De sujeitos e relações sociais

A coerência entre o que falamos e vivemos é sempre o nosso maior trunfo para sermos respeitados diante dos demais 

 

23/02/2011

Nei Alberto Pies


“O maior capital deste mundo: as palavras e o conteúdo delas. As palavras são e formam conhecimentos que nos permitem manter, respeitar e transformar este mundo”. (Fabio Savatin) 

Avançamos muito na qualificação de nossas relações sociais e interpessoais. Aprendemos, com muito esforço e dedicação, a nos relacionar de forma mais democrática e mais dialógica, mas ainda convivemos com práticas que tentam impedir que, de forma autêntica e autônoma, as pessoas possam decidir, falar e viver a partir de suas escolhas, de suas possibilidades de autodeterminação. Por isso mesmo, ainda temos muito a aprender na perspectiva do respeito e consideração de uns para com os outros, tendo em vista uma sociedade mais democrática. Como sujeitos sociais, vamos fazendo parte do mundo, pelas relações de autonomia e interdependência. 

O nosso maior capital social são as palavras. As palavras expressam a nossa forma de ver, crer, encarar e viver a vida pessoal, como também a vida comunitária. Como sempre expressam conceitos, as palavras precisam de vigilância social para que não reforcem preconceitos ou ideários que não colaboram com a qualidade da vida social que queremos ou desejamos. Porque vivemos em permanente conflito e tensão pela hegemonia das ideias, sempre corremos riscos com as armadilhas da instrumentalização, como escreve Rosa Clara Franzoi, em artigo Decidir com Liberdade (Rev. Missões, Ano XXXIX, Jan/Fev 2012): “Hoje o ser humano é incrivelmente instrumentalizado. A pessoa é usada e levada a agir com a cabeça dos outros. Na instrumentalização a pessoa é vista como peça que se descarta quando perde a utilidade. Se isto acontece com todos, as maiores vítimas são os jovens”. 

A coerência entre o que falamos e vivemos é sempre o nosso maior trunfo para sermos respeitados diante dos demais. Manter a coerência é um dos maiores desafios da vida social, diante das inúmeras situações que estão sempre a nos exigir posicionamentos, por vezes em situações muito adversas. Por isso mesmo, quanto maior for a nossa incidência na vida social, seja como líderes ou representantes de categorias ou instituições ou como representantes eleitos, mais seremos observados e cobrados pelo exercício da coerência. Aqueles ou aquelas que não compreenderem esta condição terão muitas dificuldades em exercer liderança. 

Para ser sujeito social precisamos de uma condição essencial: a liberdade de comunicar. Por isso mesmo, a comunicação precisa ser democratizada em todos os sentidos, meios e possibilidades, sobretudo para aqueles e aquelas que não tem voz, portanto, impedidos de falar. Não há razões para temer os que de forma autêntica e autônoma, decidem falar e viver a partir de suas escolhas, de suas possibilidades de autodeterminação. 
Todos nós, ao tornarmos nossos posicionamentos públicos, assumimos o risco de sermos cobrados pela nossa coerência. Todos nós, ao respeitarmos as ideias e ideários dos outros, estaremos colaborando para a sua emancipação pessoal e social. Todos nós, ao confrontarmo-nos com os diferentes pensamentos, estamos aperfeiçoando a nossa condição de sujeito social. Cada um, a seu modo e a seu tempo, deve ter a oportunidade de se dizer e, ao se dizer, ter a oportunidade de viver de forma autêntica, autônoma e cidadã. 

 

Nei Alberto Pies é professor e ativista de direitos humanos, pies.neialberto@gmail.com

Comentários

relaçóes sociais

As relações sociais resultariam, na visão de Marx, permanentemente em "luta de classes", como ocorrreu da bueguesia contra a aristocracia, cujo exemplo maior é a revolução francesa que levou à guilhotina Luiz XVI e sua esposa Maria Antonieta. Não nos esqueçamos que a revolução francesa nasceu sob o dístico da "Liberté, Egualité, Fraternité" e todos sabem no que a revolução burguesa resultou: a exploração da Classe operária. A revolução burguesa só foi um marco da garantia da cidadania e do direito civil, saúde, educação, direito ao voto. MMesmo assim durante s´rculos, e não existe até hoje na maior parte dos países do mundo, onde as mulheres não votam,por ex., existe a discriminação étnica, e sequer existe o reconhecimento étnico, como é o caso dos bascos e palestinos. No caso da Revolução proletária contra a burguesia,se olharmos p/ a história, vemos que nos países ditos "comunistas" o único dirigente de origem proletária que chegou a dirigente da nação foi Nikita Kruschev, no auge da Guerra fria, que provocou o início do fim do sistema.O único rxemplo fora do sistrma é agora o camarada Lula, ex-sindicalista, que produziu um dos governos mais corruptos da História do Brasil. É só olhar os números, ministério a ministério, orçamentos a orçamentos, ano a ano. Só não enxerga quem não quer, ou é apazinuado ou beneficiário da corrupção.Até Correios e bombeiros, tidos por todos como atividade limpa, entraram nessa.

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