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Aracruz: vampira de sangue, suor e água

by cleber last modified 2006-05-02 16:32

Empresa lucra com a destruição do meio ambiente, a exploração de trabalhadores e ainda recebe financiamento público

da Redação

A Aracruz não gera empregos. A Aracruz não produz alimento. A Aracruz não protege o meio ambiente. Planta eucaliptos, de rápido crescimento, para produzir celulose, destinada ao mercado externo. Contribui para o superávit da balança comercial (saldo positivo entre exportação e importação), que o governo usa para captar dólares e pagar a dívida externa. Nada para a população.

Em 2004, a companhia produziu 2,4 milhões de toneladas de celulose - 97% das quais foram exportadas. Trata-se de uma celulose de fibra curta de alta qualidade, utilizada para produzir papel para imprimir e escrever. A Aracruz é a maior produtora mundial dessa substância química. Só no primeiro trimestre de 2006 teve um lucro líquido de R$ 347 milhões.

A empresa é proprietária de 375 mil hectares de terras no país e de fábricas em três Estados. Em 8 de março, camponeses ocuparam o maior viveiro da empresa, em Barra do Ribeiro (RS), que tem uma produção de 10 milhões de mudas por ano (leia mais na página 4). Os recordes de produção da Aracruz dependem do apoio do governo. Em setembro de 2005, a empresa devia ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) R$ 904 milhões, com juros fixos de 11,8% anuais.

Via de mão única

Apesar de receber financiamento público, a Aracruz pouco faz para a população. O departamento de marketing, obviamente, tenta veicular uma imagem da empresa. Em nota, divulgada na internet, defende a produção de celulose: "Em média, cada hectare de uma plantação de eucalipto gera quatro empregos diretos, uma indicação da importância econômica e social destas plantações".

O dado é mentiroso. Pois, se assim fosse, a Aracruz, que, em 2004, cultivava eucaliptos em 247 mil hectares geraria 988 mil empregos diretos. Na realidade, os empregados da empresa totalizavam 2.031, de acordo com informações do estudo "Promessas de emprego e destruição do trabalho", realizado por diversos ambientalistas e sindicalistas.

Isso acontece pois o custo por posto de trabalho na Aracruz é muito alto. Na fábrica C, inaugurada em 2002 no município de Barra do Riacho (ES), foram investidos 575 milhões de dólares resultando na abertura de 173 empregos. Ou seja, são 3,324 milhões de dólares (ou R$ 6,939 milhões) para gerar cada posto de trabalho. Sendo assim, toda a dívida que a Aracruz tem com o BNDES, R$ 904 milhões significa 130 empregos. Para cada vaga de catador de material reciclável, o investimento seria de R$ 3.094.

No campo

Considerando a geração de emprego por extensão de terra, a monocultura do eucalipto também se mostra improdutiva. A Aracruz gera um posto de trabalho por cada 122 hectares. Na monocultura do café, é um emprego para cada hectare. Já na agricultura camponesa, cada hectare emprega até cinco pessoas.

Com relação à geração de renda, o dado também é desanimador. Em média, os trabalhadores da monocultura de eucalipto recebem entre um e um e meio salário mínimo (R$ 350). Os cafeicultores e pequenos camponeses conseguem ter rendimentos de em média R$ 1 mil. (Colaborou Christiane Campos, de Porto Alegre/RS)