Médicos-legistas retomam greve
- Estado:
Atualmente, um profissional recebe R$ 2,6 mil, de acordo com o presidente do sindicato, Wellington Galvão, valor muito abaixo da média salarial na região Nordeste que chega a atingir R$ 9 mil
Railton Teixeira
de Maceió (AL)
A greve dos médicos-legistas de Alagoas – deflagrada em junho – foi retomada na manhã desta sexta-feira (21) e todos os serviços realizados no Instituto Médico Legal no Estado foram interrompidos por tempo indeterminado
O Sindicato dos Médicos do Estado afirma que a greve nunca teve fim e que desde junho a categoria aguarda o cumprimento do acordo firmado – um acréscimo de R$ 5 mil na folha salarial, responsável pelo retorno às atividades – mas que o secretário de Defesa Social vem colocando entraves na negociação.
Atualmente, um médico legista recebe R$ 2,6 mil, de acordo com o presidente do sindicato, Wellington Galvão, valor muito abaixo da média salarial na região Nordeste que chega a atingir R$ 9 mil.
“O secretário Dário César é inimigo do legista ao colocar em confronto direto o médico-legista e o perito criminal”, alfinetou.
"A greve nunca foi encerrada, apenas foi dada uma pausa, já que o Estado vem trabalhando no improviso e não avança nas melhorias das condições de trabalho do médico-legista, então, decidimos parar todas as atividades desenvolvidas no IML”, enfatizou.
De acordo com Galvão, além do recebimento abaixo da média na região, o legista também tem a dificuldade de desenvolver o seu trabalho, uma vez que estão há duas semanas dividindo o mesmo espaço com o Serviço de Verificação de Óbito (SVO), no bairro do Trapiche da Barra, em Maceió.
“Os corpos estão sendo enterrados em alto estado de decomposição, porque eles passam mais de dois dias para ser periciados. Por quê? Porque reduzimos o nosso horário de serviço e estamos trabalhamos apenas pelo turno da tarde, enquanto o SVO trabalha no turno da manhã. Esse imbróglio reduziu o trabalho dos dois órgãos”, explicou.
Além disso, Galvão também destaca que os servidores trabalham dobrado devido à carência de legistas, que segundo ele, não passam de 30 profissionais que desenvolvem as atividades enquanto esse número deveria ser o dobro.
“É devido a tudo isto que decidimos retornar a greve por tempo indeterminado. Agora o culpado é o secretário Dário César que não comparece as reuniões muito menos negocia com a categoria e se é alguém que tem que ser cobrado pela população é ele”, explicou.
Na última manifestação realizada pelos legistas, a população danificou todo o Instituto Médico Legal de Maceió, até então localizado no bairro do Prado, após esperar por mais de três dias pela liberação dos corpos.
A categoria irá se reunir com os magistrados do Tribunal de Justiça na próxima terça-feira (25) para discutir a legalidade da greve.


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