Cresce o número de empresas estrangeiras de etanol no Brasil
Maria Luisa Mendonça e Marluce Melo
Os incentivos do governo à produção de agroenergia atraíram empresas estrangeiras que pretendem lucrar com a expansão do setor. Essas empresas compram terras e usinas para a produção de etanol, causando a desnacionalização da indústria e do território brasileiro. No dia 23 de dezembro de 2007, o jornal O Estado de S.Paulo publicou uma lista dessas empresas, que inclui:
- BRENCO: Fundo formado por diversas empresas e coordenado pelo indiano Vinod Khosla, um dos donos da Sun Microsystem. Tem projetos para construir dez usinas no Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás.
- ADECO: Fundo formado por várias empresas e coordenado por George Soros. Comprou a usina Monte Alegre, em Minas Gerais, e possui três projetos de novas usinas no Mato Grosso do Sul.
- COMANCHE CLEAN
ENERGY: Grupo formado por diversas empresas inglesas e estadunidenses, que não se identificam. Possui três usinas e duas destilarias de etanol em São Paulo e pretende construir uma usina no Maranhão.
- INFINITY BIO-ENERGY:
Grupo de 50 empresas, que inclui Merrill Lynch, Wellington Management, Stark Investments, Kidd & Company e Ranch Capital Investment. Possui quatro usinas e está construindo outras três, além de negociar a compra de cinco usinas em funcionamento.
- CLEAN ENERGY: Fundo de investimentos inglês, com dezenas de empresas. Comprou usinas em funcionamento, possui 33% das ações da Usina Unalco, no Mato Grosso do Sul, e tem projetos no Paraná e em São Paulo. Há alguns anos, verificase um aumento do ritmo de aquisições no setor sucro-alcooleiro. Entre 2000 e 2004, foram negociadas 20 usinas no Brasil, a maioria em São Paulo. A partir daí, houve um crescimento na participação de empresas estrangeiras e um aumento na concentração do poder econômico de determinados grupos.
Até 2005, os principais grupos estrangeiros com participação no setor eram as empresas francesas Louis Dreyfus, que adquiriu as usinas Cresciumal (em São Paulo) e Luciância (em Minas Gerais); e a Béghin-Say, que adquiriu as usinas Guarani e Cruz Alta em São Paulo. A empresa Cosan tinha participação dos grupos Béghin-Say e Trading Sucden (Franco- Brasileira Açúcar e Álcool S/A), que adquiriram cinco usinas. Em 2007, a francesa Dreyfus ampliou suas operações adquirindo usinas do grupo Tavares de Melo, em Pernambuco e no Rio Grande do Norte.
Entre 2005 e 2007, o número de aquisições e fusões cresceu consideravelmente, quando ocorreram 45 operações com participação de empresas estrangeiras. Entre estas, 23 ocorreram em 2007. Existem hoje 367 usinas no Brasil, controladas por cerca de 80 empresas. Neste ano, estima-se que outras 29 entrarão em funcionamento.















