A privatização da CESP lesa o interesse público
Serra é tão privatista que impede a Cemig, companhia elétrica de um estado governado por Aécio Neves, do mesmo partido, de participar do leilão
13/03/2008
Deputado Ivan Valente (PSOL-SP)
Em duas semanas, o governo de São Paulo poderá liquidar um patrimônio público construído por décadas pelo povo paulista. Trata-se da privatização da Cesp (Companhia de Energia de São Paulo), cujo edital publicado há poucas semanas prevê sua venda e estipula o lance mínimo de R$ 6,6 bilhões . Cinco empresas já apresentaram documentos para participar do leilão. Quatro são estrangeiras e uma brasileira. Pelo edital, é proibida a participação de estatais do setor elétrico no leilão.
A CESP é a maior geradora de energia elétrica de São Paulo e responde por 15% da produção do país, com 7.456 MW de potência instalada. A companhia possui cinco hidrelétricas: Ilha Solteira e Paraibuna nos municípios do mesmo nome, “Engenheiro Souza Dias” em Jupiá, “Engenheiro Sérgio Motta – Porto Primavera” em Rosana e “Três Irmãos” em Pereira Barreto. A Usina hidrelétrica de Ilha Solteira é a terceira maior do país e em conjunto com a Usina de Jupiá compõe o sexto maior complexo hidrelétrico do mundo, com 3.444 MW de potência instalada e 20 geradoras com turbinas. As hidrelétricas da CESP estão localizadas principalmente na bacia do Rio Paraná e estão entre as mais lucrativas do país.
Diante de tamanha decisão, sem debate ou qualquer discussão com a sociedade é de se estranhar as razões que fazem o governador José Serra querer se livrar rapidamente da companhia, enquanto grandes consórcios privados a desejam com avidez. Entre a data de publicação do edital e o leilão há somente um mês. A CESP realizou apenas uma única audiência pública na capital, enquanto as cidades onde se localizam as usinas ficam a mais de 900 km de distância. A toque de caixa se fez a audiência para informar futuros compradores, mas nenhuma discussão ocorreu com a sociedade e com a população destes municípios.
A privatização da CESP é uma decisão que atinge gerações futuras e tem conseqüências incalculáveis e impacto direto para o povo. Ela aprofunda em São Paulo um modelo que já mostrou suas conseqüências desastrosas para o Brasil: tornou o país campeão das tarifas mais altas do mundo, fez a população refém do apagão elétrico e transferiu o controle estratégico da energia do Estado para as mãos de poucos grupos econômicos.
O
preço fixado e as cláusulas do edital são
questionáveis. Especialistas demonstram que o preço da
venda de energia no mercado livre é três vezes maior que
o custo de geração pela CESP. No setor elétrico
se chama renda hidráulica a diferença entre o custo de
geração das usinas e o preço pago pela venda
dessa energia. No caso das usinas do rio Paraná o custo médio
da geração é de R$ 40,00/MW e o preço
estimado de venda da energia no mercado livre é de R$
130,00/MW. Isso representa um diferencial de R$ 90,00. Se calcularmos
que o parque gerador garante 3.916 MW de energia, somente a renda
anual auferida será de R$ 3,52 bilhões. Estes são
valores estimados, mas a comparação evidencia o
desequilíbrio: o custo da geração de energia da
CESP é baixíssimo se comparado ao valor médio da
energia gerada, o que mostra seu potencial lucrativo e o significado
daquilo que o Estado entregará para o controle privado em caso
de privatização. Em pouquíssimos anos o retorno
do valor investido pelo futuro comprador será imediato.
A
segunda questão relevante diz respeito à proibição
da participação de companhias estatais no leilão.
