Casa da América Latina reúne movimentos em defesa dos povos do continente
Última assembléia da entidade delibera apoio à candidatura de Fernando Lugo no Paraguai
Por Raquel Junia
do Rio de Janeiro (RJ)
“Nada como a casa da gente”, diz o ditado popular. E quando a casa é de todos os países da América Latina, o que se pode esperar? “Solidariedade”, responde um dos membros da diretoria da Casa da América Latina, Ivan Martins Pinheiro. A iniciativa começou a ser concretizada, em agosto de 2007, como uma forma de prestar solidariedade aos povos de nossa América. Pouco mais de seis meses depois de lançada, a “Casa” tem uma sala alugada, um cine-clube semanal, um conselho e uma diretoria, já realizou atos e encontros, e planeja muitas outras ações, como a construção de um jornal mensal.
No dia 10 de março, houve uma Assembléia Geral da entidade, na qual, entre outras deliberações, foi declarada solidariedade à candidatura de Fernando Lugo à presidência do Paraguai. Na ocasião, a diretoria foi reeleita e o Conselho composto por 168 pessoas.
A pluralidade da origem e da atividade dos participantes é uma das características da Casa. Mas este fato não significa que a iniciativa seja um espaço que permaneça “em cima do muro” em relação à política internacional e especificamente latino-americana.
As atividades organizadas pela Casa mostram isso. Em contextos nos quais a opinião pública conduzida pela grande mídia se mostra desfavorável à política de Bolívia e Venezuela, por exemplo, atos em solidariedade aos dois países foram convocados, com a presença de militantes dos mais diversos movimentos. Os cônsules de Bolívia e Venezuela no Brasil foram convidados a expor suas posições sobre as principais questões de suas nações. A partir desses encontros foram construídos manifestos a favor dos processos de mudança nestes países.
“Diante da insistência dos oligarcas em tentar desestabilizar os poderes legitimamente constituídos - com o objetivo de manterem seus privilégios - expressamos nossa solidariedade militante ao povo boliviano, ao presidente Evo Morales, à Assembléia Constituinte e às organizações políticas e sociais que respaldam o processo de mudanças decidido democraticamente pela grande maioria da população”, diz um trecho do Manifesto de Solidariedade ao Povo Boliviano. O documento foi elaborado numa iniciativa da Casa da América Latina, que contou com 39 assinaturas de diferentes movimentos sociais, sindicatos e partidos políticos e personalidades político-sociais.
No dia 6 de março, um ato intitulado “Fora o governo fascista da Colômbia. Solidariedade à Venezuela e ao Equador", foi realizado no momento em que o exército colombiano estava invadindo o território do Equador para atacar um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia - Farc. A Casa reuniu mais de duas centenas de pessoas, enquanto a Veja, o conhecido panfleto da direita brasileira, destilava seu ódio contra a esquerda latino-americana com sua já tradicional e previsível manchete: “As feras radicais”.
Aglutinar pessoas de movimentos, partidos e sindicatos com posicionamentos diversos até agora está dando certo. Entretanto, como a avaliação ao governo Lula é uma grande divergência desde a eleição presidencial de 2003, não há deliberações sobre oposição ou apoio ao governo brasileiro. Ivan explica como as diversas entidades têm se relacionado na Casa. “É a solidariedade internacional que está unindo as pessoas. Estamos conseguindo isso com o respeito mútuo, a tomada de decisões por consenso, a não partidarização e a independência frente aos governos aos quais prestamos solidariedade”, explica.
Agora que a Casa da América Latina já tem sede própria no Rio de Janeiro, alugada e montada com a contribuição voluntária dos sócios, a idéia é ter sedes em outros estados e também em países do continente. A inauguração de sedes nos outros países atuaria no sentido de aprofundar o contato entre a entidade e a realidade dos países irmãos do Brasil.Para se contrapor à mídia comercial, a Casa da América Latina pretende lançar, além de um jornal mensal, um sítio na Internet, que, além das várias expectativas existentes, servirá também como uma referência para os que procuram, na rede, páginas com conteúdo progressista na América Latina. Daqui para frente também planejam criar conselhos específicos como o cultural e o editorial. No dia 3 de março, foi lançado o cine-clube da Casa, com a exibição do filme Brasileiros em Cuba, de Mario Augusto Jakobskind e Achille Lollo. O Cine-Clube é realizado todas as segundas-feiras.
