A redução das tarifas continua sendo a pauta central dos protestos

Foto: Reprodução/Facebook MPL

O integrante do MPL, Caio Martins, explica que, em meio às demandas que surgiram durante as manifestações, o foco da luta continua sendo a revogação do aumento

17/06/2013

 

José Francisco Neto
da Redação

Integrantes do Movimento Passe Livre (MPL) participaram hoje (17) de uma coletiva de imprensa no Sindicato dos Jornalistas e de uma reunião com representantes da Secretaria de Segurança Pública do estado de São Paulo. No sindicato, entre os pontos discutidos, o movimento convocou, diante de 90 jornalistas, uma reunião com o prefeito Fernando Haddad (PT) para a próxima quarta-feira (18). Já com o governo estadual, o MPL afirmou que não irá divulgar o trajeto das próximas manifestações, entre elas, a que ocorre hoje, às 17 horas, no Largo da Batata, em Pinheiros (SP).

Em relação ao prefeito, o movimento disse que a reunião convocada por ele para essa terça-feira (18), juntamente com centenas de membros do Conselho da Cidade, não irá resolver o problema. De acordo com o MPL, este não será um espaço para negociar a redução do aumento da tarifa, por não se tratar de uma reunião deliberativa. 

Entretanto, tanto o prefeito quanto o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), deixaram claro que não irão aceitar a demanda do movimento de reduzir as tarifas do transporte público, que subiu de R$ 3,00 para R$3,20 no início do mês.

Em entrevista ao Brasil de Fato, o integrante do MPL Caio Martins explica como está a relação do movimento com os governos municipal e estadual. “De modo geral, eles receberam mal os protestos”, disse.

Caio ainda ressalta que a pauta central do movimento continua sendo a redução das tarifas e a melhoria do transporte público como um todo.

“A indignação com a repressão policial é uma indignação com a repressão contra a luta das tarifas. No centro de tudo isso estão os 0,20 centavos, que não deixam de ser a pauta única da unidade e a mobilização como um todo”, destaca.

Brasil de Fato - Qual a sua avaliação dos protestos até o momento?
 

Caio Martins - É um protesto muito diferente dos que já fizemos aqui em São Paulo. Parece novidade, mas chegou agora o que já vinha acontecendo em outras cidades do Brasil, que é essa revolta popular gerada por uma luta contra o aumento da passagem. 

É uma manifestação que para a gente é inédita, com esse clima de revolta popular contra o aumento. É uma mobilização muito forte na rua. O Passe Livre é o menor dono disso, e ele não tem controle sobre o que está acontecendo. Na verdade, o que acontece hoje é uma manifestação massiva, ampla e popular.

Em todos os anos que ocorre o aumento das tarifas, o MPL organiza protestos em todo o Brasil. E sua opinião, neste ano o que levou a luta a expandir dessa forma, com cada vez mais pessoas aderindo às manifestações?

De certa forma, a gente sempre planeja isso. Esse ano deu certo. Acho que existe uma disposição maior das pessoas para a luta, no sentido de que, nos últimos dez anos, houve uma revolta ao redor do Brasil e em São Paulo não tinha acontecido desse jeito ainda. Entrou no imaginário das pessoas. Houve um forte aumento dos movimentos de rua. 

Primeiro, é uma mudança no imaginário. Segundo, é a situação do transporte. Falar da situação do transporte significa falar da situação da cidade. O transporte é um elemento marcante, fundamental. 
Enfim, o prefeito não aumentou acima da inflação, mas devemos ter consciência de que todo o aumento é injusto. Não tanto só a questão da inflação, mas a ideia de aumentar a tarifa é um absurdo. 

O que mudou no tratamento recebido em relação à administração anterior, de Gilberto Kassab (PSD), e agora com o Haddad?


