“Negros e Alvos” apresenta o "monstro" do Racismo
Numa estética artística que mescla dança contemporânea com a dramaturgia, as situações decorrem perpassando pelas relações familiares, religiosas e racista
20/05/2009
de São Paulo
“È necessário escancarar esse monstro”. A afirmação parte de Monahyr Campos ao definir o que o motivou a escrever a peça “Negros e Alvos” que está em cartaz em São Paulo. O monstro ao qual se refere é o preconceito, que segundo ele eterniza toda a exclusão a que o negro brasileiro está submetido até os dias de hoje, inclusive utilizado pela elite brasileira como estratégia.
Por isso, sensibilizar o público, propor uma reflexão mais aprofundada sobre os aspectos do racismo que geralmente são ignorados pela população em geral é também premissa do espetáculo, abordando “os efeitos psíquicos da exclusão racial e do preconceito internalizado no inconsciente coletivo, além, principalmente de tentar destituir o mito que no Brasil não existe racismo", declara Monahyr.
Numa estética artística que mescla dança contemporânea com a dramaturgia da peça, além do musical presente em vários momentos do ato, as situações decorrem perpassando as relações familiares, religiosas e racista existente no seio da sociedade.
Alienação
No entanto, enganam-se aqueles que pensam que a abordagem da peça traz a imagem do negro na pobreza, miséria e exploração, justamente porque pesquisando ritmos tradicionais brasileiros há uns dez anos, visitando alguns quilombos e convivendo muito com ativistas da causa negra, Monahyr compilou material, entrevistas e observações de campo e chegou a uma conclusão que traça as características do ator principal: um jovem negro, formado em psicologia numa boa universidade, porém alienado do conhecimento de suas origens.
Com esse aspecto almejado para a peça, acompanhada pela reportagem em sua pré-estréia, mostra-se que muitas vezes os negros seguem preceitos e hábitos de vida dos brancos sem perceberam o quão isso afeta negativamente na propagação e preservação de sua cultura e religião.
Fomentando, assim, uma reflexão aos espectadores de que o negro de qualquer classe social pode viver imbuído num preconceito corriqueiro e quase sem notar os acontecimentos do dia-dia. Monahyr explica, “Em nossas pesquisas de campo, percebemos um detalhe impressionante: exceto os negros engajados na causa negra, nenhum dos entrevistados começou a conversa assumindo ter sido vítima de algum exemplo de preconceito racial. Depois de, em média, uns dez minutos, as pessoas iam, gradativamente se lembrando de casos escabrosos”.
Monahyr conclui, “vale a pena assistir, pois, o espetáculo antes de tudo é uma peça de teatro sensível, divertida e emocionante”.
Comentários - 10
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2 Pin Nogueira - 22-05-2009 - 17:20:21h
Negros e AlvosDias 16/17 e 23/24/05/2009
sáb. e dom. às 19h00
Tendal da Lapa
R Constança, 72
Entrada p pedestres pela
R. Guaicurus, 1000
Fone: 3862-1837
Entrada Franca
http://www.youtube.com/watch?v=nhELAor1uWE
3 josé amaro de andrade - 23-05-2009 - 22:57:47h
questões raciais (preconceito)4 Rute Albuquerque - 24-05-2009 - 17:37:17h
educação de qualidade5 Monahyr Campos - 02-06-2009 - 20:06:05h
Educação de qualidadeE não fecha. Deixa ao espectador tirar suas conclusões.
Assistam.
6 Maíra Ferreira - 28-05-2009 - 11:12:12h
O espetáculo foi adiado?7 Monahyr Campos - 02-06-2009 - 19:59:39h
O espetáculo foi adiado?Enquanto isso, segue fazendo apresentações fechadas em escolas e universidades.
Quaisquer informações, ligue para:
Projeto Preto – Produções
Informações: 39237717/92146048
ou monahyr@uol.com.br
Abraços
8 Maíra Ferreira - 04-06-2009 - 13:22:36h
TeatroVou aguardar e torcer para que eles consigam um novo espaço!
Estudo o racismo na minha dissertação de mestrado..
9 Monahyr Campos - 27-06-2009 - 14:21:10h
Pequena correçãoAlgumas pessoas que leram a matéria alertaram sobre um equívoco que tem nos causado algum incômo. No trecho: "(...) traça as características do ator principal: um jovem negro, formado em psicologia numa boa universidade, porém alienado do conhecimento de suas origens.(...)" o autor usou a palavra ATOR para, a meu ver, falar do PERSONAGEM. Benedito, o personagem principal da peça é, de fato "um jovem negro, formado em psicologia numa boa universidade, porém alienado do conhecimento de suas origens", o ator, Ricardo Barbosa, não. Ao contrário, ele é co-produtor do espetáculo e conhece muito sobre o assunto.
1 Juliana Pires - 22-05-2009 - 17:11:31h
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