Oposição confirma controle sobre mais um departamento
Chuquisaca, que estava sem governador desde novembro, elegeu candidata opositora neste domingo; pleito reforçou polarização entre campo e cidade
Igor Ojeda
Correspondente do Brasil de Fato em La Paz (Bolívia)
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Agora, sete dos nove departamentos bolivianos são governados pela oposição ao presidente Evo Morales. Chuquisaca, que estava sem governador desde os acontecimentos de novembro de 2007, na capital Sucre, realizou novas eleições neste domingo (29). Segundo pesquisas de boca-de-urna, a vitória foi de Savina Cuellar, representante do Comitê Interinstitucional de Chuquisaca e ex-membro do Movimiento Al Socialismo (MAS, partido de Evo).
Em novembro, em Sucre, a nova Constituição boliviana foi aprovada pela Assembléia Constituinte, sem a presença da maior parte da oposição e em meio a enfrentamentos entre a polícia e a população da cidade, que exigia – sob a liderança do Comitê Interinstitucional – que o local voltasse a ser capital do país, condição perdida em uma guerra civil no fim do século 19. O então governador do departamento, David Sánchez, do MAS, ameaçado, renunciou ao cargo e fugiu da região.
Chuquisaca se junta a Santa Cruz, Tarija, Beni, Pando (chamados de meia-lua), Cochabamba e La Paz como os departamentos controlados pela oposição. Nos dois últimos, no entanto, Evo Morales possui um amplo respaldo entre a população local. Sob controle dos governistas, permanecem Oruro e Potosí.
Campo x Cidade
De acordo com a boca-de-urna, Savina Cuellar obteve 55,5% dos votos, enquanto Walter Valda, do MAS, ficou com 40,5%. Os números evidenciam, no entanto, a crescente polarização entre campo e cidade que vem acontecendo na Bolívia.
Na área urbana, a candidata vencedora obteve 70,9% dos votos, enquanto Valda conquistou 25,2%. Já na área rural, este alcançou 68,4%, contra 27,5% de Savina.
Nos referendos sobre os estatutos autonômicos ocorridos nos departamentos da meia-lua, entre maio e junho, o maior índice de abstenções foi do campo, que organizou o maior número de atos de resistência às consultas, consideradas ilegais pelo governo.
Filha de camponeses indígenas de Chuquisaca, Savina foi eleita, em 2006, deputada constituinte pelo MAS. No entanto, saiu do partido por desavenças em relação ao tema da capitalidade.
Sobre o assunto, a nova governadora anunciou que coordenará, com os demais departamentos do país, a realização de um referendo nacional para decidir se os poderes Executivo e Legislativo permanecem em La Paz ou voltam a Sucre. Savina afirmou, ainda, que buscará uma aproximação com o governo de Evo Morales.
Já o Executivo, por meio do ministro da Presidência, Juan Ramón Quintana, reconheceu a vitória da oposição e convidou a vencedora a trabalhar conjuntamente uma agenda regional para promover o desenvolvimento do departamento.
