Eu achava que ia ser diferente. Mas em vários sentidos está sendo bem parecido. A prefeitura falou que procurou a gente antes, mas a disposição da prefeitura para negociar tem sido muito pequena. De modo geral, eles receberam mal os protestos. No primeiro momento parecia diferente. O Haddad falou com a presidência da República sobre baixar os impostos para baixar a tarifa, mas ele mudou de postura. Ele tem uma postura agora quase intransigente de que não vai baixar a tarifa, e eu acredito que ele poderia ter tido mais diálogo do que está tendo. 

Outra característica é que não tem apenas uma bandeira de um partido específico nestes protestos. Você acha que isso também influenciou as pessoas a acreditarem que não se trata de um movimento político-partidário, e por isso elas estão mais confiantes?

De fato, não é um movimento que cabe dentro de nenhum grupo, nem do MPL. As pessoas é que assimilam o controle da luta.

Além dos 20 centavos, quais são as outras motivações que vêm mobilizando as pessoas?

O que pesa é que falar do transporte é falar da cidade inteira: o transporte de maneira geral, a organização da cidade e a indignação com a repressão policial. No entanto, não deixa de serem os 20 centavos que estão no centro de tudo isso. A indignação com a repressão policial é uma indignação com a repressão contra a luta das tarifas. 

No centro de tudo isso estão os 20 centavos, que não deixam de ser a pauta única da mobilização como um todo. A pauta central permanece sendo  os 20 centavos. 

Supondo que a tarifa seja reduzida, você acredita que os protestos vão parar?

Pelo menos os protestos contra o aumento vão parar. Porém, durante a última semana a gente viu uma galera que quer lutar. Isso para a gente é algo relativamente novo. 

Tanto representantes do PSDB quanto do PT, nos dois primeiros dias de protesto, chegaram a afirmar que se trata de um bando de vândalos, e que não aceitariam esses tipos de manifestações. Depois do 3º e do 4º protesto resolveram dialogar com o movimento. O que aconteceu, na opinião do MPL, para eles mudarem de postura?

Um diálogo entre aspas. O que se revelou mesmo é o fato de eles estarem querendo isolar [a demanda], e isso rebelou uma mobilização com um grande apoio popular, com vários setores da sociedade e que só tem ganhado apoio.

O momento está diferente. Não sei como o Kassab se daria com um movimento como esse. O Haddad ta lidando com uma coisa que na verdade é nova. 

Mas você acha que ele poderia ter tomado uma atitude antes para ter evitado males maiores?

No mínimo ele poderia revogar o aumento, mas está tendo um desgaste que não precisaria. Ele já falou o quanto custa [o financiamento], mas independente de quanto seja, é muito pouco para a prefeitura. Ela tem um orçamento de 43 bilhões. É 1% do orçamento quase. Um pouco mais. Ele tem dinheiro para isso, não precisaria sofrer esse desgaste. Ele poderia revogar o aumento. 

O Governo do Estado descartou a Tropa de Choque hoje na manifestação. Isso traz mais tranquilidade para o movimento e para as pessoas, visto que a Tropa de Choque reprimiu com violência os manifestantes nos últimos atos? 

A gente espera que não haja infiltrados também, porque você tira a polícia e põe a polícia à paisana para quebrar as coisas.

Comentários

... meu PROTESTO é contra o

... meu PROTESTO é contra o aumento indiscriminado de preços. Vejam nas gondolas dos supermercados. Nao ha nenhuma justificativa para tanto. Sebaixaram os preços das tarifas de onibus, que tal se nos voltassemos contra as grandes redes de supermercados? A inflaçao baixaria...com certeza.

Transporte público não deve gerar lucro

Duas coisas que, no meu entendimento devem ser colocadas na pauta, em relação ao transporte público. Primeiro, é que ele não deve gerar lucro, ou seja ,não deve ser um transporte feito por empresas privadas. Segundo o transporte deve voltar a ser feito por empresas públicas sob controle social.  O direito à cidade não existe se as pessoas não podem se locomover nela. Empresas públicas sob controle social, passagens baratas e acessíveis e gratuidade são assuntos que deverão estar nas futuras agendas sobre as cidade que queremos viver.

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