Marchas condenam apoio de Uribe a paramilitares
Na Colômbia, movimentos sociais condenam políticas do presidente e afirmam que não há vontade política para se obter a paz no país
da redação
Um grito de paz carregado de rejeição à violência se ouviu nesta quinta-feira (7) em 20 cidades da Colômbia e em capitais de outros países, onde dezenas de organizações civis se manifestaram em solidariedade às vítimas dos grupos paramilitares no país andino e contra as políticas militaristas do presidente Álvaro Uribe.
As mobilizações refletem uma condenação generalizada aos acordos entre altos funcionários públicos e grupos armadas de extrema direita na Colômbia que, desde 2006, ganharam destaque no escândalo conhecido como “parapolítica” - que implica inclusive o presidente Uribe e seus aliados no Congresso.
Bogotá foi o núcleo do protesto na Colômbia. Uma multidão caminhou pelas principais cidades até chegar à Plaza de Bolívia, onde reiteraram seu repúdio aos mais de 3,5 mil massacres protagonizados por grupos paramilitares desde 1982, segundo cálculos do Movimento de Vítimas do Crime de Estado (Movice).
Um dos organizadores, Marcos Romero, declarou que “a sociedade colombiana não pode ter ética pela metade, necessitamos que os empresários condenem abertamente os crimes dos paramilitares e os que foram cometidos pelo Estado”, enfatizou. Também defenderam que as organizações sociais “sejam muito claras em condenar os seqüestros, como temos feito nessas mobilizações. É preciso condenar toda forma de arbitrariedade”.
Segundo o Movice, existem 2,8 mil seqüestrados na Colômbia por distintas razões – 300 deles menores enquanto há um número indefinido de desaparecidos. A organização aponta que existem pelo menos 4 milhões de refugiados pela violência. Para Romero, ações de protesto como as realizadas na quinta-feira (6) mostram que o povo colombiano “deixa evidente seu desejo para que se chegue à paz no país, mas está convencido de que há falta de uma verdadeira vontade política”.
Marchas no Equador
Em Quito, cerca de mil pessoas protestaram em frente às embaixadas dos Estados Unidos e da Colômbia contra a incursão militar no território equatoriano. “Uribe fascista, tú és terrorista” e “Não vamos entrar em sua guerra” foram alguns dos gritos de guerra entoados.
“Não concordo com o sistema que Uribe adota para eliminar a guerra. Não estou de acordo também com a agressão ao Equador”, afirmou Víctor Ramos, colombiano de 45 anos que vive no Equador desde 1988.
Já a moradora de Quito Samanta Gordillo afirmou que a ação militar da Colômbia “responde a uma ordem dos Estados Unidos para evitar que se instalem movimentos de esquerda na América Latina” (Telesul)













