Sindicato diz que professores rejeitam a proposta do governo
Segundo o comando de greve, docentes de 57 instituições decidiram em assembleia pela continuidade da paralisação
09/08/2012
Amanda Cieglinski,
O Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN) divulgou comunicado nesta quinta-feira (9) informando que a greve dos professores das universidades federais está mantida na maioria das instituições. De acordo com o comando de greve, até ontem (8), docentes de 57 universidades haviam decidido em assembleia pela continuidade da greve, que já dura quase três meses, rejeitando a proposta do governo.
A proposta apresentada pelo Ministério do Planejamento prevê reajustes que variam entre 25% e 40% para todos os docentes, aplicados de forma parcelada até 2015. De acordo com o sindicato, que representa a maior parte da categoria, o impasse nas negociações com o governo não foi superado e os reajustes atingem a categoria de forma desigual, “prejudicando os docentes e aprofundando as distorções”.
Até o momento, apenas a Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes), uma das entidades que representam os docentes das universidades federais, aceitou o acordo com o governo. Duas instituições filiadas ao Proifes já aprovaram o fim da greve, a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), além do Instituto Federal de Educação Profissional e Tecnológica do Paraná (IFPR).
O comando nacional de greve do Andes defende no comunicado que “a greve permanece firme e coesa”. De acordo com o texto, “os docentes têm clareza do significado da luta e cobram reabertura de negociações, visando o atendimento da pauta de reivindicações, a qual objetiva o avanço da educação pública”.


Comentários
Greve dos professores
O grande problema da greve nos serviço público é que o patrão é o governante. Este, por sua vez, tem um projeto de Estado. A greve, portanto, é um forma de confrontar não apenas o governante, mas o projeto de Estado que ele representa. O projeto do Estado contemporâneo é um projeto comprometido com o mercado, com as forças econômicas e financeiras que determinam os rumos da economia. Este projeto exige coerência interna entre agentes que participam do jogo, pois qualquer desarmonia pode afetar a relação entre Estado e Mercado. Os valores do mercado não são valores humanos, mas valores financeiros, valores econômicos. Ora, tais valores têm uma força descomunal, uma força que não escuta o que o ser humano quer dizer, o que o ser humano precisa, ela só escuta o que o mercado precisa. Contra esta força não é possível o diálogo, embora seja possível dialogar com que se compromete com tais forças, mas não é suficiente. Só há três formas de enfrentar a força do mercado, a lei, a greve e a guerrilha.
Luta ?
Ficar sem trabalhar é a melhor forma de lutar ? Paralisar a educação com esse rigor e por esse longo período é algo útil para a sociedade ? Formas de reinvidicação em paralelo ao desenvolvimento normal das atividades, não são viáveis ?Senhores, por favor, greve é coisa para fábricas. Já não é tempo de desenvolvermos formas mais práticas e modernas de lutarmos por nossos direitos ou continuaremos nas mãos dos sindicatos e no comodismo das "paralisações" ?
Seria bom se fosse fácil
Seria bom se fosse fácil achar outra solução que não seja a greve, mas infelizmente ainda nos dias de hoje outras formas de luta se tornam invisiveis para o estado se não mexer com os ''seus muros''
Falar é fácil
Falar é fácil, dá um sugestão! Greve é o único caminho quando todas as outras tentativas falharam.
Acho legítima sua
Acho legítima sua consideração ao concordar que os modos de sensibilização devem evoluir na direção de causar os menores impactos à sociedade. Contudo, falar é fácil ... Imagino que seja uma tarefa árdua trazer à conversa alguém pre-disposto ao silêncio. A greve é um recurso radical a que membros de uma categoria recorrem quando o empregador se nega a dialogar/negociar. Ainda, simplesmente sessar uma greve sem aliviar as tensões poderia significar que todo o tempo de paralização foi em vão. E neste caso há grandes chances de uma outro no curto prazo. E quanto a greve ser coisa de fábrica, não entendi o ponto. Poderia argumentar mais sobre isso?
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