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Expansão dos eucaliptos causa 'bomba social' no sul da Bahia, diz pesquisadora

by jpereira last modified 2007-06-14 08:47

Monocultivos expulsam trabalhadores do campo e incham as pequenas e médias cidades

Monocultivos expulsam trabalhadores do campo e incham as pequenas e médias cidades


14/06/2007


Ana Claudia Mielki,
de Brasília (DF)


Com o avanço do monocultivo de eucalipto crescem os problemas no campo. Devido ao assédio das empresas, pequenos agricultores acabam arrendando ou vendendo suas terras. Além disso, trabalhadores rurais assentados têm enfrentado problemas de acesso às áreas vizinhas aos eucaliptais e, por conta da segurança particular contratada pelas empresas, convivem também com a violência.


Em entrevista, Ivonete Gonçalves, coordenadora do Centro de Estudos e Pesquisas para o Desenvolvimento do Extremo Sul da Bahia (Cepedes), falou que as plantações de eucalipto também têm conseqüências para a cidade, uma vez que provoca êxodo rural, desemprego e violência.



Quais os principais problemas que vocês têm enfrentado na região do extremo Sul da Bahia?

Ivonete Gonçalves - Nós temos na Bahia, principalmente no extremo Sul da Bahia, um problema muito sério. A gente costuma dizer que nós estamos vivendo uma “bomba social”. As pequenas e médias cidades incharam, a violência está muito grande. Segundo pesquisas que nós (Cepedes) realizamos, as pessoas que foram expulsas do campo e que vieram para cidade não têm como sobreviver na cidade. Elas não conseguem trabalho na cidade, não se adaptam bem. E a pessoa no campo come três vezes por dia, elas não sabem o que é passar fome. Então, nas cidades, elas acabam se envolvendo no crime, nas drogas, e por isso a violência tem crescido muito.


Como que o monocultivo de eucalipto está causando esse êxodo rural?

Ivonete - Isso acontece porque até os pequenos proprietários estão vendendo suas terras para Veracel. Mas tem plantios também de outras empresas em outros municipios. São cinco ao todo na Bahia: Veracel, Suzano Bahia Sul, Aracruz Celulose, CAF e Santa Bárbara. Essas duas últimas tem o plantio menor. Quem domina mesmo é a Aracruz e Veracel, sendo que Veracel também é Aracruz, já que é composta por 50% Aracruz e 50% Stora Enzo, que é uma empresa finlandesa. E a Suzano que fica mais acima, quase ao lado do Espírito Santo. Um dos grandes parceiros dessas empresas era o governo passado. A última licença de dezembro de 2006, licenciava 20 mil hectares para a Suzano plantar sem dizer o local, ou seja, em qualquer lugar que ela quisesse. Isso não existe, isso é ilegal. Inclusive estamos recorrer na Justiça para ver o que vais e fazer.


E quais são os danos ao meio ambiente que você tem percebido lá no Sul da Bahia?

Ivonete - São danos de toda ordem. A começar pela beleza cênica a qual todos nós temos direito, as gerações futuras têm direito. O que a gente vê principalmente é a falta de conectividade da biodiversidade. Hoje o extremo sul está reduzido apenas aos parques, que são três parques nacionais no extremo sul. E esses parques não tem conectividade, o que dificulta a vida de algumas espécies, promovendo, inclusive a extinção de algumas delas. Além disso, a gente já detectou por meio de um estudo realizado nas regiões de Mucuri, Alcobaça, Teixeira de Freitas, Caravelas, o secamento de diversos córregos, rios e nascentes e já têm algumas comunidades sofrendo com a falta d'água. Até pequenos plantios, hoje já estão tendo que ser irrigados, a água está ficando mais difícil.


Existe também o fomento florestal, como ele funciona na Bahia?

Ivonete - O fomento é na verdade outro grande problema, que a gente tem refletido muito sobre como resolvê-lo. Porque eles fazem todo tipo de sedução para os proprietários de terra, pequenos, médios, grandes, para eles não importa, o que importa é plantar o eucalipto. E não é um fomento, porque na verdade eles [as empresas] fazem um contrato com a pessoa, fornecem as mudas, fornecem os venenos, fornecem os técnicos e a pessoa só pode vender para a empresa com a qual assinou o contrato. Então isso não é fomentar. E mesmo assim, a dificuldade maior é que as pessoas ficam seduzidas porque a principio é um dinheiro mais fácil. Depois que passam dois, três anos essas famílias começam a ver que fizeram um mal negócio, nós temos casos assim. Que não rende o dinheiro que eles gostariam e que a Veracel, ou outra empresa qualquer, falou que daria. Esses trabalhadores acabam ficando no prejuízo, porque para voltar a ter outro tipo de cultura nessa terra demora um tempo muito grande. É um prejuízo tanto ambiental, tanto cultural, porque as pessoas saem de suas cidades, ficam pulando de município em município procurando o que fazer. Isso também é um problema, porque as pessoas não se reconhecem, não sabem direito de onde são, não tem pertença, e isso traz também um grande prejuízo para a cultura.


