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Multidão em El Alto rechaça separatismo em Santa Cruz

by jpereira last modified 2008-05-06 11:18

Sob o lema ''Bolívia unida, nunca dividida'', movimentos sociais rejeitam a consulta separatista promovida pelo governador oposicionista do departamento de Santa Cruz, Rubén Costas

Sob o lema ''Bolívia unida, nunca dividida'', movimentos sociais rejeitam a consulta separatista promovida pelo governador oposicionista do departamento de Santa Cruz, Rubén Costas

05/05/2008

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Portal Vermelho

Sob o lema ''Bolívia unida, nunca dividida'', diversos movimentos sociais concentraram dezenas de milhares de pessoas neste domingo (4) em El Alto, imensa cidade-dormitório a 30 km de La Paz, para rejeitar a consulta separatista promovida pelo governador oposicionista do departamento de Santa Cruz, Rubén Costas. Na capital boliviana, outra grande multidão reuniu-se para protestar contra o ''referendo'' separatista.

A manifestação de El Alto foi convocada pela Confederação Sindical de Colonos da Bolívia, filiada à histórica COB (Central Operária Boliviana), pelo Movimento Cocaleiro, a Federação Agrária Nacional e outras organizações que rechaçam a ''consulta eleitoral'' no departamento de Santa Cruz.

Líder indígena pede prisão de separatistas

Genaro Quispe, militante indigena aimará (a mais numerosa da Bolívia, ao lado da quechua), vindo de Camacho, no departamento de La Paz, foi um dos oradores da concentração em El Alto. Ele considerou que a liegalidade da consulta separatista, programada para este domingo em Santa Cruz se reflete no fato de que em nenhum país democrático se realizou uma manobra semelhante.

''Viemos rechaçar esse estatuto ilegal, cuja ilegalidade se reflete no fato de que em nenhum país democrático já se realizou um intento separatista desse tipo'', disse Quispe.

O militante indígena assinalou que o ''estatuto autonômico'' proposto pelo governador cruzenho viola os princípios democráticos da Bolívia, ''princípios vigentes há mais de 20 anos neste país'', além de desafiar a autoridade do organismo eleitoral superior da Bolívia, a Corte Nacional Eleitoral.

Quispe também exigiu a prisão dos membros da Corte Eleitoral departamental de Santa Cruz, do governador do departamento, Ruben Costas, e dos integrantes do chamado ComitIe Cívico, que patrocinam a consulta ilegal às urnas.

El Alto, uma cidade rebelde

O programa da concentração de El Alto é deslocar os seus participantes para que se somem aos manifestantes de La Paz, na Praça San Francisco. Ali se realizará uma assembléia aberta dos movimentos populares, para análisar a crise provocada pelos separatistas de Santa Cruz.

A cidade dormitório, com 820 mil habitantes (quase a mesma população de La Paz) e a aparência de uma grande favela de blocos de concreto, toma o seu nome do fato de se situar a 4.100 metros de altitude – mil metros acima de La Paz. Ela teve um papel decisivo durante a ''Guerra do Gás'', movimento de rebeldia que derrubou o presidente Sánchez de Lozada, ''el Gringo'', em 2003. As forças repressivas sob comando do presidente direitista assassinaram mais de 70 pessoas em El Alto, antes de serem derrotadas por uma verdadeira sublevação popular, em 17 de outubro.

Consulta às urnas pretende provocar golpe

A ''consulta autonômica'' pretende fazer com que o departamento de Santa Cruz assuma competências que a Constituição boliviana considera de caráter nacional, como o pleno gerenciamento das reservas de gás e petróleo, que fazem da região a mais rica da Bolívia. Analistas acreditam que o objetivo da iniciativa é estimular um golpe para depor o presidente Evo Morales.

Nesta manhã, verificaram-se incidentes violentos no bairro de Plan 3000, cidade de Santa Cruz (hoje a mais populosa da Bolívia, com 1,3 milhão de habitantes): destacamentos da ''União Juvenil Cruzenhista'', adestrados por paramilitares colombianos, agrediram ativistas sociais que tentavam empedir o referendo inconstitucional.

Evo culpa embaixada americana

O presidente da Bolívia, Evo Morales, acusou neste domingo os Estados Unidos de conspirar pela divisão de seu país. ''O embaixador norte-americano (Philip Goldberg) é o grande defensor da divisão da Bolívia'', disse Evo em entrevista à TV Telesur. ''É a embaixada dos Estados Unidos que encabeça a conspiração. Imaginem o que se passou na OEA'', agregou o presidente.

Reunida neste sábado em Washington, a Organização dos Estados Americanos (OEA) terminou não condenando nem rejeitando a ''consulta'' em Santa Cruz. A diplomacia estadunidense se mobilizou nesse sentido, embora nenhum país reconheça oficialmente a manobra separatista da oligarquia cruzenha.

No entanto, o ''referendo'' recebeu uma desautorização decisiva neste domingo: o comandante-em-chefe das forças armadas da Bolívia, general Luis Trigo, rejeitou o ''estatuto autonômico'', por avaliar que ele feta a segurança nacional. Observadores consideram que o verdadeiro intento da manobra em Santa cruz é abrir caminho para um golpe militar que derrube o governo de Evo.


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