"Transição já foi feita no marco da sociedade socialista"
Para Emir Sader, saída de Fidel Castro não provocará transformações no regime cubano
19/02/2008
Jorge Pereira Filho,
da redação
Para o sociólogo Emir Sader, a renúncia do presidente Fidel Castro encerra um ciclo político de um dos maiores dirigentes revolucionários que mudou a história do mundo. Aos 81 anos, o líder da revolução cubana declarou nesta terça-feira (19) que não aceitaria uma reeleição decidida pelo Parlamento. Segundo Sader, embora muito se especule na mídia corporativa a respeito de uma suposta queda do socialismo na ilha sem a figura de Fidel Castro, pouco mudará na prática. "Ele já não é dirigente político da revolução. A transição foi feita no marco da sociedade socialista", afirma. Fidel está afastado
Brasil de Fato – Qual o significado da renúncia
do presidente Fidel Castro?
Emir Sader – É o final de sua carreira como um dirigente político muito digno. De um homem que mudou a história da América Latina e do mundo. Ele fecha o seu ciclo como um grande dirigente, de forma lúcida e combativa. E a revolução cubana continua e segue o seu curso.
Não
poucas vezes o presidente George W. Bush anunciou que esperava o
afastamento de Fidel Castro para colocar em prática um plano
para fazer uma "transição democrática"
em Cuba, cogitando abertamente ações intervencionistas...
Eles podem fazer o que quiser, mas Fidel Castro já não é o dirigente político da revolução. A transição foi feita no marco da sociedade socialista. Com Fidel ou sem Fidel, Cuba vai seguir. E a revolução segue em uma nova etapa em seu processo de transformação socialista.
Qual o legado que a figura de Fidel Castro deixa para a América Latina e para os povos em geral?
América latina e a esquerda do continente são uma antes e outra depois de Fidel. A experiência dele mostrou que um país pode ser justo, sem necessariamente ser rico. Justiça social não é riqueza, mas sim opção política.












