Cinema chileno dos festivais para as salas brasileiras

Recentemente, o Chile emplacou filmes nos festivais de Cannes, Veneza e San Sebastián, três importantes vitrines internacionais

19/12/2011

 

Camila Moraes

 

“Festivais têm suas modas. Às vezes, é o momento dos filmes argentinos e, outras vezes, dos chilenos, como agora”. O diagnóstico de Sergio Wolf, diretor do maior festival de cinema da Argentina, o Bafici, retrata bem como a cinematografia chilena tem ganhado espaço mundo afora.

Recentemente, o Chile emplacou filmes nos festivais de Cannes, Veneza e San Sebastián, três importantes vitrines internacionais. E levou o troféu de melhor filme hispano-americano do último Goya, o Oscar espanhol, com La vida de los peces, o último trabalho de Matías Bize – por sinal, um dos cineastas chilenos mais premiados Cinema chileno dos festivais para as salas brasileiras até hoje, com apenas 31 anos. É provavelmente graças a essa injeção de credibilidade que mais produções chilenas andam circulando também no circuito comercial. É o caso, por exemplo, de Ilusões óticas, o segundo longa-metragem de Cristián Jiménez, que entrou em cartaz em São Paulo em 23 de setembro, depois de passar pelo Rio de Janeiro e por Florianópolis.

 

Des-ilusão

Lançado em 2009 e com passagem pelo Festival do Rio em 2010 (além de vários outros festivais importantes, como San Sebastián e Biarritz), o filme combina as trajetórias de diferentes personagens, todos apáticos, desiludidos e cinzas como é Valdivia, a cidade onde vivem.

A história começa com um cego que acaba de passar por uma cirurgia e, com isso, recuperou parcialmente a visão. Ele fará a publicidade da empresa de saúde onde trabalha um funcionário competente e fiel, que se vê obrigado a lidar com um bizarro “departamento de outplacement” (onde passa os dias lidando com a iminência de ser efetivamente mandado embora).

Na empresa, uma secretária decide melhorar sua sorte com os homens colocando silicone nos seios e descobre, depois de despertar da cirurgia mal-sucedida, que havia, sim, público interessado em seu pouco peito. Seu irmão, um segurança de shopping recém-contratado, conhece finalmente a paixão ao topar-se com uma mulher rica, porém, cleptomaníaca, mas a relação acaba depois de poucos encontros.

Tudo é parcial em Ilusões óticas. Como na turba visão do ex-cego, a vida se apresenta com promessas que logo se revelam difíceis de cumprir. Aí está a força da história, que desperta no espectador a compaixão desses momentos tão reconhecíveis de frustração (ainda que, às vezes, um certo ritmo desacelerado o faça olhar além da tela).

Cristián Jiménez, o diretor, teve seu terceiro longa, Bonsai, selecionado para o último Festival de Cannes, em maio. Segundo Priscila Miranda do Rosário, responsável pela distribuição do longa, fatores como esse definitivamente aumentam a chance de sucesso de um filme.

Mas ela reconhece que o aval dos festivais não basta: “É uma história com potencial de público, pela variedade de personagens. Escutei elogios de pessoas mais velhas, mais novas e de diferentes classes sociais”. A palavra final, no fim das contas, vem sempre do público. (Opera Mundi)

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