É preciso derrotar Serra

A candidatura do demotucano José Serra surpreendeu não por sua identificação com as políticas neoliberais, e sim pelo baixo nível de sua campanha


13/10/2010




Editorial ed. 398



No início do processo eleitoral deste ano, um conjunto de forças populares e movimentos sociais decidiram empenhar esforços para eleger o maior número possível de parlamentares e governadores identificados com as bandeiras da classe trabalhadora. E, nesse cenário, sobre o pleito presidencial, a unidade se deu em torno da luta para evitar um retrocesso ao país. Ou seja, não permitir a vitória da proposta neoliberal, representada na candidatura do tucano José Serra. Assim, passado o primeiro turno, realizado no dia 3 de outubro, é importante fazer uma avaliação do que significou esse processo. Até porque a expectativa era de vitória da candidata Dilma Rousseff no primeiro turno.

Importantes avanços

São boas as renovações que ocorreram nas assembleias estaduais, na Câmara dos Deputados, no Senado Federal, na eleição e reeleição de governadores progressistas. Nesse sentido, destacamos a vitória do povo gaúcho, que derrotou o mandato tucano de Yeda Crusius. Candidata à reeleição ao governo do Rio Grande do Sul, Yeda se notabilizou no controle da mídia, na criminalização dos movimentos sociais e na repressão à luta dos trabalhadores.

Campanha presidencial

É importante ressaltar que, nesta a campanha presidencial, os graves problemas do povo ficaram ausente do processo. Evidenciou-se que a falta de debates em torno de projetos políticos e dos problemas principais que afetam a população brasileira. Assim, a campanha de Dilma Rousseff buscou apenas divulgar o desenvolvimento econômico e as políticas sociais do governo Lula e apoiar-se na popularidade do atual presidente. Com essa estratégia, obteve quase 47% dos votos, mas insuficientes para vencer no primeiro turno.

A candidatura do demotucano José Serra surpreendeu não por sua identificação com as políticas neoliberais, e sim pelo baixo nível de sua campanha. Foi agressivo, tentou interferir em julgamentos do Supremo Tribunal Federal (STF), espalhou mentiras e acusações infundadas. Independente de qualquer outro resultado, a biografia do candidato já é a maior derrotada nessas eleições.

Já as candidaturas identificadas com os partidos de esquerda, que utilizaram o espaço eleitoral para defender os interesses da classe trabalhadora, infelizmente tiveram uma votação baixa.

Outro elemento importante neste atual quadro é o descenso social de duas décadas em nosso país. A fragmentação das organizações da classe trabalhadora e a fragilidade da política de comunicação com a sociedade também influíram no resultado eleitoral.

Assim, as eleições deste ano demonstraram o poder nefasto e antidemocrático da mídia. Mas, por outro lado, potencializaram uma rede de comunicadores independentes, comprometidos com a liberdade de expressão, que enfrentaram o monopólio dos meios de comunicação. São avanços importantes rumo à democratização da informação e pelo controle social sobre meios de comunicação em nosso país.

Segundo turno

No dia 31, o povo brasileiro terá de fazer sua escolha. De um lado, o demotucano José Serra. E, como já dissemos aqui neste espaço, atrás da candidatura Serra estão as forças do capital mais atrasadas e subservientes ao império estadunidense, os grandes bancos, a grande indústria paulista, o latifúndio atrasado de Kátia Abreu e o agronegócio "moderno" do etanol. Seu programa é um só: a volta do mercado, benefícios para as empresas e a repressão para conter as demandas sociais. Seria a prioridade no programa dos PPPs já aplicado em São Paulo: privatizações, pedágios e presídios.

De outro lado, a candidatura de Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores (PT). Também como já dissemos, a candidatura Dilma representa continuidade do governo Lula e tem forças sociais entre a burguesia (temerosa da reação das massas), setores da classe média que melhoraram de vida e amplos setores da classe trabalhadora. Praticamente todas as forças populares organizadas têm sua base social apoiando a candidata petista.

Assim, o conjunto das forças populares e movimentos sociais, que mantêm o compromisso de defesa das bandeiras de lutas da classe trabalhadora e da construção de um país democrático, socialmente justo e soberano, defendem a candidatura de Dilma. Mas manterá a autonomia de luta independente do governo eleito.

