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O fim da concessão

by jpereira — last modified 2007-09-27 17:51
Contributors: Altamiro Borges

É justa a renovação da concessão da TV Globo? Ela ajuda a formar ou a deformar a sociedade? Informa ou manipula a informação?

Altamiro Borges


O dia 5 de outubro terá enorme significado para todos os que lutam contra a ditadura da mídia no país e pela democratização dos meios de comunicação. Nesta data vence o prazo das concessões públicas de várias emissoras privadas da televisão brasileira, entre elas de cinco transmissoras da Rede Globo – São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Recife e Belo Horizonte. A Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS), que reúne as principais entidades populares e sindicais do país, já decidiu aproveitar o simbolismo desta data para realizar manifestações em todo o país contra as ilegalidades existentes no processo de concessão e renovação das outorgas de televisão no Brasil.

De acordo com a Constituição de 1988, a concessão pública de TV tem validade de 15 anos. Para que ela seja renovada, o governo precisa encaminhar pedido ao Senado, que pode aprová-lo com o voto de 3/5 dos senadores. No caso de rejeição, a votação é mais difícil. A proposta do governo deve ser submetida ao Congresso Nacional, que pode acatar a não renovação da concessão da emissora com os votos de 2/5 dos deputados e senadores. Antes da Constituição de 1988, esta decisão cabia exclusivamente ao governo federal. A medida democratizante, porém, não superou a verdadeira “caixa-preta” vigente neste processo, sempre feito na surdina e sem transparência.


Baixarias e lixo importado

Como explica o professor e jornalista Hamilton Octávio de Souza, “os processos de concessão e de renovação têm conseguido, ao longo das últimas décadas, uma tramitação silenciosa e aparentemente tranqüila, com acertos apenas nos bastidores – especialmente porque muitos dos deputados e senadores também são concessionários públicos da radiodifusão, sócios e afiliados das grandes redes e defendem o controle do sistema de comunicação nas mãos de empresários conservadores e das oligarquias e caciques políticos regionais – os novos ‘coronéis’ eletrônicos”. Na prática, Executivo e Legislativo não levam em conta nem as próprias normas constitucionais.

Entre outros itens, a Constituição de 1988 proíbe a monopolização neste setor, mas as principais redes atuam como poderosos oligopólios privados. Além disso, exige que a comunicação social promova a produção da cultura nacional e regional e a difusão da produção independente, mas as redes – em especial a Globo – impõem uma programação centralizada e importada da indústria cultural estrangeira. Ela também exige que a TV tenha finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas, mas as emissoras produzem e veiculam programas que não atendem esse preceito constitucional. “Elas despejam em cima da população programas de baixaria e o lixo importado, que nada têm a ver com a identidade, os valores e a cultura nacional”, observa Hamilton.


Manipulação e deformação da sociedade

Além de deformar comportamentos, com efeitos danosos na psicologia social, a mídia é hoje um instrumento político a serviço dos interesses das corporações capitalistas. Como decorrência do intenso processo de monopolização do setor, ela se tornou um verdadeiro “partido do capital”, conforme a clássica síntese do intelectual italiano Antonio Gramsci. Ela manipula informações, utilizando requintadas técnicas de edição, com o intento de satanizar seus inimigos de classe e endeusar os aliados. A defesa do “caçador de marajás” Fernando Collor, a cumplicidade diante dos crimes de FHC e a oposição ferrenha ao governo Lula confirmam esta brutal manipulação.

Estas e outras aberrações da mídia – monopolizada, desnacionalizada e manipuladora – ficaram patentes no ano passado. Vários institutos independentes de pesquisa provaram que a cobertura da sucessão presidencial foi distorcida, “partidarizada”. O livro “A mídia nas eleições de 2006”, organizado pelo professor Venício de Lima, apresenta tabelas demonstrando que ela beneficiou o candidato da direita liberal, Geraldo Alckmin, ao editar três vezes mais notícias negativas contra o candidato Lula. “A grave crise política de 2005 e a eleição presidencial de 2006 marcam uma ruptura na relação histórica entre a grande mídia e a política eleitoral no Brasil”, afirma Venício.


Tentativa de golpe na eleição

Neste violento processo de manipulação caiu a máscara da TV Globo – que até então ainda iludia alguns ingênuos, inclusive no interior do governo Lula. A sua cobertura na reta final das eleições foi decisiva para levar o pleito ao segundo turno. Conforme demonstrou histórica reportagem da revista Carta Capital, uma operação foi montada entre o delegado da Polícia Federal Edmilson Bruno e a equipe da Rede Globo para criar um factóide político na véspera do primeiro turno. Após vazar ilegalmente fotos do dinheiro apreendido na tentativa desastrada de compra do dossiê da “máfia das sanguessugas”, que incriminava o partido de Geraldo Alckmin, o policial corrupto ordenou que a difusão das imagens fosse feita no Jornal Nacional da noite anterior ao pleito.

