Projeto Arco do Futuro: na mira das críticas

Promessa de campanha, projeto Arco do Futuro provoca polêmicas

 

13/03/2013

 

Patrícia Benvenuti,

da Reportagem

 

Promessa de campanha do prefeito Fernando Haddad (PT), o projeto Arco do Futuro deverá ser o carro-chefe da Prefeitura de São Paulo nos próximos quatro anos. A obra prevê a reurbanização da cidade a partir da geografia dos rios que cortam a capital, com criação de empregos e moradias. O objetivo é reduzir o número de deslocamentos em direção às regiões centrais.

“O Arco [do Futuro] passa por grande oferta de emprego e baixa capacidade demográfica. É uma oportunidade fantástica de criar emprego e adensar uma área”, afirmou o secretário municipal de Desenvolvimento Urbano, Fernando de Mello Franco, durante um debate na Câmara Municipal sobre o Plano Diretor Estratégico de São Paulo.

O coordenador executivo da Rede Nossa São Paulo, Maurício Broinizi, porém, vê o projeto com cautela. “O Arco do Futuro, para ser realizado, vai precisar fazer parte do Plano Diretor. E nesse sentido, ele vai precisar ser discutido com profundidade no processo de construção do novo Plano”, diz.

Não são apenas as críticas de falta de participação popular que rondam o Arco do Futuro. Em 21 de fevereiro, o vereador Gilberto Natalini (PV) anunciou ter feito uma representação no Ministério Público para que seja investigado um comunicado de chamamento emitido pela Prefeitura no início de fevereiro. O documento convoca empresas a manifestarem interesse na elaboração e apresentação de estudos de transformação urbana do chamado Arco Tietê, que integra o Arco do Futuro.

 

Suspeita de favorecimento

Para Natalini, há indícios de que o documento privilegie a empreiteira Odebrecht. Em dezembro do ano passado, Haddad visitou as obras do projeto Porto Maravilha, no Rio de Janeiro, a convite da empresa, que já manifestou interesse em participar do projeto paulistano.

De acordo com o edital, o estudo tem que demonstrar a viabilidade do projeto de intervenção, já definido de antemão como uma parceria público-privada. As empresas terão 60 dias para apresentar um estudo de viabilidade.

“A publicação do edital pela prefeitura parece partir de uma manifestação clara de interesse por parte de uma empresa que já desenvolve um projeto semelhante em outra cidade”, afirmou em seu blog a relatora especial da Organização das Nações Unidas para o direito à moradia adequada, Raquel Rolnik. “E, cá pra nós, só quem faz um estudo de viabilidade em 60 dias é quem já está estudando a área ou tem estudo pronto, ou seja, a própria Odebrecht”, conclui.

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