Em defesa da Globosfera, Serra põe o bico na janela

Blindado por emissoras de rádio e televisão, o tucano investe na promiscuidade desta relação
26/07/2012
Leonardo Severo
Escoltado pelos grandes conglomerados de comunicação, o candidato tucano à Prefeitura de São Paulo esbraveja e acusa a blogosfera de estar em campanha “nazista” contra a sua candidatura.
Apóstolo da globosfera, da folhosfera e de outras esferas igualmente sacrossantas, democráticas e plurais, fala diante do silêncio sepulcral dos barões da mídia, que tanta solidariedade prestaram ao atentado que sofreu com a bolinha de papel. Novamente diz ser atingido de forma covarde e reage contra os blogueiros “sujos”, “verdadeira tropa de assalto na internet”.
A tática é tão antiga quanto a do batedor de carteiras que sai gritando “pega ladrão”. Infelizmente, quem a está utilizando tem condições de fazer estragos imensamente maiores com uma simples caneta: privatizações, concessões, arrocho salarial, precarização...
Blindado por emissoras de rádio e televisão, além de publicações muito bem nutridas por anúncios que potencializam suas armas de manipulação em massa (a Veja que o diga, com oito páginas do Ministério da Educação na última edição), o tucano investe na promiscuidade desta relação.
Enquanto isso, as supostas “tropas” que o enfrentam encaram, de peito aberto e bolsos vazios, a ferocidade da luta pela democratização da comunicação, pela verdade e a justiça. A mídia alternativa que o diga.
Diante do desafio de manter em alto a bandeira da verdadeira e 'efetiva liberdade de expressão, é preciso refletir sobre o seu real significado, sem o que tal “liberdade” continuará restrita a umas poucas famílias de proprietários que decidem o que ver e ouvir. É exatamente isso o que está ocorrendo na atual campanha eleitoral, onde respaldados pela “objetividade” de “pesquisas”, promovem candidatos nanicos a “gigantes” e gigantes a “nanicos”.
Como bem demonstraram os professores paulistas ao denunciar um policial infiltrado numa manifestação contrária ao governo do Estado de São Paulo para fazer provocações - a fim de culpabilizar os que defendiam a melhoria da educação pública – é preciso, sempre, fazer e refazer uma leitura crítica. Afinal, já nos alertou Mia Couto, “entre parecer e ser vai menos que um passo, a diferença entre um tropeço e uma trapaça”.
Aos que sobrevivem do caldo da incultura de seus cachoeiras, paulopretos e policarpos, ensurdecidos pelo seu próprio aplauso, a blogosfera é um contagioso exemplo a ser segregado, enquanto não possa ser corrompido ou definitivamente banido.
Infelizmente, para o candidato do PSDB, os tempos são outros. Ainda que certos anúncios publicitários continuem favorecendo a mordaça e a lambança, contra a mudança, a verdade é tesouro e tesoura a cortar as asas das aves de mau agouro.
O candidato que tão bem representa os lúgubres anos de FHC estancou e, mais cedo ou mais tarde, verá a realidade lhe sorrir. Então terá de encarar a ladeira. Como o general imperialista, ridicularizado por Eduardo Galeano, que se media ao despertar e a cada dia se achava mais alto. Até que uma bala interrompeu seu crescimento.
A candidatura da grande mídia pôs o bico na janela.
Leonardo Severo é jornalista e autor do livro "Latifúndio Midiota, crimes, crises e trapaças".


Comentários
serra poe o bico na janela
Se a população brasileira não tivesse a mente tão curta esse elemento não se candidatava mais nem a sindico de condominio.
Democratizar é precisoA
Democratizar é precisoA cominicação(informar e ser informado) é um direito fundamental de todo cidadão. No Brasil, porém, poucas pessoas controlam o que as pessoa podem ou não saber, porque esses indivíduos detém, na quase totalidade, os meios de comunicação tradicionais, como rádios, tvs e jornais. Nesse contexto, a internet tornou-se um refúgio para aquelas pessoas que desejam uma maior pluralidade de opniões e uma visão mais crítica do mundo.É através de blogues, sites de mídias alternativas e redes sociais que os internautas exercem o direito que lhes foi usurpado nos meios tradicionais. Nessas plataformas os leitores não são simples receptores de informação cristalizada, eles podem comentar os textos, fazendo elogios, criticas ou acrescentando informações relevantes. Disto resulta uma Democracia em Rede.Fato é que essa liberdade de expressão tem incomodado o candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, motivando uma requisição de investigação dos blogues de dois jornalistas: Paulo Henrique Amorim e Luis Nassif. Segundo José Serra, esses “blogues sujos” estariam sendo financiados pelo Governo Federal por meio de anúncio de Estatais para difamar a sua imagem, mas o excelentíssimo candidato não se manifestou sobre as compras milionárias e sem licitação realizadas pelo Gaverno do Estado de São Paulo(Geraldo Alckimin, PSDB) de material do Editora Abril, que edita a revista Veja, revista cuja linha editorial reflete a voz dos Tucanos.Tampouco o arguto Serra notou que os anúncios do Governo Federal na Veja superam em muito as verbas destinadas a propaganda oficial em mídias alternativas. Se o PSDB desejasse melhorar a distribuição da verba de propaganda oficial, descentralizando o montante para evitar a cooptação de jornais e revistas por meio desses recursos, certamente receberia total apoio dos cidadãos ávidos por liberdade de expressão, entretanto o real motivo desta cruzada tucana contra dois blogues é o medo que o Sr. Serra tem de essa livre circulação de ideias na rede fure a blindagem que a imprensa tradicional exerce sobre ele e seus correligionários.Não há como negar a necessidade de uma reforma nas concessões dos meios de comunicação para que essas informações não se limitem à blogosfera. O Brasil precisa seguir o exemplo da Argentina: dar voz a todos os setores sociais, não só a quem pode pagar por isso. Nesse sentido, os blogueiros terão o apoio de todos aqueles que desejam construir uma sociedade mais transparente, igualitária e de livre circulação de ideias.
Em defesa da blogosfera
Cerra é um autoritário. O comportametno dele é que revela quem ele é. Cerra quer amordaçar a democracia. Não sabe conviver com divergências. Seu caráter fascista pretende impor o pensamento único. Se fosse querer discutir "verbas", uma comissão teria que ser formada para investigar os gastos milionários em publicidade destinada à mídia patrimonialista e oligárquica que se comporta como partido de apoio ao PSDB, e, ainda, as compras milionárias - sem licitação - dos produtos Veja, FSp, Estadão, etc. Democracia é uma palavra que o PSDB excluiu de seu dicionário. O governo federal, deveria colocar em discussão a Regulação da Mídia. Aí as 06 famiglias proprietárias do meios de comunicação mostrariam seu caráter totalitário. O PSDB também.
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