Povo em marcha
Alexandre Conceição
25/04/2007
Eu vi o povo chegando dos latifúndios ocupados e dos latifúndios conquistados. Eu vi as crianças alegres, umas no braço e outras correndo de um lado para o outro.
Ah, e as bandeiras vermelhas e os chapéus eram tantos, balançavam que balançavam na chuva que caía desde o dia anterior.
Eu vi o povo formando fileiras pra marchar com bandeiras em punho e esperança no olhar. Eu vi a classe média reclamar, mais vi também muitos buzinar, acenar dando apoio aos que marchavam e os ricos se arrepiarem de medo.
Eu vi o exército preparado para guerra, com trincheiras, homens e armas de fogo. E a marcha só tinha uma arma, a organização.
E a chuva essa também veio participar desde cedo, foi a primeira a chegar, molhava o chão duro coberto pelo asfalto, onde a marcha dava seus passos rumo ao palácio, ela veio nos acompanhar do inicio ao fim, só deu uma paradinha na hora de todos lancharem, ela não quis atrapalhar.
Eu vi a praça tomada pelo povo, pra descansar e se alimentar, de pão e fé. Fé na luta fé no homem, fé no futuro...
E a Conde da Boa Vista ficou tomada de canto a canto pelo mar vermelho de gente que veio pra lutar.
Ah, eu vi a embaixada americana balançar, tremendo de medo do povo; Lá haviam soldados armados pra defender o assassino do Bush e sua política de morte, eram tantos como não tinha jamais visto, por lá.
Vi o povo parar a marcha, protestar e vaiar, mas vi muitos se emocionarem de raiva e indignação, de cima do mini-trio o povo se arrepiava ao falar ao microfone e nas fileiras o povo gritava e pulava pra dizer bem alto: FORA BUSH, PATRIA LIVRE!.
Eu vi os cantadores e poetas, animando a festa, cantarem; Marcha com a gente, marcha, é o Brasil em fileiras...
E os fogos anunciavam a nossa chegada, já estávamos lá no palácio do governo, depois de 15 km caminhado. No palácio tinha muito soldado do choque, estavam de prontidão. Tinham outros disfarçado tirando fotos e filmando. Mas o povo sem medo gritava: “venha governador está aqui no papel o que queremos, a reforma agrária. Hoje foi pra entregar a pauta, a manhã será pra tomar o palácio das Princesas e fazer-lo palácio do povo e decretar o fim do latifúndio, da violência da impunidade...”
Na sala das bandeiras dentro do palácio eu vi um governo conversar, se explicar e prometer, enquanto a marcha dava o tom e cobrava apoio para produção, educação, saúde e políticas pra juventude e de gênero.
Na saída do palácio eu vi a chuva, parceira de todas as horas, cair ainda mais forte, queria ver o encerramento, bandeiras balançando, chapéus pingando, nas cabeças e o Olé, Olé, Olá é o Sem Terra botando pra quebrar. Foram 19 ocupações, dois atos públicos, um na BR 232 e outro na BR 101. Das ocupações, uma espinha de Surubim com osso de bode na goela da burguesia nacional e também do Banco Mundial, assim foi a ocupação do Pontal.
E pra encerrar e todos se preparar, vem ai o maior congresso de camponeses e camponesas da América Latina, e todos numa só voz gritavam: Rumo ao V Congresso Nacional do MST.
Crônica
Muito linda a crônica de Alexandre Conceição. Ela alimenta cada pessoa que lê, pois foi escrita de uma sublime sensibilidade, usando de varias metaforas para dizer as coisas bonitas de nossa gente.
cidadania e sensibilidade
Belíssima crônica de Alexandre Conceição, no seu tom poético demonstra a sensibilidade, a força, a coragem e a esperança de ver este país realizar a justiça social tão óbvia quanto utópica. O que mais me emociona é da União, um povo simples e humilde movido por um ideal coletivo e sua luta se faz caminhando. Avante meu povo querido, meu povo sofrido, meu povo Forte e destemido.
que assim seja
só quero agradecer por poder vislumbrar essa marcha através desta crÔnica tão realista da ótica do autor.obrigada.
Pior que a opressão é a submissão
Bela, a crônica do Alexandre. Pulsante, trazendo aquela sensação de justiça será feita, construiremos aquela sociedade equilibrada, permitindo pleno desenvolvimento a todo mundo, pleno atendimento a todas as necessidades físicas, morais, intelectuais, culturais, espirituais, filosóficas... Mas não desejo ser osso na garganta de ninguém, e sim uma ferramenta de construção. E quando esse estágio estiver alcançado, aqueles que se quedam amuados pela perda de privilégios negados à maioria terão a oportunidade de conhecer valores mais nobres de vida, como solidariedade, fraternidade, senso de justiça, generosidade. Por enquanto, aplica-se o ensinamento do Mestre - "perdoai-os, pois não sabem o que fazem". O convívio com tais valores tem um poder de conquista, de contágio, às vezes irresistível.
marcha do mst
sempre gostei muito do mst acho,inclusive que é um dos unicos movimentos sociais serios e que realmente querem um pais igual para todos um movimento que nao tem medo do "el diablo" como nosso presidente lula que como nao tem coragem de enfrenta-lo se junta a ele. obrigado Alexandre Conceição, por ter relatado de forma tao verdadeira essa marcha que vai ficar para historia.
Estavamamos la
Muitos de nos brasileiros estavam la, e a cada dia da marha sentamos que chegavamos em uma conquista não da esplanada mas de seres humanos que ousava a desafiar o poder do estado em favor de uma nova sociaedade, acho chegar viamos crianças homens e mulheres felises como se dali ja avistavamos um crande rio sendo que estavos no deserto, mas hoje com mais dois anos em marha percebo que ela sempre ficara na historia da classe trabalhadora, do pais e do mundo!! Segumos cantando a musica dos poetas dos cantadores. Gostei muito da cronica do nosso camarada, neste momento da luta de classe que enfrentamos sempre sera valida essa arma que alimenta a auma de quem ousa lutar por um mundo melhor e mais justos e sempre seremos nos internacionalistas por uma nova sociedade Socialismo sempre para quem faz a hiistorio e carrega os sonho nas mãos.....











MST
Eu tenho um imenso respeito pelo MST.A bandeira levantada, a luta dos trabalhadores me dão muita força pra continuar acreditando e lutando na ideia de que "um outro mundo é possível". obrigada MST