Segundo Ivan Pinheiro, “há muito trabalho pela frente e muita solidariedade que prestar”. Ele lembra que o contrato da base militar estadunidense de Manta, no Equador, vence em 2008 e o atual governo equatoriano não pretende renová-lo. “Vamos ter que dar respaldo para o Rafael [Correa, presidente do Equador] não fazer isso sozinho”, conclui.
Esclarecimento
Caro Jorge Pereira, Sobre o artigo da Agencia Brasil de Fato, intitulado "Casa da América Latina reúne movimentos em defesa dos povos do continente" onde existe a informação de que o ato do dia 06 de março foi uma iniciativa da Casa da América Latina, gostaría de informar, em nome da verdade dos fatos, que a Casa da América Latina foi apenas uma das entidades que convocou o referido ato como demonstra a convocatória abaixo enviada pelo camarada Ivan Pinheiro.
Tenho total legitimidade para esclarecer esse fato, que considero muito embaraçoso, pois era um dos membros da mesa do referido evento. O ato foi organizado coletivamente pelas entidades que participam do Fórum de Solidariedade à América Latina em Luta Contra o Imperialismo – RJ. Esse fórum foi formado com o objetivo de encaminhar uma unidade na ação na solidariedade carioca e fluminense. Entendemos ser esse fórum um pequeno passo na tentativa de romper, ao menos no campo da solidariedade, com a cultura das práticas hegemonistas tão perniciosas a construção de uma frente unica dos setores populares e classistas em nosso país.
Certo de que a verdade é sempre revolucionária.
Um grande abraço,
Aurelio Fernandes coordenação nacional do Movimento Revolucionário Nacionalista - Círculos Bolivarianos / MO.RE.NA - CB http://morenacirculosbolivarianos.wordpress.com
----- Original Message ----- From: Ivan Pinheiro To: Aurelio Fernandes Sent: Thursday, March 06, 2008 12:02 AM Subject: Convocatória
DIA 6 DE MARÇO (quinta-feira):
JORNADA MUNDIAL CONTRA O GOVERNO FASCISTA DA COLÔMBIA
ATO PÚBLICO
Local: Sintrasef (Av. 13 de Maio, 13 – 10 andar), às 18:30 h
No dia 6 de março (quinta-feira), em quase todos os países do mundo, estarão ocorrendo manifestações contra os crimes que vêm sendo cometidos pelo governo colombiano e sua tentativa de criar uma guerra na América do Sul.
No Rio de Janeiro, o ato está sendo convocado pelo Fórum de Solidariedade à América Latina em Luta Contra o Imperialismo – RJ, recém criado, composto até agora pelas organizações mencionadas ao fim desta convocação e aberto a todas as instituições anti-imperialistas e progressistas.
O covarde assassinato do comandante Raul Reys, em território equatoriano, foi mais uma provocação do fascista Uribe contra o intercâmbio humanitário e contra qualquer possibilidade de paz na região. Num mesmo ataque, agrediu o Equador, a Venezuela e as FARC. Em verdade, agrediu toda a América Latina.
A serviço do império, o governo colombiano aumenta a tensão, possivelmente num plano para forçar uma guerra regional, em que os Estados Unidos apoiariam a Colômbia militarmente, com suas tropas e sua máquina de guerra, com o falso pretexto de combater os "narco-traficantes" ou os "narco-terroristas", cinicamente usado pelos próprios traficantes e terroristas (liderados por Uribe).
