EUA querem enfraquecer a Bolívia
"É evidente que a intenção do império é enfraquecer a Bolívia, assim como poderia fazer com o Equador, Venezuela ou outros países da América Latina", avalia Martha Harnecker
06/05/2008
Leopoldo
Vegas Rondón
Rebelión.org
Ainda
que seja vista como uma das principais assessoras do presidente
da Venezuela, Hugo Chávez, Martha Harnecker assegura que trabalha com o governo venezuelano. Durante anos, assessorou o governo de Cuba e esteve casada
com o comandante Piñeiro ("barba roja"), um dos líderes
históricos da Revolução Cubana. È
psicóloga de profissão e se define como educadora
popular. Autora de mais de 70 livros, entre eles “Los
conceptos elementales del materialismo histórico y de los
cuadernos de educación popular”, foi discípula de Louis Althousser na França. No Chile, onde nasceu, foi
docente universitária e educadora popular de operários
e campesinos. Foi editora de uma revista política na época
de Salvador Allende.
Nesta entrevista, Martha Harnecker avalia a recente pressão separatista da elite de Santa Cruz de La Sierra em uma tentativa para enfraquecer o governo de Evo Morales. Para ela, o movimento tem apoio dos Estados Unidos que tenta enfraquecer o Estado central sob controle de uma liderança indígena e progressista.
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse que na Bolívia está se inciando um movimento separatista. Quais são as bases para fazer esta afirmação?
Na própria Venezuela surgiu uma intenção similar no estado de Zulia, uma região petroleira muito rica, e sabemos que no Brasil também se projetou separar o Sul. A autonomia é uma bandeira dos movimentos indígenas, dos setores progressistas e, também, do projeto da sociedade que se pretende construir para permitir administrar locais menos burocráticos. Não obstante, devemos diferenciar que uma coisa é a descentralização, por meio das autonomias, e outra é querer enfraquecer o Estado Nacional.
_______________________________
A quem
interessa enfraquecer o
Estado central? Não é aos
governos
progressistas, mas sim aos governos das
potências, em
especial
dos Estados Unidos
________________________________
Em seu critério, em qual das duas se encontra Santa Cruz?
Creio que todos os países que têm levantado as bandeiras sobre este propósito autonomista é com a intenção de enfraquecer o Estado central. Em nosso processo (de esquerda) é fundamental um Estado forte, respeitando as autonomias e fazendo com que a descentralização seja capaz de dar uma linha estratégica de desenvolvimento do país. A quem interessa enfraquecer o Estado central? Não é aos governos progressistas, mas sim aos governos das potências, em especial dos Estados Unidos porque, evidentemente, um Estado forte de um governo progressista é muito mais perigoso para seus interesses do que um Estado fraco.
Como explica que países como Argentina, Brasil, inclusive Venezuela, são estados federais e com governos centrais fortes?
A diferença está em que se há regiões dentro desses países com grandes riquezas naturais, esses recursos são utilizados para impulsionar um desenvolvimento mais harmônico nacional, não para a região específica. Isso é o que ocorre na Venezuela, por exemplo. O petróleo está nas mãos do Estado nacional e graças a isso se tem decidido destinar uma grande parte dos rendimentos para fazer trabalhos sociais nos lugares mais desvalidos do país. Isto não aconteceu na Iugoslávia, onde as regiões se desenvolvem muito desigualmente. Têm que ser solidários.
O presidente Chávez falou de uma “kosovização” da Bolívia...
Muitos analistas têm estudado os processos históricos e pela presença do Embaixador dos Estados Unidos na Bolívia (Philip Goldberg), que foi o artífice da divisão da Iugoslávia, podemos temer que ocorram essas questões. É evidente que a intenção do império é enfraquecer a Bolívia, assim como poderia fazer com o Equador, Venezuela ou outros países da América Latina. Aparentemente aqui há um elo fraco e trabalham nesse aspecto.
__________________________________
É
evidente que a intenção do império
é
enfraquecer a Bolívia, assim como poderia
fazer com o Equador,
Venezuela ou
outros países da América Latina
______________________________
Por que crê que os EUA tentam enfraquecer os países que mencionou?
Porque são os novos governos que estão fazendo políticas de interesses para nossa América Latina e, obviamente, paralisar a ALCA (Área de Livre Comércio para as Américas) foi um golpe para os Estados Unidos. Eles percebem que na América Latina estão surgindo governos que não são súditos da política dos Estados Unidos, mas sim que têm sua própria linha de ação, sua coordenação para tratar de resolver seus problemas de forma humanitária e solidária entre os países.
O que você considera apoio e solidariedade, alguns setores classificam como ingerência externa. A que se deve essa diferença de enfoques?
Não imagino que isso seja um argumento, porque se os governos chegam a um acordo para fazer projetos em comum, que rendem frutos para todos, não vejo ingerência. Que há de mal que companheiros de outros países venham a alfabetizar os bolivianos? Bem-vindos são os que façam essas tarefas.
