Infelizmente, os avanços do governo Lula em direção às bandeiras democrático-populares foram insuficientes, em que pese o acerto de sua política externa. Também preocupa constatar que, no arco de alianças da candidatura de Dilma Rousseff, há forças políticas que se contrapõem a essas demandas sociais.

Porém, fica uma certeza: José Serra, por sua campanha, pelo seu governo em São Paulo e pelos oito anos de governo FHC, tornou-se inimigo da classe trabalhadora e das nossas bandeiras de lutas. Pelo caráter anti-democrático e anti-popular dos partidos que compõem sua aliança e por sua personalidade autoritária, uma possível vitória sua significará um retrocesso para os movimentos sociais e populares em nosso país. Além disso, uma eventual vitória do demotucano será um retrocesso para as conquistas democráticas em nosso continente e representará uma maior subordinação aos interesses do império estadunidense.

Evitar o retrocesso

Por isso, frente a esse cenário, as forças populares e os movimentos sociais da Via Campesina declaram seu apoio e compromisso de lutar para eleger a candidata Dilma Rousseff. E o Brasil de Fato soma-se a essas organizações no sentido de derrotar o demotucano Serra e tudo o que sua candidatura representa. Ou seja, é preciso derrotar a candidatura Serra, pois ela representa as forças direitistas e fascistas do país.

Mas alertamos. É importante seguir organizando o povo para que lute por seus direitos e mudanças sociais profundas, mantendo a autonomia frente aos governos.

Comentários

Medievalismo vs Iluminismo

A intelectualidade de nosso Brasil apoia em peso a candidatura de Dilma Rousseff.

Não há dúvidas quais forças estão atrás de cada candidato.

Dilma é sinônimo de progresso, avanço, independência!

Serra é o retrocesso, é nos lançar ao abismo da subserviência!

Não deixemos os vendilhões da pátria avançarem!

Dilma Rousseff Presidenta do Brasil!

Ivan

Inimigo da classe trabalhadora?

José Serra, inimigo da classe trabalhadora? E o que dizer de Dilma Rousseff?

O que o editorialista sabe sobre classe trabalhadora?

Transparecendo tanta preguiça intelectual ao redigir um texto tão aquém do esperado por um 'formador de opinião de esquerda', tem-se a percepção nítida, ao terminar a leitura dessa sequência de interpretações preconceituosas e mal intencionada, que o ilustre redator se contradiz ao dar-se ao trabalho de transmitir um mínimo de veracidade em seus escritos.

É uma lástima que 'movimentos sociais' (nutridos pelo dinheiro do contribuinte trabalhador de fato) e 'conspiração de direita neoliberal' (tão tupiniquinamente inoperante e corrupta quanto insignificante no cenário político nacional) ainda sejam o principal conceito catalisador da argumentação pelega e terceiro-mundista dos 'debatedores' 'esclarecidos' da mídia--tanto radio-televisiva quanto escrita, tal qual está demonstrado nesse editorial linguistica, argumentativa e etica e politicamente equivocado.

"A verdade" que aqui se tenta disseminar não se sustentaria diante de um mínimo de bom senso crítico de qualquer brasileiro comum desprovido desses preconceitos emburrecedores reciclados ora pelos 'esquerdistas' ora pelos 'direitistas' que sentam-se em frente ao pc embriagados por ideologias e interesses financeiramente motivados bem como desfaçatez suficiente para se auto intitularem 'defensores da classe trabalhadora'.

A História não cansa de mostrar-lhes que suas palavras e ideias tendenciosas jamais são capazes de mudar relevantemente o curso dos fatos moldantes de nosso destino como nação. Ecoam o que de pior assimilam de 'pensadores' retrógrados e tentam enfiar goela abaixo da população--mantida em sua maioria deseducada e acrítica (por 8 anos tucanos e 8 anos petistas--com o agravante de que esses últimos, na figura de seu maior líder, apregoa uma superioridade do 'homo ignorantis'!).

É admirável a resiliência da classe de fato trabalhadora diante de tanta sabotagem política perpetrada tanto por 'direitistas' quanto pelos 'esquerdistas'. Enquanto mãos, braços e mentes honestas se esforçam para levar este país adiante e melhorá-lo de fato, mãos, braços e mentes egoístas, medíocres, mesquinhos, dedicam suas vidas a propagar ideias contra-producentes quanto as expostas nesse editorial.

Meus senhores, quanta desfaçatez!

 

 

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