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Cocaleros decidem se mobilizar contra referendo em Santa Cruz

by paula last modified 2008-05-06 10:59

Segundo um de seus dirigentes, a decisão se deve a um pedido de ajuda de setores sociais do departamento opositor; intenção é impedir o envio de urnas aos locais de votação

Segundo um de seus dirigentes, a decisão se deve a um pedido de ajuda de setores sociais do departamento opositor; intenção é impedir o envio de urnas aos locais de votação

16/04/2008


Igor Ojeda

Correspondente do Brasil de Fato de La Paz (Bolívia)


As seis federações de cocaleros (plantadores de coca) de Cochabamba decidiram, na terça-feira (15), realizar uma mobilização em direção à Santa Cruz, com o objetivo de impedir a realização do referendo sobre o estatuto autonômico deste departamento, marcado para 4 de maio. Os plantadores de coca são um dos setores sociais mais combativos da Bolívia. Foi como dirigente local que o atual presidente, Evo Morales, ganhou projeção.

Segundo Julio Salazar, dirigente cocalero e chefe departamental do MAS (Movimiento Al Socialismo, partido no governo) de Cochabamba, “a intenção é deter o envio de urnas, não se deve instalar nenhuma, para evitar mais problemas em nosso país”. Além disso, os movimentos querem “evitar uma fraude”, já que o processo será realizado sem controle de nenhuma instituição que não seja de Santa Cruz.

O referendo de 4 de maio não deverá contar com observadores internacionais, já que entidades estrangeiras, como a Organização dos Estados Americanos (OEA) e a União Européia (EU), negaram-se a mandar representantes, pois consideram a consulta ilegal. De acordo com Salazar, pesou na decisão dos cocaleros um pedido de ajuda de setores sociais de Santa Cruz que pretendem resistir à realização do pleito. Alguns dias antes, o presidente boliviano havia convocado uma resistência pacífica ao referendo, que ultimamente está sendo chamado por integrantes do governo de “apenas uma consulta milionária”, em referência à quantia que se vem gastando para sua preparação. Evo Morales instou os movimentos populares a promoverem, no dia 4 de maio, mobilizações nas capitais dos departamentos em repúdio à consulta e em favor da unidade do país.




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