Marxismo e teatro
Brecht e Walter Benjamin foram os primeiros a teorizar a arte dramática como ferramenta de transformação
10/08/2008
Vanessa Ramos
de São Paulo
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A relação entre marxismo e teatro foi estabelecida, de modo mais importante, nos anos de 1920, na Alemanha. O dramaturgo Bertolt Brecht e o filósofo Walter Benjamim foram os primeiros a atrelar suas reflexões e atuações à insatisfação com a ordem social. Brecht, que nesse período já se afirmava marxista, construiu uma relação teórico-prática de enorme relevância para o teatro nessa linha.
No campo teórico, desenvolveu o conceito dr teatro épico, em que demonstrou que esse tipo de teatro se defronta com todos os aspectos da ideologia burguesa presentes na sociedade, ao contrário do dramático. Já na prática, “além de escrever peças inteiramente inspiradas na teoria marxista, como é o caso de A santa Joana dos Matadouros, desenvolveu as peças didáticas, que fazem parte do repertório do teatro de agitprop (agitação e propaganda) alemão”, explica a pesquisadora Iná Camargo.
Transformação
Quanto ao filósofo Walter Benjamin, sua importante contribuição foi a construção do conceito de “autor como produtor”. Inspirado nos experimentos de Brecht, desenvolveu durante um ensaio a idéia de que o artista deve se reconhecer como trabalhador e lutar pela transformação das relações de produção.
Essas relações de produção estão explícitas em nossa sociedade. Observando-se nas cidades, por exemplo, como se revelam as condições brutais da classe trabalhadora. Num contexto social ampliado, ao questionar sobre a possibilidade de relacionar a produção teatral e a cidade, a partir de uma visão marxista, Iná afirma que é possível estabelecer essa relação, porém “é preciso que essa visão seja mais pautada pela luta de classes do que pelo fetichismo da mercadoria”.
Brasil
No Brasil, o marxismo influenciou muitos dramaturgos, no período de 1950, que, sensíveis aos problemas sociais, tornaram-se ícones de uma nova mentalidade no país e, até os dias atuais, instigam profundas reflexões sobre o papel do teatro como instrumento de politização. Entre eles podemos citar Fernando Peixoto, Gianfrancesco Guarnieri, Augusto Boal, Dias Gomes, entre outros.















