Um novo teste para a OEA
Chanceler venezuelano diz que organização será colocada à prova nesta segunda (23), quando deverá apresentar avaliação sobre a incursão militar do Exército da Colômbia em território equatoriano
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17/03/2008
Claudia Jardim
Correspondente do Brasil de Fato em Caracas (Venezuela)
O ministro de Relações Exteriores da Venezuela, Nicolas Maduro, afirmou que a Organização de Estados Americanos (OEA) “será colocada à prova” nesta segunda-feira (17) quando o organismo deverá apresentar uma avaliação sobre a incursão militar do Exército da Colômbia em território equatoriano resultando na morte de 23 guerrilheiros das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). “A OEA agora está diante uma grande prova. Houve um primeiro debate (na organização) e não esteve ao nível que se esperava para solucionar a crise. A OEA teve uma reação morna”, disse Maduro ao Brasil de Fato antes de viajar a Washington, onde participará da reunião de chanceleres da OEA.
Nesta segunda-feira (23), o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, apresentará um relatório sobre o ataque militar realizado no Equador. Na semana passada, o chileno se reuniu com o presidente do Equador, Rafael Correa, e visitou o local em que o Exército colombiano bombardeou o acampamento da guerrilha, ocasionando a morte de Raúl Reyes.
Logo depois, Insulza viajou a Bogotá para ouvir os argumentos do presidente colombiano, Álvaro Uribe, e baseado nestas informações apresentará um relatório que será avaliado na reunião de chanceleres da região. Nicolas Maduro disse esperar que os resultados da reunião do Grupo do Rio realizada dia 7 na República Dominicana sejam contemplados pela OEA, mas preferiu não fazer projeções sobre os possíveis resultados do encontro em Washington. “Precisamos conhecer o informe do secretário-geral e avaliar quais são suas propostas, não podemos prever cenários”, disse. “Vamos ver se a OEA funciona para canalizar positivamente os conflitos da nossa região”, acrescentou.
Posição dúbia
Analistas consideram que dificilmente a OEA emitirá uma condenação à Colômbia, principal aliado dos EUA na região. Na reunião do Grupo do Rio, as tensões entre os presidentes do Equador, Colômbia e Venezuela foram amenizadas com um aperto de mãos e a promessa de Álvaro Uribe de não voltar a invadir o território de outro país. O Grupo do Rio emitiu um comunicado rechaçando a "violação da integridade territorial” do Equador e reafirmando “o princípio de inviolabilidade” de um Estado.
Na mesma semana, o governo venezuelano reestabeleceu relações diplomáticas com a Colômbia e os presidentes Hugo Chávez e colombiano Álvaro Uribe devem se reunir nos próximos dias para terminar de dissipar o conflito. Já o Equador tem sido mais cauteloso. Apesar da saída diplomática oferecida a Uribe, o presidente Rafael Correa ainda não reestabeleceu as relações diplomáticas de seu país com o governo colombiano e insiste que a OEA condene a violacão de seu território.
Disputa
A reunião da OEA poderá ser o cenário de um novo enfrentamento entre os governos da Venezuela e Estados Unidos. O governo de Hugo Chávez mudou o discurso na última semana e agora atribui aos Estados Unidos - e não mais ao presidente colombiano, Álvaro Uribe - a responsabilidade pela crise diplomática enfrentada pela região. “Vamos com o objetivo claro de defender o diálogo político, a paz e denunciar a pretensão do governo dos EUA de criar intrigas, tensões e divisões em nossa região latino-americana”, disse.
O governo venezuelano argumenta que a intenção da administração Bush ao desatar um conflito bélico na região é a de criar um fato consumado para determinar a política de Estado dos EUA para os próximos anos, independentemente de quem vença as eleições. “Somente aos EUA interessariam uma guerra na região (...) Somos dois mundos, um decadente que já está indo embora e outro que desejamos e ansiamos um amplo diálogo de paz”, argumentou.
Rompendo uma política adotada desde o início do governo de George W. Bush, de não se referir ao presidente da Venezuela pelo seu nome, Bush (dia 12) criticou Chávez por suas supostas relações com a guerrilha colombiana das Farc, de “ameaçar seus vizinhos” e de desperdiçar o petróleo para promover o “anti-americanismo”.
Também na semana passada, o Departamento de Estado dos EUA voltou a indicar que a Venezuela poderia ser colocada em sua lista de países que apóiam o terrorismo. "Que façam essa lista (de países) que apóiam o terrorismo e a coloquem... no bolso!", afirmou Chavez dia 14, durante um ato do Partido Socialista Unidos da Venezuela (PSUV).
Para o chanceler venezuelano, a ação representa “um ato de desespero” do governo estadunidense. “Da Venezuela nunca saiu um míssel, uma bala sequer, em contra de outros povos. Os EUA não podem dizer o mesmo”, disse. Maduro indicou que se os EUA colocarem a Venezuela na lista de países terroristas, terão de buscar outro mercado petroleiro para abastecer-se. “Nós também buscaremos outro país para vender”, afirmou.
A Venezuela é o quarto maior fornecedor de petróleo cru ao mercado dos EUA.















