deste mês, mas esperamos que eles antecipem essa data”, afirma Aguiar.
Mobilização
O diretor do CNASI avalia positivamente o primeiro mês da greve, iniciada no dia 18 de junho. Segundo ele, conseguiu-se mobilizar os trabalhadores do Incra “de uma forma que não se via há muitos anos”. “O Incra existe há 42 anos e tem gente com 38 anos de Incra que nunca tinha feito greve e dessa vez fez”, explica.
A greve atinge 28 das 30 superintendências regionais do Instituto. Somente as unidades de Sergipe e Alagoas não aderiram ao movimento. No entanto, conforme Aguiar, assembleias estão sendo realizadas entre os trabalhadores para decidir sobre a adesão à mobilização. Já no MDA, 70% dos servidores concursados estão paralisados.
Na manifestação realizada na terça-feira, os trabalhadores também protestaram contra a ameaça de corte do ponto. Segundo nota dos servidores, “o contraditório é que mesmo o movimento buscando fortalecer os órgãos, o governo retalia os grevistas com ameaça de corte de ponto, o que é totalmente rejeitado pelos servidores”.



Comentários
Respeito aos trabalhadores e servidores!!
Quase nenhum governo respeitou os nossos servidores para mim cortes de direitos aos trabalhadores é um absurdo e inaceitável temos que combater privilégios da burguesia e da elite que está em parte no poder!!!Reajuste salarial é direito do trabalhador não é luxo dar desculpas da crise capitalista não dá!! os trabalhadores não podem pagar pelas mazelas cometidas pelas elites!!!
Somos pela isonomia salarial
Somos pela isonomia salarial no Serviço Público Federal. Isso é um descaso e desrespeito para com os servidores do INCRA e MDA e de outros que estão na mesma situação.
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