A criminosa negociação foi gravada, mas a TV Globo preferiu ocultá-la. Além disso, escondeu o trágico acidente com o avião da Gol para não ofuscar sua operação contra o candidato Lula. Para Marcos Coimbra, diretor do instituto de pesquisas Vox Populi, a solerte manipulação desnorteou todas as sondagens eleitorais, que davam a folgada vitória de Lula, o que evitou sua reeleição já no primeiro turno. “Os eleitores brasileiros foram votar no dia 1º de outubro sob um bombardeio que nunca tinha visto, nem mesmo em 1989... Em nossa experiência eleitoral, não tínhamos visto nada parecido em matéria de interferência da mídia”, garante o veterano Coimbra.


Um debate estratégico

Diante deste e de tantos outros fatos tenebrosos, que aviltam a democracia e mancham a história do próprio jornalismo, ficam as perguntas: é justa a renovação da concessão pública da poderosa TV Globo? Ela ajuda a formar ou a deformar a sociedade brasileira? Ela informa ou manipula as informações? Ela atende os preceitos constitucionais que proíbe o monopólio da mídia e exige que a comunicação social promova a produção da cultura nacional e regional e a difusão da produção independente e que tenha finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas? Estas e outras questões estarão em debate nas semanas que antecedem o simbólico 5 de outubro.

À CMS caberá levar esta discussão estratégica às suas bases. Já o governo e o parlamento, que devem zelar pela Constituição, não poderão ficar omissos diante deste tema. “Antes de propor a renovação automática da concessão, os órgãos de governo deveriam proceder à análise cuidadosa dos serviços prestados, com a devida divulgação para a sociedade. Antes de votar novos períodos de concessão, o Senado Federal deveria, em primeiro lugar, estabelecer o impedimento ético aos parlamentares envolvidos com a radiodifusão e, em segundo lugar, só aprovar a renovação que esteja de acordo com a Constituição, a começar pelo fim do oligopólio – já que o objetivo maior deve ser o da democratização da comunicação social”, pondera o professor Hamilton de Souza.



Altamiro Borges é jornalista, membro do Comitê Central do PCdoB, editor da revista Debate Sindical e autor do livro “As encruzilhadas do sindicalismo” (Editora Anita Garibaldi).

Comentários - 12

Página 1

1 Tom C Campos - 30-09-2007 - 13:55:35h

fim da Globo!

Pois é amigos, de "Fato" esta discussão não feita pela sociedade e seria bom mesmo se pudessemos promover a não-concessão de comunicação pública para a Rede Globo. Mas ela é muito poderosa e não acredito que um número suficiente de congressistas honestos para tal empreitada.

um abraço..

2 Tom C Campos - 30-09-2007 - 13:56:55h

fim da Globo!

Pois é amigos, de "Fato" esta discussão não é feita pela sociedade e seria bom mesmo se pudessemos promover um debate que gerasse a não-concessão de comunicação pública para a Rede Globo. Mas ela é muito poderosa e não acredito que haja um número suficiente de congressistas honestos para tal empreitada.

um abraço..

3 Maicon Ventura - 03-10-2007 - 15:08:54h

concessão à TV Globo?

"de Fato", o mundo da comunicação no Brasil é controverso...

ai Eu me pergunto: devemos dá crédito aos apelos por justiça, igualdade e honestidade pedidos por esses grandes meios de comunicação?

Só pra exemplificar, quando Li esse artigo, me lembrei da dura repressão da nossa mídia ao que Chaves fez na Venezuela, e "de Fato" a RCTv assemelha-se e muito com a nossa "TV Globo". Concordo com a opinião acima e será díficil barra a Globo, até porque (não pra min e meus irmãos Brasileiros que com seu suor matinal e noturno tenta fazer um país digno), os grandes grupos de comunicação, e lógico, a TV GLobo, geram divisas para o estado brasileiro...

Se ACM, por exemplo estivesse em vida, seria o primeiro a votar a favor da concessão, oou seja, não dá pra confiar no nosso congresso que está preso à essas corporações...

Abraços!

4 Theo Tollendal - 06-10-2007 - 11:25:57h

Globo

É bom lembrar que a Globo não gera divisas para o Estado. Pelo contrário, podemos considerá-la como a maior estatal brasileira, vista a inacreditável quantia que recebe do governo federal. Entre Zé Gotinhas e prograndas diversas do governo, são milhões que entram na conta da Globo - com certeza sua principal fonte de renda. Abraços!