A COPEL (Companhia de Energia do Paraná) e a CEMIG (Companhia
de Energia de Minas Gerais) anunciaram a intenção de
entrar no leilão. Estranhamente, o edital proíbe a
participação de estatais no processo. Quais as razões
disso? Por que o governador Serra quer impedir a entrada de outras
companhias estatais? A própria CEMIG, proibida de participar
no leilão, anunciou primeiramente que iria entrar com ação
contra essa cláusula do edital, após a apresentação
dos documentos por cinco empresas, afirmou que participaria num
consórcio para comprar a CESP, possibilidade descartada de
antemão pelo governo do Estado. Serra é tão
privatista que impede a CEMIG, companhia elétrica de um estado
governado por Aécio Neves, do mesmo partido do governador, de
participar do leilão. Por que os mesmos defensores da
privatização, em nome da “concorrência”, são
os mesmos que desejam evitá-la?
A aposta nesse modelo de desregulamentação do setor elétrico já deu mostras de fracasso. As privatizações não gozam mais do prestígio anterior, mesmo com a propaganda diária e a mistificação dos dados pelos privatistas. E seus resultados poucos anos após a privataria tucana desaconselham a repetição de nova rodada. Dois argumentos foram exaustivamente esgrimidos à época e poucos anos depois mostraram sua falácia. O primeiro diz respeito ao valor das tarifas públicas. Se dizia que a compra das companhias distribuidoras e geradoras de energia fortaleceria a concorrência e baratearia o preço para o consumidor final. O que ocorreu foi exatamente o contrário. O que se vê hoje é a tendência de fortalecimento de um cartel privado no setor elétrico, ao mesmo tempo em que as tarifas públicas no Brasil aumentaram a tal ponto que o valor da energia pago pela população se encontra dentre as maiores do mundo. Uma comparação assustadora saiu nos jornais. O valor da energia elétrica paga pelo brasileiro é 60% maior que nos Estados Unidos. Não há nenhum argumento que justifique tamanha diferença. Enquanto 90% da energia produzida no Brasil provém de fontes primárias renováveis, nos EUA é o contrário. Apenas 7% são produzidas em hidrelétricas e o restante provém de fontes não-renováveis, como o carvão mineral, o petróleo e a energia nuclear. Assim, temos um custo de geração de energia menor e pagamos mais, enquanto lá a geração de energia custa bem mais e o preço final é menor. O segundo argumento foi que o Estado se tornaria menos vulnerável e teria maiores recursos para investir em áreas sociais como saúde, educação e habitação. Os números da dívida pública desmentem a afirmação. Nos últimos cinco anos o Estado brasileiro pagou R$ 851 bilhões de juros da dívida pública consolidada. Uma conta simples mostra que cada brasileiro desembolsou em média R$ 4570. Isso significou um aumento da participação da dívida no PIB. E não há mostras que haja vontade política de romper com este modelo que garroteia a esperança do povo brasileiro.
Por fim, nos parece evidente que essa nova rodada de privatizações de Serra em São Paulo não é um raio em céu azul. A sanha tucana, com a possibilidade de liquidar 18 estatais foi legitimada pela manutenção das privatizações pelo governo federal sob outro nome. O debate sobre as concessões das rodovias federais, o leilão das bacias de petróleo e o processo de desnacionalização das decisões da Vale do Rio Doce em caso de mudança do controle de mãos para grupos financeiros internacionais são a prova evidente que as privatizações continuam. Não se trata de dizer quem privatiza melhor ou pior. Se trata de impedir que companhias de interesse estratégico para o desenvolvimento do país e para a vida do povo sejam leiloadas, vendidas ou concedidas na bacia das almas dos interesses privados. É por isso que a CESP deve continuar nas mãos do povo de São Paulo.
Deputado Federal Ivan Valente (PSOL-SP)
Serra pede para Lula ajudar na privatização da CESP
A CESP vai a leilão em meio a duvidas juridicas. Principalmente, quanto a renovação das concessões de duas de suas usinas mais importantes ( Jupiá e Ilha Solteira ). Por isso, o governador Serra pediu ajuda para o Lula. A renovação da concessão é uma decisão federal. As Centrais Sindicais, partidos politicos e entidades estundatis que participam do comitê contra a privatização da CESP poderiam solicitar do governo federal um posicionamento claro contra a renovação da concessão e contra a privatização da CESP.
