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Congresso do MST reúne mais de 18 mil trabalhadores

by jpereira last modified 2007-06-08 14:19

Objetivo da atividade realizada em Brasília, entre 11 e 15 de junho, será comemorar as conquistas dos sem-terra e discutir os novos desafios para a realização da reforma agrária

Objetivo da atividade realizada em Brasília, entre 11 e 15 de junho, será comemorar as conquistas dos sem-terra e discutir os novos desafios para a realização da reforma agrária

07/06/2007

 da redação

Mais de 18 mil delegados de assentamentos e acampamentos de 24 estados participam do 5º Congresso do MST, o maior da história, sob o lema "Reforma Agrária: por Justiça Social e Soberania Popular", no Ginásio Nilson Nelson, em Brasília, entre 11 e 15 de junho.

O evento será uma festa para comemorar as conquistas dos sem-terra nos últimos 23 anos, demonstrando a unidade dos integrantes do movimento e apoio da sociedade à luta pela Reforma Agrária. "É um momento de fortalecimento e consolidação do Movimento, trabalhando a mística e valores", afirma o integrante da coordenação nacional do MST, Gilmar Mauro.

Durantes os cinco dias, os trabalhadores rurais ficam acampados em torno do ginásio, onde acontecem os debates sobre o atual estágio da questão agrária, o papel do Estado, sobre o governo Lula e a conjuntura política internacional. "O Congresso é um espaço de confraternização interna, no qual temos a possibilidade de encontrar toda a companheirada que faz a luta de norte a sul do país. É um momento impar onde podemos fazer as discussões, estudos e estabelecer as táticas", define.

Segundo o movimento, este 5º Congresso ocorre em uma conjuntura distinta. O país apresenta uma nova conjuntura da questão agrária, que passou por mudanças na década de 90, quando o mundo viveu um processo de globalização capitalista, que impôs aos países periféricos no meio rural o chamado agronegócio. O modelo agroexportador é caracterizado pela produção em grandes extensões de terra de monocultura para exportação, de forma mecanizada e com a expulsão de mão-de-obra do campo. O avanço do agronegócio e das empresas transnacionais, sob a hegemonia do capital financeiro, mudou a questão agrária no país.

Por outro lado, a pobreza, superexploração do trabalho dos camponeses e a concentração de terra continuam sem solução. Mais de 230 mil famílias estão acampadas pelo país, das quais 140 mil integram o MST.

Programa agrário

Diante disso, os movimentos sociais tiveram que criar novas formas de luta para fazer o enfrentamento com esses setores, que se constituem como obstáculos para a democratização do acesso à terra e produção agrícola.

"No Congresso, queremos fortalecer o MST e o nosso projeto para a sociedade brasileira, em particular em relação à luta pela Reforma Agrária, que significa hoje enfrentar as grandes corporações ligadas ao capital financeiro, enfrentar o agronegócio e, acima de tudo, discutir com a sociedade um novo modelo de agricultura", afirma Mauro.

Diante das mudanças, o MST vai concluir e apresentar à sociedade uma proposta alternativa para o campo brasileiro, intitulada "A Reforma Agrária necessária: Por um projeto popular para a agricultura brasileira".

O programa agrário apresenta objetivos e propostas concretas para a resolução da questão agrária, com a garantia de boa qualidade de vida e trabalho aos sem-terra e a superação da brutal desigualdade social no campo.

O MST propõe o modelo da soberania alimentar, com a produção de alimentos a toda a população, e a preservação da natureza. Segundo Mauro, o lema do Congresso surgiu da compreensão do Movimento de que o combate às desigualdades e a garantia da efetiva participação política da população dependem da mudança da estrutura fundiária no país. "A luta por Reforma Agrária está casada com a busca por Justiça Social e Soberania Popular, dentro de um conjunto de lutas da classe trabalhadora para alterar as condições de trabalho, o modelo econômico e agrícola para caminharmos na perspectiva de discutir com a sociedade brasileira um novo projeto para o Brasil".  


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