5 Khadija Slemen - 04-10-2007 - 20:26:43h

Sai fora Globo!!!!!

Bom seria se tivéssemos uma organização bem antecipada dessas mobilizações. Acho que a TV Globo não contribui com nada na formação de cidadania, de conhecimento e educação de uma forma geral. É porcaria não reciclada!!! é tendenciosa, mentirosa, corrupta. Não deveria receber concessão pois não presta serviço publico tam´pouco transmite ideias que permitam a formaçõa se sujeitos. Por mim já tava fora a longo tempo!!!

6 FANTOMAS - 05-10-2007 - 08:19:07h

GLOBO APÓIA A INDÚSTRIA DA MULTA

Já reparou como as redes de tv defendem a Indústria da Multa ?!!! Que interesses há nisso ?!! a Indústria da Multa gera muitos lucros privados também. Ou seja, é gente ganhando em cima da manutenção da desgraça alheia. Fora GLOBO. FORA AÉCIO e SERRA

7 FANTOMAS - 05-10-2007 - 08:22:10h

GLOBO APÓIA A INDÚSTRIA DA MULTA

Mas neste excelente espaço democrático devo dizer ainda que além do PSDB que é o Criador da Indústria da Multa no Brasil , o PT se lambuza fartamente com esta nociva estorsão contra os motoristas. É como se diz NEM PT MUITO MENOS PSDB

8 ILACIR TELLES - 05-10-2007 - 11:58:17h

REDE GLOBO DE TELEVISÃO

Tenho uma filha de sete anos que, na minha ausência, assiste, diariamente, as novelas da rede globo. A direção da aludida emissora deveria usar o bom senso - se é que tem - e suspender as inúmeras cenas de sexo incluso em suas detestáveis novelas, que, diga-se de passagem, mais parece com fábrica de vagabundagem, bandidagem e prostituição precoce. Essa abertura hedionda atribuo aos coveiros e maus políticos do PSDB.

9 evalda souza - 05-10-2007 - 16:05:05h

globo

se vc sabe que as novelas da globo têm tantas cenas de sexo e outras coisas mais, é porque vc as assiste, certo? então,´já que não gosta, é simples: páre de assistir e também não deixe que sua filha o faça. é óbvio que a Globo vai continuar funcionando, portanto tal discussão não leva à nada... e, no nosso país, há questões bem mais importantes para se discutir... como os problemas de educação e saúde! Até porque, para mi9m está claro que os brasileiros votam mal e pronto, independente de ser influenciado ou não por uma emissora de televisão.

10 joao r ramos - 19-10-2007 - 06:59:30h

eu nao assisto

Temos que lutar para que a maioria do povo, que vota e que vive na nossa sociedade , que sao bobos alegres , alienados e que nao tem inteligencia suficiente para distinguir as segundas intencoes das tevs capitalistas , subversivas E inclusive a globo que usa bandeira norte americana , nao afete mais o Brasil..

11 Claudionei Vicente Cassol - 07-10-2007 - 11:04:05h

Consciência Democrática

O fim da concessão a Rede Globo seria o princípio da Consciência Democrática do Brasil. Como sabemos que, dificilmente, ela virá pelos órgãos "oficiais" (Congresso Nacional e MC), deve ser feita por nós mesmos. Quando o Estado não serve mais ao acordo coletivo, não está mais a serviço dos seus cidadãos, então nos resta duas alternativas: estabelecer uma nova forma de organização ou transformar o Estado, chamando-o para a responsabilidade primeira: atender a todos. No caso brasileiro, é histórico o atrelamento do Estado ao setor econômico, ao mercado neo-liberal aos grupos hegemônicos. Nossa consciência ainda é submissa e, por formação, temos a tendência de nos submeter ao poder, ao mais forte. O fim das concessões midiáticas a grandes grupos é o princípio da democratização brasileira. É preciso acabar com a falsifição das consciências e das verdades nessa sociedade. Esse ponto final só pode ser dado por cada cidadão e cidadã. Depende de nós termos claro que esse é o momento da revolução. A revolução começa com a democratização da voz e da vez, com a participação e a crença firme na dignidade humana.

12 wellington - 19-11-2007 - 23:57:36h

desabafo

ola pessoal , eu ficaria muito feliz se a concessao da globo noa for renovada . que pelo menos assim o serra e o aecio vai pro buraco , se na epoca de deus teve caim como traidor , os brasileiros tem a globo como manipuladora , eles so que mostrar o que nao vale nada pro brasil .