Em meio a protestos, passagem de ônibus sobe para R$ 3 no Rio de Janeiro

Pablo Vergara

 Tarifa vai entrar em vigor no dia 8 de fevereiro

30/01/2014

Vivian Virissimo,

do Rio de Janeiro (RJ)

Além de filas gigantescas nos terminais, superlotação e falta de ar-condicionado, os usuários de ônibus do Rio terão que arcar com mais um prejuízo: o preço da passagem vai aumentar para R$3. O novo valor cobrado pelas empresas foi definido pelo prefeito Eduardo Paes (PMDB) e a decisão será publicada no Diário Oficial desta quinta-feira (30). Como o Ministério Público (MP) exige um prazo de 10 dias para a nova tarifa entrar em vigor, o aumento está previsto para o dia 8 de fevereiro, um sábado.

A definição acontece um dia após o Tribunal de Contas do Município (TCM) autorizar o reajuste. Segundo o órgão, não conceder aumento colocaria “em risco” a continuidade dos serviços. Apesar da autorização, o TCM admite não possuir dados precisos sobre empresas de ônibus e que as informações fornecidas pelas empresas, em auditoria realizada pelo órgão, não podem ser consideradas “confiáveis”.

Para obter informações mais concretas sobre os lucros das empresas de ônibus, os vereadores da Câmara do Rio instalaram a CPI dos Ônibus no ano passado. Porém, a presidência e a relatoria da comissão ficaram com vereadores do PMDB, mesmo partido do prefeito. Por não garantir “proporcionalidade” dos partidos, a justiça suspendeu os trabalhos da CPI.

“O objetivo era tentar abrir a ‘caixa preta’, que é essa relação promíscua entre o poder público e as empresas de ônibus. Quem define a política de transporte do Rio é a Fetranspor. Eles fazem o que querem”, afirma Eliomar Coelho (PSOL), vereador que propôs a CPI. Ele criticou o aumento determinado pelo prefeito Eduardo Paes. “A prefeitura está assinando, mais uma vez, um cheque em branco para as empresas de ônibus. Vamos avaliar medidas cabíveis junto ao MP e ao Judiciário. Temos que cobrar as responsabilidades da prefeitura”, completou Coelho.

Na semana passada, o governador Sérgio Cabral publicou um decreto no Diário Oficial concedendo desconto de 50% no Imposto Sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) para empresas de ônibus. Segundo a Secretaria de Transportes, a renúncia fiscal é de R$36 milhões.

Manifestações em 2013

Desde que o serviço de ônibus foi privatizado no Rio, o reajuste das tarifas acontece uma vez por ano, sempre no primeiro dia útil. A situação só foi diferente no ano passado em função das grandes manifestações contra o aumento da passagem de R$ 2,75 para R$ 2,95. Essa foi a primeira vez que o governo foi obrigado a recuar da decisão, voltando a tarifa para os atuais R$ 2,75.

“Não foi por só vinte centavos! A população foi à rua mostrar sua insatisfação com a capacidade política dos governantes em gerir o estado sem pensar no povo. Em junho foi assim, e em 2014 será maior, continuamos insatisfeitos com as empresas de transporte e seu desrespeito diário aos usuários e usuárias. Preços abusivos e transportes precários são, sem dúvida, um calculo que não bate”, falou Dieymes Pechincha, militante do Levante Popular da Juventude.

Ato do MPL

Cerca de quinhentos manifestantes se concentraram na Candelária – região central do Rio de Janeiro – na tarde da última terça-feira (28). O protesto, organizado pelo Movimento Passe Livre (MPL), era contra o aumento das passagens das linhas intermunicipais e dos trens, além de pressionar contra a intenção da Prefeitura de aumentar as passagens das linhas municipais.

Manifestantes de diversos coletivos também participaram do ato gritando palavras de ordem como “hoje é de graça” e “ei FIFA, paga minha tarifa”. A polícia tentou impedir que os manifestantes chegassem até à Central do Brasil, mas, por volta das 19 horas, o ato invadiu o saguão central da estação. Muitos pulavam ou passavam por baixo da catraca.

Nova manifestação

Onde: Candelária

Quando: 6 de fevereiro

Horário: 17 horas

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