Terra e trabalho

Os camponeses cultivam a área para o autossustento e também para garantir renda com a venda da produção em feiras e comércios da região

 

27/06/2012

 

Ednubia Ghisi

de Curitiba (PR)

 

Mandioca, feijão, melancia, frutas e uma variedade de verduras e hortaliças cobrem a terra do antigo latifúndio improdutivo. Desde que ocuparam a Fazenda Santa Filomena, os camponeses cultivam a terra para o autossustento e também para garantir renda com a venda da produção em feiras e comércios da região.

Apesar de não receber qualquer apoio governamental para a produção, o assentamento hoje fornece alimentos a programas do governo, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), por meio da cooperativa de Comercialização e Reforma Agrária Avante Ltda (Coana), localizada em Querência do Norte/PR. Mais de 30 famílias estão envolvidas na produção ligada à cooperativa, em um total de 120 pessoas do pré-assentamento.

Os trabalhadores aliam produção à preservação do meio ambiente e preservam 20% do território para reserva legal. A maior parte das famílias utiliza a agroecologia como matriz tecnológica. Antes de conquistar a terra, o agricultor acampado Luiz Fernandes recorda que trabalhava em grandes fazendas e sofria as consequências do uso de agrotóxicos: “Eu era empregado rural numa fazenda de monocultivo de soja, trigo e milho, trabalhava com todas as classes de veneno. No início era bom, trabalho fácil, com os equipamentos, mas comecei a sentir a pele sensível”.

A importância do acampamento na região é reconhecida nas declarações de apoio à desapropriação da área emitidas pelo Departamento de Agricultura e Pecuária da Prefeitura Municipal de Amaiporã, pela Associação Comercial, Industrial, Agropecuária e de Profissionais de Planaltina, pela Coana e por diversos empreendimentos comerciais da cidade, que firmaram apoio à desapropriação da área.

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