Oposição boliviana suspende ultimato
Decisão foi tomada em virtude das inundações que acontecem no país; prazo para governo atender às reivindicações terminava nesta quarta-feira (13)
Igor Ojeda,
Correspondente do Brasil de Fato em La Paz (Bolívia)
Devido aos desastres naturais causados na Bolívia pelas fortes chuvas de janeiro e fevereiro, a chamada meia-lua ampliada, formada pelos departamentos de Santa Cruz, Tarija, Pando, Beni, Cochabamba e Chuquisaca, decidiu suspender o ultimato dado ao governo do presidente Evo Morales no dia 7 (leia reportagem).
Caso o Executivo não atendesse suas exigências até esta quarta-feira (13), realizariam uma paralisação nacional. A trégua havia sido sugerida no sábado (10) pelo prefeito de La Paz, o governista Juan del Granado, e encampada pelo governo. Desde novembro de 2007, as inundações, atribuídas ao fenômeno “La Niña”, já deixaram 52 mortos, quatro desaparecidos e 56.986 famílias danificadas. As últimas semanas, especialmente no oriente, têm sido mais graves. Na terça-feira (12), Evo Morales declarou desastre nacional em 57 municípios do país (de 327 no total).
As exigências da oposição são basicamente quatro: que se suspenda o corte de parte do Imposto Direto sobre os Hidrocarbonetos (IDH) que era destinado aos departamentos; que se “restaure a legalidade” da aprovação da nova Constituição do país; que sejam realizados referendos nos departamentos da meia-lua sobre seus estatutos autonômicos, redigidos em dezembro do ano passado; e que se convoque uma consulta nacional sobre a sede dos poderes do Estado. Representantes da oposição afirmaram à imprensa que não haverá medidas de pressão imediatas e que uma nova reunião será realizada até sexta-feira (15).












