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A quem eles enganam?

by jpereira last modified 2007-04-11 14:21

Luiz Ricardo Leitão

Luiz Ricardo Leitão


11/04/2007


As cenas são mais do que eloqüentes. Ao lado de Nuri al Maliki, primeiro-ministro do Iraque, dentro de um bunker em Bagdá, o sul-coreano Ban Ki-moon, novo secretário-geral da ONU, dá uma entrevista coletiva à imprensa mundial. Por motivos de segurança, ele chegou “de surpresa” à capital iraquiana: a Organização cumpre um triste papel naquele devastado país, subscrevendo sem nenhum pudor a guerra suja de Bush, Blair & cia. contra o mundo árabe, e por isso tem sido alvo de violentos atentados da resistência local. Apesar de tudo, Ban Ki tem a desfaçatez de afirmar que “as condições de segurança em Bagdá melhoraram muito” nos últimos meses... Mal termina a frase, uma bomba explode a 50 m de distância. Em pânico, o ‘valente’ secretário tenta se esconder embaixo da mesa, ao passo que o primeiro-ministro, acostumado às explosões diárias, não esboça a mínima reação face ao estrondo. Tudo ao vivo, sem ao menos uma pausa para os comerciais...

A quem eles pensam que enganam? – eu me pergunto, ao ver a cena estampada nos jornais e tevês da cadeia global. Os desatinos e a estupidez da era Bush já foram dissecados em verso e prosa pelos mais lúcidos e corajosos artistas e pensadores deste planeta, mas a farsa do Império do Norte ainda parece estar longe do fim. Desde as contundentes denúncias de Noam Chomsky e Gore Vidal, dentro das próprias fronteiras ianques, ou até mesmo o magnífico documentário de Michel Moore sobre os acontecimentos de 11 de setembro (em que Baby Bush permanece apalermado por longos minutos na sala de leitura de uma escola primária – não se sabe se lendo ou aprendendo a ler... –, enquanto os aviões destruíam os ícones do poder imperial), as máscaras nos têm sido desveladas de forma irrefutável nos quatro cantos do planeta. Ainda há pouco, um livro escrito por Eliot Weiberger (Crônicas da era Bush – o que ouvi sobre o Iraque) tratou de sumariar os absurdos da decantada “guerra ao terrorismo” promovida pela Casa Branca e meia dúzia de grandes corporações da economia transnacional. Alguns já são conhecidos do leitor, outros talvez sejam novidades, mas vale a pena conferir o que Eliot registrou nas suas crônicas.

Acredite, se quiser: o primeiro secretário de Energia de Bush Jr. foi o senador que tentou aprovar um projeto de lei que propunha justamente a extinção do Depto. de Energia... E um dos seus maiores aliados no Congresso, Tom Delay, que antes da teta parlamentar se ocupava de fazer dedetizações no Texas, soltou a seguinte ‘pérola’ sobre o trágico episódio de Columbine (onde vários estudantes foram alvejados a tiros por dois colegas): “O que se pode esperar quando essas crianças vão à escola e aprendem que descendem de um bando de macacos?” Por falar em amigos, a Halliburton, empresa do vice-presidente Dick Chenney, foi agraciada, sem nenhuma concorrência, com inúmeros contratos de “reconstrução” do Iraque e de Nova Orleans, semidestruída pelo furacão Katrina. Também no capítulo das verbas, os novos créditos de Bush para a Educação incluem US$ 100 milhões para as aulas de leitura (por acaso ele já aprendeu?) e US$ 270 milhões para as aulas de... abstinência sexual! Essa brilhante combinação talvez explique por que Baby Bush declarou, em modorrento discurso, que as importações dos EUA vêm do... exterior! Sim, meu caro leitor, este mundo está entregue aos imbecis que fazem o jogo sujo de uma classe nada imbecil. Não é à toa que lá em Israel, aliado nº 1 do Império, a empresa Crazyshops está faturando milhões de euros vendendo lotes na... Lua! Segundo ela própria divulgou, 10 mil pessoas já compraram um terreno no romântico satélite, que já foi cantado pelos mais inspirados poetas e é protegido por santo de grande poder e devoção. Aliás, o que dirá Jorge da Capadócia ao receber tantos ‘capadócios’?


Luiz Ricardo Leitão é escritor e professor adjunto da UERJ. Doutor em Literatura Latino-americana pela Universidade de La Habana, é autor de Lima Barreto: o rebelde imprescindível (Editora Expressão Popular).


Quem tiver riqueza natural que se cuide

Posted by JOSÉ MILTON DA SILVA at 2007-08-05 12:00

É triste um povo ter um Nuri Al Maliki, mas triste ainda é o mundo ter uma nação xerife cujo chefe do executivo é a síntese do pensamento nacional. Bush sabe o que querem os seus compatriotas e não faz nada para contrariá-los, só de vez em quando, quando a estratégia falha e morrem um número maior que o previsto dos jovens enviados ao campo de batalha, ai as mamães choram, mas quando os seus jovens bem armados matam uma multidão de mulheres, crianças, idosos e outros tipos de inocentes da nação dominada, as mamães riem. O que Bush quer, ou melhor, o que o povo americano quer, é o petróleo do Iraque, assim como quer outras riquezas naturais espalhadas pelo mundo. Quem tiver riqueza natural se cuide, eles estão de olho e a qualquer momento podem forjar um ditador e armas químicas para serem caçados e a "respeitável" ONU abrirá alas à passagem dos cães.

Quem tiver riqueza natural que se cuide

Posted by Ramis at 2008-04-20 08:00

O próximo passo deles já está sendo dado... tomar a Amazônia.... por quê será que a grande midia nunca aborda este assunto.


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