Que tipo de conseqüência esse isolamento dos eucaliptais trazem para os assentamentos da Reforma Agrária ?

Ivonete - Os poucos assentamentos que existem na região, que são quatro, estão ilhados e passam por uma dificuldade muito grande. A gente tem acompanhado um pessoal que mora no município de Itapebi que tem um vida bastante difícil por causa desse isolamento, e como o assentamento fica muito longe das outras comunidades eles têm diversos problemas. Primeiro de acesso. Os plantios têm seguranças particulares das empresas e é uma segurança violenta. É uma segurança que maltrata os trabalhadores. Você não pode entrar, nem passar, nem pegar uma água. E também os problemas com plantios, porque com o isolamento vai crescendo a dificuldade de acesso à água. E os trabalhadores têm muito medo desse isolamento, porque ele realmente causa muita violência ao redor. Onde tem eucalipto tem violência.

NADDA

Posted by BRUNA at 2007-08-02 16:26

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eucalipto

Posted by alexandre at 2008-01-15 11:07

Companheiro, gostaria de saber se não tem dados Científicos, que Comprovam, realmente a Sucção de água e como ele por parte do e danos. Ou seja uma argumento cienti.

Plantio de eucalipto

Posted by Luis Carvalho at 2008-10-01 16:25

Acho que o plantio de eucalipto pode ser uma opção para diminuirmos a degradação da Amazônia. O mundo atual precisa de madeira. Até nós que moramos no sítio precisamos de telhados, móveis, papel para livros e cadernos, etc . Da onde vai vir esta madeira se não plantarmos eucalipto ? Não podemos ser EXTREMISTAS, se as empresas estão invadindo mananciais ou mesmo plantando em grandes áreas contíguas vamos procurar um meio termo técnico. De outro modo se formos totalmente contra todas as grandes empresas o que vai nos restar como opção ? Conheço vários líderes do MST que utilizam celular com web cam, notebook, tv plasma, automóveis, roupas industrializadas, etc, e todos nós TEMOS QUE ADMITIR que tais confortos tem um grande custo ambiental. Atá alguns índios estão usando produtos industrializados e o que dizer do pessoal das ongs internacionais e do green peace, muitos ainda usufruem dos confortos da vida moderna. Acho assim, que vou plantar mesmo 10 hectares de eucalipto no meu sítio ( 50 hectares )onde 20 são reserva natural onde não deixo arrancar nem um toco, onde os saguis brincam e os passarinhos vivem em paz. Estou certo de que esta é a melhor opção para que dentro de 7 anos possa ter uma reserva de capital. Não vou usar o dinheiro das empresas, graças ao fato de não usar cigarro nem wiski nem pinga, eu e minha mulher economizamos o dinheiro para implantar os 10 hectares de eucaliptocomuma CONSCIENCIA ambiental e moral limpa, visto que por nunca ter usufruído de qualquer recurso público, jamais terei de prestar contas a Deus por ter tirado da boca de crianças e doentes pobres o recurso público que se destinava a eles. Não tenho: TV plasma, notebook, celular, automóvel. Tenho: coragem para trabalhar sem recurso público, uma casa , um sítio, uma consciencia tranquila e se Deus quiser TEREI; 10 HECTARES DE EUCALIPTO ! E a violência : Antes do eucalipto ser plantado ela já existia. A violência é um processo irreversível não causada pelo eucalipto. Suas raízes estão nas condições degradadas das famílias, o descaso pelas normas de moral de Deus, pelo arrogante desprezo por parte dos intelectuais ateus das coisas referentes a Bíblia, pela crença de uma geração que pregava o sexo, drogas e rock como a verdadeira opção para a humanidade. Pois está aí, hoje esta mesma geração está sendo assassinada, violentada, eles seus filhos e seus netos pelos mesmos traficantes que nasceram da contra cultura que eles plantaram, só que agora é muito tarde; o tráfico e as drogas invadiram e permeiam todas as rodas da sociedade MUNDIAL, a violência é apenas um dos seus efeitos e se quiser anotem: Isso é só o começo, vocês ainda vão ver a violência se espalhar mais e mais até as partes mais remotas do país, mesmo que lá não se plante NEM UM ÚNICO PÉ de EUCALIPTO!


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