No Ato publico contra a privatização da CESP realizado n Assembléia Legislativa de São Paulo, o professor da USP, o doutor Ildo Sauer, fez um apanhado das conseqüências da onda neoliberal sobre o Brasil e a necessidade da intervenção do governo federal. "Esse processo de reestruturação da forma da organização do nosso país, a implementação do Estado Mínimo, em que somente a ditadura do capital é capaz de levar bem-estar aos cidadãos, apenas produziu exclusão na América Latina. No setor elétrico vimos apagões e racionamento." Ele acrescentou. "A privatização da Cesp não é só um problema de São Paulo e Mato Grosso, diretamente atingidos pelas conseqüências do modelo de gestão da companhia, mas uma questão nacional. O controle da energia é relevante no dia-a-dia de todas as sociedades e fundamental para a construção da democracia, já que possibilita o acesso a todos pelas mãos do Estado", explicou. Fora privatização!
CESP
Será que a proibição da participaçãos das empresas públicas CEMIG, de Minas Gerais, e COPEL, do Paraná, não se deve ao fato destas empresas terem sua contabilidade fiscalizada pelos respectivios Tribunais de Contas Estaduais ? Como se sabe, a fiscalização dos TCE`s coibe qualquer despesa extra - daquelas que não podem ser contabilizadas,dos estados e de suas empresas de economia mista ou autarquias, o que não ocorre com as empresas privadas que, que vez ou outra, são denunciadas por uso de "caixa dois". .
Privatização cesp
Recebi essa notícia com muita tristeza, pois meus pais vieram para ilha solteira para a construção da cidade e da usina, portanto nasci aqui em 1971 e moro até hoje , fiz minha vida aqui , hoje sou servidor público, meu pensamento é o seguinte (SÓ POSSO VENDER O QUE É MEU , CORRETO ?, ENTÃO O SERRA ESTÁ QUERENDO VENDER UM PATRIMONIO QUE É DOS ILHENSES E DOS PAULISTAS,)vá vender a casa dele ou seu carro. parece brincadeira , eta PSDB desabafo
privatização da cesp
resposta para o menino de Ilha Solteira que nasceu em 1971 A estatal seria muito bonita se fosse uma coisa séria, se não servisse de cabide de emprego(troca de favores). Hoje o país inteiro já sabe que privatizar é melhorar a qualidade, o resultado, é ver funcionar tanto para a empresa(procure ler sobre as empresas que ficaram nas mãos do estado e depois foram privatizadas), quanto para o povo. Você de Ilha Solteira precisa ler um pouco mais e prestar mais atenção. Não fique triste com a privatização, fique feliz, pq com certeza vai melhorar para todos.
















tristeza
Me desperta profunda tristeza e descrença esta filosofia implantada pelos tucanos e democratas, esta filosofia da privatização. Entregam facilmente o ouro para o ladrão, setores de suma importância para o desenvolvimento brasileiro são entregues a pequenos grupos financeiros, que tratam de criar um monopólio nesses setores (elétrico, extração de minério, siderúrgico, etc), cobrando tarifas, preços abusivos, e nossa sociedade assim vai caminhando, aos trancos e barrancos, ao prazer de pequenos grupos capitalista que ditam as regras do jogo. Fica claro o interesse so "Excelentíssimo" José Serra em privatizar o mais rápido possível a CESP, chegando ao ponto de proibir a participação de uma estatal no leilão, é absurdo. E ainda temos que ficar ouvindo este papo de concorrência, tarifas baixas, mais investimento na educação, saúde, blá, blá, blá.....Espero que esta privatização não se concretize, e lutem caros amigos paulistas e paulistanos, busquem apoio de todos, pois este patrimônio é se vocês, este patrimônio é nosso!!!!!!!Não deixemos este capitalismo opressor nos dominar, é mudando o seu meio, que muda-se o mundo!!!!