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“Negros e Alvos” apresenta o "monstro" do Racismo

by cristiano last modified 2009-05-22 09:54

Numa estética artística que mescla dança contemporânea com a dramaturgia, as situações decorrem perpassando pelas relações familiares, religiosas e racista



20/05/2009

Marcio Zonta,
de São Paulo



“È necessário escancarar esse monstro”. A afirmação parte de Monahyr Campos ao definir o que o motivou a escrever a peça “Negros e Alvos” que está em cartaz em São Paulo. O monstro ao qual se refere é o preconceito, que segundo ele eterniza toda a exclusão a que o negro brasileiro está submetido até os dias de hoje, inclusive utilizado pela elite brasileira como estratégia.

Por isso, sensibilizar o público, propor uma reflexão mais aprofundada sobre os aspectos do racismo que geralmente são ignorados pela população em geral é também premissa do espetáculo, abordando “os efeitos psíquicos da exclusão racial e do preconceito internalizado no inconsciente coletivo, além, principalmente de tentar destituir o mito que no Brasil não existe racismo", declara Monahyr.

Numa estética artística que mescla dança contemporânea com a dramaturgia da peça, além do musical presente em vários momentos do ato, as situações decorrem perpassando as relações familiares, religiosas e racista existente no seio da sociedade.

Alienação

 

No entanto, enganam-se aqueles que pensam que a abordagem da peça traz a imagem do negro na pobreza, miséria e exploração, justamente porque pesquisando ritmos tradicionais brasileiros há uns dez anos, visitando alguns quilombos e convivendo muito com ativistas da causa negra, Monahyr compilou material, entrevistas e observações de campo e chegou a uma conclusão que traça as características do ator principal: um jovem negro, formado em psicologia numa boa universidade, porém alienado do conhecimento de suas origens.

Com esse aspecto almejado para a peça, acompanhada pela reportagem em sua pré-estréia, mostra-se que muitas vezes os negros seguem preceitos e hábitos de vida dos brancos sem perceberam o quão isso afeta negativamente na propagação e preservação de sua  cultura e religião.

Fomentando, assim, uma reflexão aos espectadores de que o negro de qualquer classe social pode viver imbuído num preconceito corriqueiro e quase sem notar os acontecimentos do dia-dia. Monahyr explica, “Em nossas pesquisas de campo, percebemos um detalhe impressionante: exceto os negros engajados na causa negra, nenhum dos entrevistados começou a conversa assumindo ter sido vítima de algum exemplo de preconceito racial. Depois de, em média, uns dez minutos, as pessoas iam, gradativamente se lembrando de casos escabrosos”.

Monahyr conclui, “vale a pena assistir, pois, o espetáculo antes de tudo é uma peça de teatro sensível, divertida e emocionante”.

Comentários - 10

Página 1

1 Juliana Pires - 22-05-2009 - 17:11:31h

Sobre
Quando? Onde? Quanto?

2 Pin Nogueira - 22-05-2009 - 17:20:21h

Negros e Alvos
Negros e Alvos - A exceção não pode servir de exemplo
Dias 16/17 e 23/24/05/2009
sáb. e dom. às 19h00
Tendal da Lapa
R Constança, 72
Entrada p pedestres pela
R. Guaicurus, 1000
Fone: 3862-1837
Entrada Franca
http://www.youtube.com/watch?v=nhELAor1uWE

3 josé amaro de andrade - 23-05-2009 - 22:57:47h

questões raciais (preconceito)
Tenho acompanhado pela imprensa escrita e televisada, vários embates a respeito do prec onceito com o negro e nesse momento sobre o problemas das cotas. Eu sou negro de origem humílima, nunca me fiz de vítima, driblei o destino - tive acesso ao saber e ao trabalho. Entrei na universidade aos 27 anos e meus filhos entraram com 17 anos. Que diferença! Assumo a minha negritude e sempre trabalhei nessa diração com os meus filhos. Agora querer dizer que no Brasil não tem preconceito, é brincadeira e de mau gosto. Sou a favor das cotas pelo menos por algum tempo para diminuir o fosso especialmente na educação. Quanto em outras áreas não sou muito a favor, com a educação de qualidade com certeza as portas se abrirão.Percebo que a dificuldade na discussão é porque boa parte dos afro-descentes brasileiros têm dificuldade de assumir sua negritude.Eu nunca sofrir preconceito de maneira assintosa, mas de maneira velada, sutil como já sofrir, mas tiro de letra. Alguns caso até tenho pena é pura ignorância, besteira etc.etc.

