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Da redação
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Raquel Rolnik
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Dora Martins
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Editorial ed. 468
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Vale vence prêmio de pior empresa do mundo
“Nobel” da vergonha será entregue no Fórum Econômico Mundial, na cidade suíça de Davos
27/01/2011
da Redação
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| Carajás: trens da Vale atropelam em média uma pessoa por mês - Foto: Movimento Xingu Vivo |
Após 21 dias de acirrada disputa, a mineradora brasileira Vale foi eleita, nesta quinta, 26, a pior corporação do mundo no Public Eye Awards, conhecido como o “Nobel” da vergonha corporativa mundial. Criado em 2000, o Public Eye é concedido anualmente à empresa vencedora, escolhida por voto popular em função de problemas ambientais, sociais e trabalhistas, durante o Fórum Econômico Mundial, na cidade suíça de Davos.
Este ano, a Vale concorreu com as empresas Barclays, Freeport, Samsung, Syngenta e Tepco. Nos últimos dias da votação, a Vale e a japonesa Tepco, responsável pelo desastre nuclear de Fukushima, se revesaram no primeiro lugar da disputa, vencida com 25.041 votos pela mineradora brasileira.
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| Moçambique: Vale expulsa 760 famílias em área de mineração - Foto: Movimento Xingu Vivo |
De acordo com as entidades que indicaram a Vale para o Public Eye Award 2012 – a Articulação Internacional dos Atingidos pela Vale (International Network of People Affected by Vale), representada pela organização brasileira Rede Justiça nos Trilhos, e as ONGs Amazon Watch e International Rivers, parceiras do Movimento Xingu Vivo para Sempre, que luta contra a usina de Belo Monte -, o fato de a Vale ser uma multinacional presente em 38 países e com impactos espalhados pelo mundo, ampliou o número de votantes. Já para os organizadores do prêmio, Greenpeace Suíça e Declaração de Berna, a entrada da empresa, em meados de 2010, no Consórcio Norte Energia SA, empreendimento responsável pela construção de Belo Monte, foi um fator determinante para a sua inclusão na lista das seis finalistas do Public Eye deste ano.
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| Canadá: Operários da Vale fazem a maior greve da história do país por melhores condições de trabalho - Foto: Movimento Xingu Vivo |
A vitória da Vale foi comemorada no Brasil por dezenas de organizações que atuam em regiões afetadas pela Vale. “Para as milhares de pessoas, no Brasil e no mundo, que sofrem com os desmandos desta multinacional, que foram desalojadas, perderam casas e terras, que tiveram amigos e parentes mortos nos trilhos da ferrovia Carajás, que sofreram perseguição política, que foram ameaçadas por capangas e pistoleiros, que ficaram doentes, tiveram filhos e filhas explorados/as, foram demitidas, sofrem com péssimas condições de trabalho e remuneração, e tantos outros impactos, conceder à Vale o titulo de pior corporação do mundo é muito mais que vencer um premio. É a chance de expor aos olhos do planeta seus sofrimentos, e trazer centenas de novos atores e forças para a luta pelos seus direitos e contra os desmandos cometidos pela empresa”, afirmaram as entidades que encabeçaram a campanha contra a mineradora. Em um hotsite (http://xinguvivo.org.br/votevale/) criado para divulgar a candidatura da Vale, forma listados alguns dos principais problemas de empreendimentos da empresa no Brasil e no exterior.










Comentários
Atuação da Vale vai contra a preservação de área ambiental em MG
No Brasil, a Vale, que acaba de receber o prêmio de Pior Empresa do Mundo em 2011, é responsável por uma série de danos ambientais à paisagem local. As grandes operações de mineração de ferro a céu aberto (a maioria delas no Estado de Minas Gerais) já destruíram uma grande parte de um importante eco- e geo-sistema, os campos rupestres ferruginosos, que cobrem a maioria das reservas ferríferas. A explotação destes recursos tem dizimado a biodiversidade local, afetado o fornecimento de água em algumas cidades e impactado significativamente a paisagem, compromentendo o grande potencial de desenvolvimento econômico regional através de atividades ligadas ao turismo.
Um das últimas áreas naturais significativamente preservadas de Minas Gerais, a Serra do Gandarela, está agora ameaçada por um dos maiores projetos da Vale, o complexo de minas Apolo. Na mesma área o órgão federal de proteção ambiental - ICMBio - propõe a criação de um Parque Nacional para proteger os últimos remanescentes da biodiversidade destes campos ferruginosos e garantir a proteção dos vastos recursos hídricos da região. A pressão da companhia sobre os órgãos ambientais e econômicos locais para garantir o licenciamento de seus projetos, entretanto, tem sido intensa, contrariando muitos dos interesses da comunidade, e o futuro do parque está ainda incerto.
Saibam mais em www.aguasdogandarela.org