Notas sobre o terceiro dia do Fórum Social Temático

Terceiro dia de atividades é marcado por aproximação entre o campo sindical e os temas referentes à Rio+20

 27/01/2012

Pedro Carrano,
Porto Alegre (RS)

do Fórum Social Temático


O 26 de janeiro, terceiro dia de atividades do Fórum Social Temático, contou com a presença da presidenta Dilma Rousseff, que falou na conferência “Diálogos entre sociedade civil e governos”, no Ginásio Gigantinho. Dentro do temário preparatório para a Rio+20, Dilma afirmou que o Brasil vem cumprindo os compromissos internacionais de redução da emissão de CO2, além de adotar o conceito de “economia sustentável”.

Foto: Site do Fórum Social Temático

Acompanhada do governador do estado, Tarso Genro, e de Pablo Solón, embaixador de Bolívia nas Nações Unidas, a presidenta posicionou-se em favor da criação de um Estado Palestino soberano; afirmou uma geopolítica multipolar e a favor do desarmamento, em época em que, contra a voz dos mercados, “a voz das ruas é cada vez maior”, ressaltou. Criticou as atuais medidas econômicas adotadas na Europa sob pressão de grupos financeiros e agências de classificação de risco.

Antes disso, falou Carmen Foro, secretária de meio-ambiente da CUT, quem apontou problemas que ainda devem ser enfrentados pelo atual governo, entre os quais as desigualdades sociais, o tema dos agrotóxicos, e contra o trabalho escravo, entre outros.

Trabalho Decente pautado na Rio+20

Centrais sindicais afirmam que direitos dos trabalhadores estão ligados à necessidade de desenvolvimento sustentável

Desde 1992, é evidente a incapacidade de Estados nacionais em promover a tão propagada agenda de desenvolvimento sustentável, analisa o coordenador técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio. “A desigualdade é um problema estrutural nos países. Há hoje no mundo um bilhão de pessoas passando fome, e desigualdades em países da Europa e EUA, que haviam tentado enfrentar esse problema”, enumera.

Passados vinte anos desde a Rio 92, hoje as centrais sindicais regularizadas, CUT, CTB, UGT, CGTB, Força Sindical e Nova Central Sindical, ao lado de organizações sindicais de México, Argentina e Paraguai, colocam em questão a necessidade de incidir na Rio+20 a partir do temário do “Trabalho Decente”. Em tese, significa não desvincular as questões do mundo do trabalho de outros problemas que fazem parte da vida dos trabalhadores, tal como moradia e saúde. O ambiente de trabalho, a saúde do trabalhador e as condições em que se dá a produção também são importantes nesse debate. “Trabalho decente não existe sem desenvolvimento sustentável”, foi a palavra de ordem enfatizada ao longo do debate, realizado na Assembleia Legislativa de Porto Alegre.

O documento inicial apresentado pela ONU como texto-base para a Rio+20 é considerado pelas diferentes centrais sindicais como, no mínimo, ruim. “É bastante precário. A produção dos trabalhadores é voltada para a sustentabilidade? Como pensar a produção?”, disse o representante da União Geral dos Trabalhadores (UGT). Colocar o debate do Mundo do Trabalho dentro de uma política de desenvolvimento sustentável, inserindo direitos dos trabalhadores – caso da Reforma Agrária para os trabalhadores do campo – é a uma necessidade, de acordo com Rosane Bertotti, secretária de comunicação da CUT.

Dentre os apontamentos do movimento sindical para a Rio+20:

- Necessidade de articulação entre as centrais sindicais;

- Participação do movimento sindical na Conferência;

- Bloco de reuniões entre as centrais até a Rio +20;

- Elaboração de um documento das centrais sindicais latino-americanas, além de carta assinada pelas centrais brasileiras;

Água, arma do domínio de Israel

O Estado de Israel se expande e controla a água em território Palestino, uma tática de opressão sobre esse povo. “É uma arma para eles. Expandem as fronteiras com o objetivo da água. Há rios que não existem mais, que não chegam ao Mar Morto. Na Cisjordânia, 90% da água foi roubada por Israel”, denuncia a ativista Maren Mantiovani, da organização “Stop The Wall”. Essa condição faz com que até 70% da população de Gaza fique sem água potável e cerca de 8 mil tanques de água residenciais tenham sido destruídos pelo exército de Israel.

A Organização das Nações Unidas (ONU) não fez nada quando recebeu denúncias sobre o tema. A responsável por esta situação é a empresa estatal de água israelense, que pratica o que Maren denomina de “apartheid da água” na Palestina, ao cobrar um preço mais alto aos palestinos em comparação com o preço cobrado dos colonos israelenses.

O Brasil, apesar disso, mantém uma relação política com Israel nesse ramo das águas e irrigação, critica Maren. “Para as empresas israelenses o Brasil não é considerado um mercado. O Brasil é considerado ‘o’ mercado. O Ministério de Integração Nacional foi a Israel estudar um plano de integração e irrigação, plano que quer resolver o problema das regiões semi-áridas com o apoio de Israel”, criticou, em debate sobre mudanças climáticas e mercantilização da água, organizado pela CUT.

Consequências do petróleo

A exploração de poços de petróleo recém-descobertos, na cidade de Angra dos Reis (RJ), preocupa ativistas e sindicalistas, receosos de que a cidade se transforme em “uma nova Macaé” – cidade no estado que recebe grandes quantias de royalties, porém apresenta desigualdades sociais. Essa foi uma das questões levantadas durante debate organizado pelo Sindipetro-RJ, no marco da “Campanha O Petróleo Tem que Ser Nosso”. As intervenções dos participantes também apontaram os novos impactos da exploração de petróleo no estado do Amapá; além do crescimento dos projetos de exploração ligados ao mega-empresário Eike Batista.


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