Isto não passa de um pano de fundo para escamotear os verdadeiros objetivos do império: derrubar o governo Chávez e/ou assassiná-lo - para fragilizar o processo de mudanças em toda a América Latina - e se apoderar dos ricos recursos naturais de que dispõem o Equador e a Venezuela, não por acaso os dois únicos países latino-americanos membros da OPEP.
FORA O GOVERNO FASCISTA DA COLÔMBIA.
FORA O IMPERIALISMO DA AMÉRICA LATINA.
SOLIDARIEDADE AO EQUADOR, À VENEZUELA E ÀS FARC.
PELA PAZ NA AMÉRICA LATINA
UM TRIBUTO A RAUL REYES.
Fórum de Solidariedade à América Latina em Luta Contra o Imperialismo – RJ:
Associação Nossa América do Rio de Janeiro
Casa da América Latina
Campanha - Tirem as mãos da Venezuela/RJ
CEBRAPAZ - Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz
CMP – Central de Movimentos Populares
Esquerda Marxista do PT
FAFERJ – Federação das Associações Moradores de Favelas do Estado do Rio de Janeiro
FIST – Frente Internacionalista dos Sem Teto
Juventude Rebelião
Morena – Círculos Bolivarianos
MNLM – Movimento Nacional de Luta pela Moradia /RJ
Núcleo Paulo Freire do PT /RJ
PCB – Partido Comunista Brasileiro
PCR – Partido Comunista Revolucionário
UJC - União da Juventude Comunista
Além das organizações acima, que hoje compõem o Fórum de Solidariedade, outras resolveram aderir ao ato público e também estarão presentes:
Associação Cultural José Marti
Centro Cultural Antonio Carlos de Carvalho (CECAC)
Comitê de Solidariedade ao Povo Palestino
Conlutas
Corrente Comunista Luiz Carlos Prestes (CCLCP)
Fórum de Unidade dos Comunistas
Fundação Dinarco Reis
Intersindical
Movimento Humanista
PH – Partido Humanista
PSTU – Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado
Refundação Comunista (RC)
Sindijustiça RJ
Sintrasef RJ
União Nacional dos Servidores Públicos - UNSP
Além do ato público, haverá a exibição do filme "REFUGIADOS EN SU PROPRIO SUELLO", que retrata a crueldade do paramilitarismo e do exército do governo Uribe em Antioquia, na Colômbia.
Anexamos, para conhecimento e contribuição ao debate quatro artigos de autores diferentes:
Célia Hart – cubana
Laerte Braga – brasileiro
Matilde Soza – venezuelana
Miguel Urbano Rodrigues - português
Resposta ao esclarecimento do senhor Aurélio Fernandes e a todos os leitores
Prezado Aurélio Fernandes,
Sou a autora do texto acima. Peço desculpas se causei mal entendido, não foi por má-fé. O texto sofreu algumas modificações durante o processo de edição justamente no trecho ao qual o senhor se refere. Por descuido meu, não segui a orientação do editor de observar a reportagem novamente antes que fosse enviada para publicação na Agência Brasil de Fato.
Portanto, peço desculpas pela omissão no texto das outras entidades que organizaram o ato sobre a Colômbia e também pela informação equivocada de que o ato foi realizado na "Casa", quando o local de realização do mesmo foi o Sintrasef.
Atenciosamente,
Raquel Júnia Estagiária de jornalismo do Núcleo Piratininga de Comunicação - em colaboração para o Brasil de Fato











Apoio ao povo boliviano
Como defensor da luta democrática, parabenizamos toda a Equipe Editorial do Jornal Brasil de Fato , por divulgar temas relevantes,entre os quais destacamos, o empenho do Presidente da Bolívia, companheiro Evo Morales, que vem priorizando a melhoria da qualidade de vida dos menos favorecidos daquela Nação irmã. Apoiamos todas iniciativas do mencionado governo, que venha ampliar a inclusão social. Também condenamos todas as atitudes dos governantes nazistas norte-americanos, que vem se infiltrando nos assuntos internos da Bolívia.