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O genocídio do povo de Gaza

by Admin last modified 2009-01-06 17:06
Contributors: Miguel Urbano Rodrigues

A solidariedade de todos os homens e mulheres progressistas com o heróico povo da Palestina martirizada é mais do que nunca um dever

06/01/2009

 

Miguel Urbano Rodrigues

Escrevo no momento em que está em desenvolvimento a escalada  genocida do Estado sionista de Israel contra o povo de Gaza.


Essa  bárbara  operação exterminista – apoiada pela esmagadora maioria dos israelenses e incentivada pelo sistema de poder dos EUA com a cumplicidade da maioria dos governos da União Europeia  – é acompanhada  de uma ambiciosa e massacrante ofensiva midiática de âmbito mundial que deforma a História e pretende justificar o crime com o argumento de que Israel exerce o direito de defesa para proteger as suas populações e sobreviver como nação.


Estamos perante uma daquelas tragédias em que as palavras são insuficientes – como aconteceu  com as chacinas do III Reich alemão - para qualificar as proporções e o significado  do crime.


A desinformação, garantida pelo controle hegemônico dos grandes meios,  dificulta extraordinariamente  o esclarecimento dos povos porque a vítima é apresentada   como agressor e este como representante de valores inalienáveis da democracia.


A primeira e fundamental mentira é a que responsabiliza o Hamas pelo rompimento da trégua. Israel , ao iniciar o bombardeamento aéreo e naval seguido da invasão terrestre, estaria a proteger as populações das suas cidades e aldeias atingidas por rockets palestinianos.


Trata-se de uma grosseira inverdade.


Existe uma abundante documentação secreta do próprio Ministério da Defesa israelense que demonstra com clareza  a premeditação do crime pelo governo de Tel Aviv.


Encontramos uma síntese de fatos relacionados com essa premeditação num importante artigo do professor canadiano Michel Chossudovsky , da Universidade  de Otawa.


Nesse texto (divulgado por globalresearch.ca) o prestigiado economista e escritor lembra que a “operação chumbo fundido” foi minuciosamente planejada com seis meses de antecedência, quando Israel iniciava a negociação de um acordo de cessar fogo com o Hamas . O projeto foi, porém, concebido em 2001.


A 4 de Novembro, dia das eleições presidências dos EUA, Israel aliás rompeu a trégua, bombardeando a Faixa de Gaza, alegando a necessidade de impedir a construção de túneis pelos palestinos.


Chossudovsky chama a atenção para o fato de, transcorridas 24 horas, a 5 de Novembro,  o governo de Tel Aviv ter iniciado o monstruoso bloqueio de Gaza, cortando o abastecimento à Faixa de alimentos, combustível  e medicamentos. Posteriormente o exercito israelense realizou numerosas incursões armadas no território de Gaza.


O Hamas, em legítima defesa, respondeu com o lançamento de rockets de fabricação caseira.


Não há mentiras e calúnias que possam apagar a evidência: apenas 4 israelenses morreram DESDE ENTÃO em consequência do disparo de rockets do Hamas, mas a agressão  sionista é responsável , até ontem , pela morte de mais de 550 palestinos superando 2000 o numero de feridos.


Gaza, um cenário de apocalipse

As noticias que chegam de Gaza  e as imagens transmitidas pela televisão iluminam um cenário de apocalipse: quarteirões inteiros arrasados , mesquitas bombardeadas na hora da oração, hospitais e universidades destruídos. Crianças e mulheres ensanguentadas movendo-se entre ruínas, corpos humanos esfacelados. Em Gaza acabou o pão, bairros inteiros estão privados de eletricidade e água.


Mas a monstruosidade do genocídio merece o apoio de Washington. O presidente Bush justifica-o em nome da democracia, tal como a sente. Mais: impede que o Conselho de Segurança aprove uma Resolução que imponha o cessar fogo.


A atitude prevalecente nos governos da União Européia é de hipocrisia e cinismo. Afirmam desejar um cessar fogo, alguns definem como “DESPROPORCIONADA a resposta de Israel”, mas manifestam compreensão pela sua “reação  defensiva” contra “os terroristas do Hamas”.


A Rússia e a China condenam a escalada de violência que atinge Gaza, mas a sua atitude carece de firmeza no Conselho de Segurança.


Os povos árabes saem massivamente às ruas para expressar a sua condenação da matança de Gaza.


Mas diferente é a posição assumida pelos governos da maioria dos  países árabes. Os seus governantes comportam-se  como cúmplices envergonhados de Tel Aviv.


Sarkozy, a chanceler Merkel, Berlusconi, Brown, Durão Barroso  trocam sorrisos e amabilidades com Olmert e a ministra Livni.


Hipócrita e covarde é também a postura assumida pelo Presidente da Autoridade Nacional Palestiniana. Mahmud Abbas pede um cessar fogo, mas  RESPONSABILIZOU INICIALMENTE os seus compatriotas do Hamas pela escalada de violência.


Na cobertura da agressão israelense pelos meios de comunicação  dos EUA e da União Européia identifico um retrato chocante do jornalismo mercenário.