4 Rute Albuquerque - 24-05-2009 - 17:37:17h

educação de qualidade
Uma pena eu não saber o seu nome. Sei que sua história -nunca ter-se feito de vítima - é repetida também por outras pessoas. Mas nem todos conseguem! Tenho ficado muito preocupada, ultimamente, com o desgaste que o sintagma: educação de qualidade vem sofrendo. O que seria uma educãção de qualidade? Quanto a nós, negr@s, deve ser aquela que comporta nossas histórias, incluindo o período ANTERIOR à escravidão, somadas às lutas importantes, de resistência, contra um sistema que ainda não era o capitalista, mas já se mostrava igualmente mosntruoso. Uma educação de qualidade há que considerar as diferenças e respeitá-las, sem hierarquizá-las, mas colocando em tela, em alguns momentos, o quanto de positivo têm culturas distintas ( afinal, foram muitos e bastante diferenets entre si os povos africanos que vieram para cá na condição de escravizados!). Ainda que hoje tenhamos leis que obrigam a inclusão da História e das culturas africanas e indígenas nos currículos escolares, o que é bastante positivo tanto quanto necessário, temos histórias de muitoas mulheres e homens negros que não esperaram por políticas públicas e foram, eles mesmos, apoiados por princípios de solidariedade, criatividade, cooperação e etc...e foram investindo em Arte, em Cultura e em Educação,como exemplo temos o Senhor Pretextado, a Sra. Guta, Mãe Stela, e muitos outros.

5 Monahyr Campos - 02-06-2009 - 20:06:05h

Educação de qualidade
O incrível é que o espetáculo aborda exatamente essa temática.
E não fecha. Deixa ao espectador tirar suas conclusões.
Assistam.

6 Maíra Ferreira - 28-05-2009 - 11:12:12h

O espetáculo foi adiado?
O espetáculo foi adiado? Obrigada.

7 Monahyr Campos - 02-06-2009 - 19:59:39h

O espetáculo foi adiado?
Infelizmente, não. O grupo está procurando outro teatro para se apresentar.
Enquanto isso, segue fazendo apresentações fechadas em escolas e universidades.
Quaisquer informações, ligue para:
Projeto Preto – Produções
Informações: 39237717/92146048
ou monahyr@uol.com.br
Abraços

8 Maíra Ferreira - 04-06-2009 - 13:22:36h

Teatro
Puxa, que pena! Obrigada pelas info.
Vou aguardar e torcer para que eles consigam um novo espaço!
Estudo o racismo na minha dissertação de mestrado..

9 Monahyr Campos - 27-06-2009 - 14:21:10h

Pequena correção

Algumas pessoas que leram a matéria alertaram sobre um equívoco que tem nos causado algum incômo. No trecho: "(...) traça as características do ator principal: um jovem negro, formado em psicologia numa boa universidade, porém alienado do conhecimento de suas origens.(...)" o autor usou a palavra ATOR para, a meu ver, falar do PERSONAGEM. Benedito, o personagem principal da peça é, de fato "um jovem negro, formado em psicologia numa boa universidade, porém alienado do conhecimento de suas origens", o ator, Ricardo Barbosa, não. Ao contrário, ele é co-produtor do espetáculo e conhece muito sobre o assunto.

10 Monahyr Campos - 27-06-2009 - 14:22:23h

Pequena correção
Algumas pessoas que leram a matéria alertaram sobre um equívoco que tem nos causado algum incômo. No trecho: "(...) traça as características do ator principal: um jovem negro, formado em psicologia numa boa universidade, porém alienado do conhecimento de suas origens.(...)" o autor usou a palavra ATOR para, a meu ver, falar do PERSONAGEM. Benedito, o personagem principal da peça é, de fato "um jovem negro, formado em psicologia numa boa universidade, porém alienado do conhecimento de suas origens", o ator, Ricardo Barbosa, não. Ao contrário, ele é co-produtor do espetáculo e conhece muito sobre o assunto.