Senado aprova referendo revogatório de presidente e governadores
Medida aprofunda a disputa política na Bolívia e submete ao crivo da população as políticas do governo de Evo Morales e de seus opositores em dois anos de gestão
09/05/2008

Igor Ojeda
Correspondente do Brasil de Fato em La Paz (Bolívia)
O Senado boliviano aprovou, na quinta-feira (8), a Lei de Referendo Revogatório do Mandato Popular do Presidente da República, do Vice-presidente e dos governadores da Bolívia. Assim, se sancionado pelo presidente, a população deverá decidir pela permanência ou não das autoridades nos cargos para os quais foram eleitos em 2005.
A proposta, que havia sido enviada ao Congresso em dezembro de 2006 pelo Executivo e que há alguns meses estava esquecida, voltou à tona depois da realização, no dia 4, do referendo sobre o estatuto autonômico de Santa Cruz (veja mais reportagens). No fim do ano passado, a Câmara dos Deputados – de maioria governista – aprovou a lei e a enviou ao Senado – de maioria oposicionista –, onde ficou travada.
O “sim” ao estatuto crucenho ganhou com mais de 80% dos votos, mas o governo, que considera a consulta ilegal, lembra que o índice de abstenções, somado aos votos pelo “não”, representam mais de 50% do total.
Diante do impasse, o presidente Evo Morales havia convocado os governadores a um início de diálogo para o dia 12, embora fosse improvável o comparecimento da oposição. Com a justificativa de solucionar a crise política, os senadores oposicionistas decidiram aprovar o referendo revogatório, visto inicialmente pelos governistas como uma tentativa de bloquear as negociações.
No entanto, algumas horas depois, Evo Morales saudou a aprovação, através da qual, segundo ele, o povo terá de volta sua faculdade de pronunciar-se se apóia o processo de mudanças e justiça que sua administração leva adiante ou se prefere um retorno ao passado.
“Sempre dissemos 'sim' às urnas e 'não' às armas. Nossa posição de nos submetermos ao povo é democrática, para que o soberano diga quem serve ou quem não serve para governar e para servir ao povo boliviano”, disse o presidente, que afirmou esperar que o Congresso lhe envie a lei para sancioná-la imediatamente. A partir daí, a consulta deverá ser realizada em 90 dias.
Para o cargo do presidente e dos governadores serem revogados, a votação contrária a eles deve alcançar uma porcentagem maior à obtida para serem eleitos. Nesse caso, Evo Morales só deixa a presidência se mais de 53,74% da população rechaçarem seu mandato.
Pergunta
A pergunta do referendo será: “Você está de acordo com a continuidade do processo de mudanças liderado pelo presidente Evo Morales Ayma e o Vice-presidente Álvaro García Linera?”. Os eleitores deverão responder “sim” ou “não”.
“Não nos preocupa. Nós acreditamos que o presidente tem um alto nível de preferência na opinião pública que, segundo as pesquisas, ainda que não acreditemos muito nelas, supera os 56%, e isso somente nas cidades, sem contar o campo”, disse o porta-voz do governo, Iván Canelas.
No caso dos governadores, a porcentagem para a revogação de seus mandatos deve ultrapassar: Rubén Costas, de Santa Cruz – 47,87%; Mario Cossío, de Tarija – 45,64%; Manfred Reyes Villa, de Cochabamba – 47,64%; Leopoldo Fernández, de Pando – 48,03%; Ernesto Suárez, do Beni – 44,63%; José Luis Paredes, de La Paz – 37,98% (todos estes de oposição); Alberto Aguilar, de Oruro – 40,95% e Mario Virreira, de Potosí – 40,69% (governistas).
Em Chuquisaca, o governador do Movimiento Al Socialismo (MAS, partido de Evo), David Sánchez, renunciou devido aos acontecimentos na capital Sucre, em novembro. O novo mandatário deve ser eleito em 29 de junho. No caso dos governadores, a pergunta do referendo será: “Você está de acordo com a continuidade das políticas, das ações e da gestão do Governador do Departamento?”.
Calcula-se que Manfred Reyes Villa, de Cochabamba, e José Luis Paredes, de La Paz, sejam os mais propensos a perderem seus cargos, por governarem regiões tradicionalmente de forte apoio ao MAS e a Evo Morales.
Referendo Revogatório na Bolívia
A iniciativa do Presidente Evo Morales já demonstra a sua inquestionável coragem e vontade política de mudanças na Bolívia, nosso país hermano. Há de se considerar que é preciso mensurar o alcance da mídia oligárquica, e seu poder de mentir e manipular informações, conforme ocorre no Brasil. O refendo revogatório será a grande prova pela qual o governo Evo Morales irá passar para sair fortalecido da crise criada pela oligarquia e pelos Estados Unidos. Importante nesse processo será a mobilização dos movimentos sociais populares que vêem na vontade política de seu mandatário a tão esperada sociedade socialista e a integração da América Latina, justa, humana, independente e soberana.
A lamentável constatação é ver o governo brasileiro inerte e alheio a tudo isso, pronunciando discursos vazios e discursos que todos gostam de ouvir. Recentemente, a propaganda na televisão sobre os vinte e oito anos do PT vemos as bandeiras levantadas pelo PT desde o seu nascimento. O mais ridículo dessa impostura é o PT acreditar na ignorância do povo. Hoje, o PT é só desfile de bandeiras, enquanto as ações efetivas, e esperadas, continuam guardadas atrás das bandeiras.
















Bruno
Se perderem seus cargos os governadores, quem assume?