Os enviados especiais, com poucas exceções, limitam–se a transmitir as declarações dos ministros e dos militares de Israel. As imagens de casas atingidas nas cidades judaicas fronteiriças  ocupam em algumas reportagens quase tanto espaço e tempo como as do inferno em que Gaza foi transformada pelos bombardeamentos israelenses.


Nos meios portugueses de referência a satanização do Hamas tornou-se rotineira. Editores, analistas, apresentadores, enviados especiais  competem na repetição monocórdica do “direito de defesa de Israel” contra o terrorismo.


A jovem Alexandra Lucas Coelho, no “público”, foi quase uma exceção.


De Washington a Paris passou também a ser quase obrigatória a responsabilização do Irã pela resistência heróica dos milicianos do Hamas. A extrema direita estadunidense, sobretudo, não esconde  o seu desejo de que a  barbárie que abrasa Gaza seja o prólogo de uma tragédia maior que envolva o Irã, berço de uma das maiores civilizações criadas pela humanidade.


O apocalipse de Gaza transmite uma lição assustadora: a barbárie do Estado sionista de Israel, apoiada pelo imperialismo estadunidense e contemplada compreensivamente pelos seus aliados da União Européia configura uma ameaça à  civilização.


Num contexto histórico muito diferente, as burguesias do Ocidente trazem à memória a atmosfera européia nas vésperas de Munique. Afirmam a sua fidelidade aos valores da  democracia tal como a concebem, mas atuam como cúmplices de um Estado cuja política os nega e espezinha ao promover chacinas como a de Gaza.


A solidariedade de todos os homens e mulheres progressistas com o heróico povo da Palestina martirizada é mais do que nunca um dever.


Nestes dias os combatentes do Hamas, ao lutarem pelo direito do seu povo a ser livre e independente, batem-se, afinal,  por valores eternos.


O genocídio de Gaza é um desafio do sionismo NEONAZI à Humanidade.

 

Miguel Urbano é jornalista e escritor português.

Comentários - 4

Página 1

1 carlos ribeiro - 07-01-2009 - 11:57:29h

forma x função
depois de "estadunidense" vem "rockets palestinianos", português de portugal...

2 carlos ribeiro - 07-01-2009 - 12:03:59h

ataque premonitório
então o hamas sabia do ataque do natal de 2008 desde 2001? e por isso vem há seis meses jogando "rockets" (sic) "caseiros" em israel? faz-me rir. então lhe atordoa q o fatah acha bonito o hamas se ferrando todo? pq será? será pq o hamas, segundo vcs esquerdinhas um "partido político humanista", fuzilou 700 partidários do fatah qdo venceu as eleições? até agora o hamas matou mais palestinos q israel nesses ataques. de q lado mesmo vcs estão?

3 cledson junior farias - 08-01-2009 - 18:57:33h

quando o mundo arabe palestino vivera em paz
fazendo referencia o que disse o cidadao carlos ribeiro e acho que ele esta precisando de aula de analise conjuntural criticar o que ele e de uma ingenuidade sem tamanho esse cidadao nao merece consideraçao ele nao enxerga o que esta acontecendo em gasa e sim um novo gueto genocida implantado por israel com apoio do imperialismo americano eu me pergunto os povos vao ficar de braços cruzados vendo crianças sendo massacradas sumariamentes sem pena.

4 Magno Oliveira - 10-01-2009 - 02:03:39h

Solidariedade ao povo palestino
Em primeiro lugar, todas as felicitações ao companheiro Miguel Urbano. Texto que demonstra um alto nível de informação e de indignação frente à prepotência de Israel. Sugiro que os leitores em geral leia o texto de Santiago Alba "Qué belo és matar, que justo es morir" publicado em www.rebelion.org
Da mesma forma sugiro aos leitores procurarem se informar um pouco mais antes de pronunciarem (ou repetirem mentiras midiáticas).

A cruel e violenta grande imprensa brasileira, encabeçada pela rede Globo, apresentou uma chamada dizendo que Israel e Hamas não aceitaram o cessar fogo (resolução da ONU). Ora bolas, o que está ocorrendo em Gaza não é uma guerra, é genocídio dos mais aviltantes para toda a história da humanidade. As contendas internas entre os palestinos só dizem respeito ao povo palestino, principalmente na divergência ideológica entre Hamas e Fatah. O povo palestino tem uma história, que eles possam fazer livremente a sua história.

Parece ser novidade, ou cegueira, o fato de o enorme poderio bélico de Israel estar diretamente relacionado com o subsídio dos Estados Unidos e seus interesses estratégicos na região, único país a se abster na votação a favor do cessar fogo imediato.

Em casos como este genocídio, a ONU nem precisaria deliberar nada, nem solicitar nada. Deveria sim, enviar tropas de todos os países à Faixa de Gaza para dizer a Israel " e agora? vai parar ou não vai?

Da mesma forma, na América Latina, Colômbia e Brasil são os países estratégicos na defesa dos interesses dos Estados Unidos. O plano Colômbia que, supostamente seria para ser colocado em prática na Colômbia, acabou abrindo uma filial aqui no Brasil. Parece até que está dando mais lucros e sendo mais eficaz.