Alagoas é o estado mais violento do país; sua capital, a 3ª mais violenta do mundo

Foto: Railton Teixeira

Para o sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, “em Alagoas é assim: enquanto se mata um branco, 20 negros são ‘exterminados’"

30/08/2012

Railton Teixeira 

de Maceió

 

Alagoas ocupa a posição do estado mais violento do país e a sua capital a terceira mais violenta do mundo, segundo o último relatório da ONU. A causa desta violência, segundo o organizador do Mapa da Violência na America Latina, o sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, é a ausência do poder do Estado, enquanto instituição e não aparelho governamental.

O argentino Waiselfisz esteve em Alagoas na manhã quarta-feira (29) a convite da Comissão Especial de Inquéritos, que analisa as causas da violência na capital, da Câmara Municipal de Maceió.

Só este ano foram noticiados 1323 homicídios no Estado, sendo que 162 só neste mês de agosto, entre crimes violentos letais e intencionais, latrocínio e outros, segundo o contador de homicídios da agência de notícia Alagoas24horas.

Para o sociólogo, o que houve foi uma interiorização da violência que ao sair dos grandes centros urbanos chegou às cidades ditas pacíficas. “Vale ressaltar que pacífica para o Brasil, mas não para a América Latina, porque já houve uma institucionalização da violência no país.”

"O que houve na verdade foi uma mudança nos padrões, onde aqueles estados que eram violentos, consequentemente reduziram os seus números, embora aqueles que eram pacíficos triplicaram"., destacou Waiselfisz, ressaltando ainda que tudo isso graças ao despreparo e desnivelamento dos agentes de polícia.

Uma das causas desta “crescente onda de violência”, segundo Waiselfisz, é a impunidade e as alianças com o Estado que aliado com as greves das polícias ocorridas nas últimas décadas aparelhou as instituições criminosas.

Ainda segundo ele, o Mapa da Violência aponta também que os crimes contra a população negra cresceram assustadoramente. “Em Alagoas é assim: enquanto se mata um branco, 20 negros são ‘exterminados’ e este número só tende a crescer em 2013, principalmente envolvendo jovens e crianças”, alertou.

“Na verdade os maiores responsáveis são os aparelhos do Estado que não estão cumprindo com a sua função diante da realidade”, concluiu.

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