Fidel Castro anuncia que não quer nem aceitará reeleição
"Trairia (...) minha consciência ocupar uma responsabilidade que requer mobilidade e entrega total que não estou em condições físicas de oferecer”, explicou o presidente cubano
19/02/2008
O presidente cubano Fidel Castro anunciou nesta terça-feira (19) que não aspirará nem aceitará o cargo de presidente do Conselho de Estado e Comandante em Chefe na sessão do Parlamento Cubano, prevista para domingo, dia 24 de fevereiro.
"Não me despeço de vocês. Desejo somente combater como um soldado das idéias. Seguirei escrevendo sob o título ‘Reflexões do companheiro Fidel’. Será uma arma a mais do arsenal com a qual se poderá contar. Talvez ouçam minha voz. Serei cuidadoso", sublinhou o líder da Revolução Cubana em mensagem assinada de próprio punho e com data de 18 de fevereiro às 17h30 locais (19h30 de Brasília).
Fidel, de 81 anos, anunciou que não procurará a reeleição após quase 19 meses de convalescença de uma grave doença intestinal.
"Felizmente nosso processo ainda conta com quadros da velha guarda, junto a outros que eram muito jovens quando se iniciou a primeira etapa da revolução", destacou Fidel Castro.
"Contam com a autoridade e a experiência para garantir a substituição. Dispõe igualmente nosso processo da geração intermediária que aprendeu junto a nós os elementos da complexa e quase inacessível arte de organizar e dirigir uma revolução", acrescentou.
Em dezembro de 2007, o comandante cubano havia expressado em uma mensagem escrita que não estava aferrado ao poder, nem obstruiria a passagem das novas gerações, mas em janeiro foi eleito deputado, o que o permite disputar a reeleição no próximo domingo.
"Trairia (...) minha consciência ocupar uma responsabilidade que requer mobilidade e entrega total que não estou em condições físicas de oferecer. Explico isto sem dramaticidade", completou na carta de segunda-feira.
Desde março de 2007 afastado do cenário público, sendo visto apenas em vídeos e fotos, Fidel Castro se dedicava a escrever artigos para a imprensa sob o título de "Reflexões do Comandante-em-Chefe".
Fidel advertiu aos cubanos que "o caminho sempre será difícil e requererá o esforço inteligente de todos". "Desconfio dos caminhos aparentemente fáceis da apologética, ou a autoflagelação como antítese".
"Preparar-se sempre para a pior das variantes. Ser tão prudentes no êxito como firmes na adversidade é um princípio que não pode ser esquecido. O adversário a derrotar é extremamente forte, mas o temos mantido na raia durante meio século", expressou. (Portal Vermelho, com informações da agência cubana Prensa Latina: http://www.prensa-latina.cu)