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A globalização nos tempos de Maurício de Nassau

by cleber last modified 2006-07-11 21:04

Cia. Ocamorana apresenta espetáculo teatral que retoma as invasões holandesas no Nordeste brasileiro, a partir de uma leitura crítica do capital internacional

Cia. Ocamorana apresenta espetáculo teatral que retoma as invasões holandesas no Nordeste brasileiro, a partir de uma leitura crítica do capital internacional

Cristiane Gomes
> De S&atilde;o Paulo<em>

Os conceitos de globalização e de capital internacional parecem recentes na história da humanidade. Estes termos começaram a ser usados em grande escala em todo o mundo a partir do começo da década de 90. É nesta época também que as questões de mercado se transformam em prioridade na chamada aldeia global. Tudo gira em sua volta e todos falam sua língua. Mas seria esta uma nova realidade? É necessário deixar claro que as aparências podem enganar. Principalmente quando se vê a história com olhos críticos.

É isso que mostra o espetáculo teatral A Guerra dos Caloteiros, da Companhia Ocamorana de Pesquisas Teatrais, em cartaz na cidade de São Paulo. A peça trata da chegada dos holandeses

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Página da Companhia Ocamorana

Breve introdução da peça Guerra da Libertação Divina

no região Nordeste no Brasil no século XVII, quando a Companhia das Índias Ocidentais resolve investir em um lucrativo produto, o açúcar. Para isso, necessita de terras e mão-de-obra: solo brasileiro e trabalho dos africanos escravizados. "A globalização é um rótulo, um equívoco cultivado por ideólogos estadunidenses. O capitalismo sempre foi global e uma das suas primeiras figuras foi o holandês, que já veio com um sentido de industrialização e uso de mão-de-obra escrava. Por isso, o único jeito decente de tratar esta invasão é lembrando a primeira figura do capitalismo na história. Estamos contando uma aventura do capital. A Companhia das Índias Ocidental, de propriedade dos holandeses, ocupou o Nordeste brasileiro por uma questão de negócios", afirma Iná Camargo Costa, autora do texto teatral juntamente com Márcio Bonaro, diretor do espetáculo.

Bonaro explica que a idéia de tratar deste tema surgiu quando o Ocamorana ocupava o Teatro de Arena Eugênio Kusnet. Influenciados pelas peças do Arena, como Arena conta Zumbi, que tratava sobre questões da história nacional, o grupo decidiu que, em seu primeiro trabalho de dramaturgia própria, falaria sobre questões históricas. "Em vários documentos oficiais, este período das invasões holandesas é mostrado o momento em que a nação brasileira e o exército nacional surgiram. O lugar do encontro de índios, europeus e negros que deu origem ao povo brasileiro. Mas é preciso perceber o quanto essa versão é mentirosa".

Trilogia

A Guerra dos Caloteiros é a primeira parte da trilogia A Guerra da Libertação Divina. O grupo fez esta opção diante da impossibilidade de se contar uma história tão complexa em apenas um espetáculo. A segunda parte mostrará a guerra entre holandeses e brasileiros (em nome de Portugal) e a última peça, o arremate na desconstrução da versão oficial, repleta de falsos heróis e histórias mal contadas.

"Esta opção representa um grande ganho na proposta para o repertório do grupo Ocamorana. Quem tiver a oportunidade de ver as três peças poderá fazer o enlace de tudo e perceber até onde somos atingidos por esta realidade do capital internacional. E este é o exercício do teatro: fazer pensar criticamente", defende Clóvis Gonçalves, integrante do elenco.

A busca nas raízes históricas das questões enfrentadas pelo capitalismo atual também permeia a montagem. "Algo interessante é pensar no dinheiro que foi acumulado das ações vindas do tráfico negreiro e do açúcar. Empresas como Shell e Philips têm hoje um dinheiro que, apesar de ser legalmente delas, possuem sua origem no acúmulo destas práticas históricas. Estas empresas estiveram ligadas ao tráfico negreiro", diz Benito Carmona que também está no elenco.

A Guerra dos Caloteiros fica em cartaz no Teatro Fábrica, na capital paulista até 30 de julho. Depois realiza duas apresentações gratuitas no Engenho Teatral nos dias 5 e 6 de agosto. A partir de 11 de agosto, segue para o teatro Paulo Eiró.

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Endereços:

Teatro Fábrica
> Rua da Consola&ccedil;&atilde;o, 1623<br> Sextas e sábados: 21h30
> Domingos: 20h30 - At&eacute; 30 de julho<br>

Engenho Teatral
> Ao lado da esta&ccedil;&atilde;o Carr&atilde;o do Metr&ocirc;<p>

Teatro Paulo Eiró - a partir de 11 de agosto
> Rua Adolfo Pinheiro, 76 Santo Amaro.<p>


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