Guerrilheiro morto já teve encontro com os EUA
Documentos revelados pela Universidade George Washington mostram que Raúl Reyes, número dois das Farc, encontrou-se em 1998 com Philip T. Chicola, então diretor do escritório andino do Departamento de Estado
da redação
De acordo com um documento divulgado na terça-feira (4) pelos Arquivos de Segurança Nacional, um projeto independente da Universidade George Washington, Raúl Reyes, número dois das Farc morto pela operação militar da Colômbia, encontrou-se em segredo, na Costa Rica, com delegados do governo dos Estados Unidos em 1998. A esposa de Reyes, Olga Marín, também compareceu ao encontro secreto realizado com membros de uma missão diplomática dos EUA, liderada por Philip T. Chicola, então diretor do escritório andino do Departamento de Estado.
Segundo o documento, Chicola insistiu no "requisito absoluto de confidencialidade" e disse que os EUA queriam "desenvolver um canal de comunicação" com a organização insurgente. No momento em que a reunião teria ocorrido, as Farc já estavam incluídas na "lista negra" do Departamento de Estado americano, que relaciona organizações que, segundo o governo de Washington, apóiam direta ou indiretamente o terrorismo.
“Disse aos representantes das Farc que embora (os EUA) não tivessem uma agenda ou estrutura estabelecida sobre como poderiam proceder as discussões, queríamos usar a reunião para descrever nossos pontos de vista sobre a luta contra o tráfico de drogas, o processo de paz", explicou o diretor do Departamento de Estado.
“Além disso, estamos abertos a discutir, ou pelo menos a escutar, os temas que as Farc queriam abordar”, acrescentou Chicola. Reyes, ao responder, ressaltou “a importância histórica” que dava a esse encontro clandestino, ao indicar que “as mudanças no mundo e nas circunstâncias” tornavam possível que ambas as partes se sentassem à mesa.
Reyes expressou satisfação com a oportunidade de falar diretamente com o governo dos Estados Unidos e se queixou que a informação que chegava a Washington através da imprensa e outras fontes eram falsas ou distorcidas por grupos contrários às Farc. O documento pode ser acessado no endereço: http://www.gwu.edu/~nsarchiv/news/20080304/index.htm















