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Presidentes da Colômbia e do Equador trocam acusações, mas chegam a acordo

by jpereira last modified 2008-03-07 19:20

Para socióloga mexicana Ana Esther Ceceña, ação militar de Álvaro Uribe pode marcar um início de "hostilidades que podem abrir cenários de conflito na região"

Para socióloga mexicana Ana Esther Ceceña, ação militar de Álvaro Uribe pode marcar um início de "hostilidades que podem abrir cenários de conflito na região"

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07/03/2008




Jorge Pereira Filho,

Da redação


Os presidentes da Colômbia, Álvaro Uribe, e do Equador, Rafael Correa, Equador, concentraram as atenções na reunião desta sexta-feira (7) do Grupo do Rio, realizada na República Dominicana. Durante o encontro, ambos protagonizaram um bate-boca público. O colombiano acusou Correa de ter recebido dinheiro das Farc em sua campanha à presidência. O equatoriano rebateu: “estas mãos não estão sujas de sangue”. O colombiano rejeitou posar para a foto oficial da reunião.

No entanto, no final do encontro, um aperto de mão entre os dois presidentes e também Hugo Chávez (Venezuela) colocou panos quentes no conflito. Para a socióloga mexicana Ana Esther Ceceña, especialista em militarização, a acusação de Uribe feita a Correa e também ao venezuelano Hugo Chávez de ligações com as Farc não é pontual. “É o início de uma operação de satanização que justifique desde bloqueios até intervenções militares nestes territórios”, avalia. Segundo ela, o cenário não é favorável para a paz no continente. “O ataque da Colômbia ao Equador preocupa justamente nesse contexto porque poderia estar marcando um início de hostilidades que podem abrir cenários de conflito na região”, prevê.

Também nesta sexta, o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, anunciou que vai romper relações diplomáticas com o governo de Uribe (leia mais) e criticou a Colômbia. "Querem regionalizar a guerra. Acho que temos que apostar na paz, que seja formado um grupo como ocorreu na América Central que trabalhe a favor da paz e acabe com estas ações do governo colombiano", acrescentou o sandinista. Leia abaixo entrevista com Ana Esther Ceceña.


Brasil de Fato – O ataque colombiano às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) no território equatoriano teve pronta acolhida pelos EUA. Que tipo de conseqüências essa tentativa de legitimar essa ação da Colômbia pode ter para a geopolítica do continente?

Ana Esther Ceceña – A Colômbia – país que supostamente não pode fazer frente por si mesmo às ameaças do narcotráfico e do terrorismo em seu próprio território e por isso tem aceitado pedir a ajuda dos Estados Unidos através do Plano Colômbia – não poderia realizar uma incursão em outro país sem o aval dos Estados Unidos. A política da guerra preventiva que os EUA têm travado, com o repúdio de grande parte do mundo, supõe uma estratégia de localização dos inimigos - reais ou em potencial - e o seu combate em qualquer parte do planeta; quer dizer, a guerra preventiva cancela todos os acordos político-internacionais de respeito entre nações.

Admitir que um país pode invadir ou atacar outro porque ali se encontra um de seus inimigos equivale a invalidar todo direito internacional, a desconhecer as fronteiras nacionais, os direitos soberanos dos povos e a instalar um regime militarizado em todo o mundo, que suprimiria os direitos humanos e políticos de todos porque passaríamos à categoria de suspeitos.

Em termos geopolíticos, uma ação como esta marca pautas de comportamento. Se recordamos que ao sul do Paraguai, na Tríplice Fronteira, tem se acusado as organizações camponesas de ter vínculos com as Farc , o exército colombiano pode muito bem invadir ou atacar essa região e tomar prisioneiros lá. Estaria se instalando desta maneira o "grande irmão" em versão sul-americana, uma espécie de comissário militar de toda a região.



Chávez acusa os EUA de tentarem transformar a Colômbia em "Israel da América do Sul"...

Esta jogada que lança os Estados Unidos através de Colômbia parece efetivamente apontar para a criação de uma espécie de filial ou plataforma regional, mas com as mesmas atribuições que se arrogam o próprio exército ou os corpos de segurança norte-americanos. É o caso de Israel. É uma estratégia que surge da complicação de controlar um planeta vasto e complexo, no qual são necessárias plataformas de segundo nível para o manejo das relações locais e a Colômbia vem sendo preparada para isso desde o início do milênio.



Com o Plano Colômbia, os Estados Unidos mantêm laços políticos estreitos com o comando militar colombiano, além da afinidade política de Álvaro Uribe. O que pretendem os EUA com essa aliança?

Na realidade, é uma aliança que tem permitido construir uma força militar conjunta, sempre com relações internas hierárquicas. A melhor maneira de intervir em regiões estrangeiras, segundo os altos militares estadunidenses, é através de protagonistas locais que conhecem melhor o terreno e, sobretudo, que assumem os custos da intervenção. Dessa maneira, se garantem os interesses dos Estados Unidos e se avança em sua estratégia sem que eles apareçam diretamente e nem sejam culpados. Por outro lado, esta intervenção (dos Estados Unidos) através de outros (Colômbia) gera confusão sobre os diferentes locais estratégicos e pode fazer aparecer uma grande jogada geopolítica como uma rixa relativamente menor entre dois países fronteiriços.


Esse conflito evidencia uma disputa política no continente, entre aliados de Chávez e os mais próximos dos Estados Unidos?

Esta grande jogada busca delimitar claramente os dois campos e obrigar a maioria a ficar do lado dos amigos dos Estados Unidos, isolando assim Equador, Bolívia, Venezuela e, em certa medida, Cuba. A acusação de que os presidentes Chávez e Correa têm vínculos com as FARC é o início de uma operação de satanização que justifique desde bloqueios até intervenções militares nestes territórios. É um esquema parecido com o que ocorreu com o Iraque e está se estendendo ao Irã.

As guerras hoje em dia têm formas muito variadas, nem sempre supõem desdobramento de tropas e bombardeios. As variantes midiáticas já estão operando nessa região; as atividades desestabilizadoras também, algumas relativamente encobertas pelas embaixadas, como na Bolívia e na Venezuela, outras, aparentemente econômicas como as que operam sob o manto da Centro Internacional para Arbitragem de Disputas sobre Investimentos, do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional se aplicam sistematicamente atendendo às circunstâncias específicas. Mas a guerra militarizada tem avançado em reconhecimento do terreno mediante os exercícios recorrentes na zona e as atividades antinarcóticos. Tem instalado posições estratégicas em Manta, Caño Limón, Três Esquinas e alguns outros lugares. O ataque da Colômbia ao Equador preocupa justamente nesse contexto porque poderia estar marcando um início de hostilidades que podem abrir cenários de conflito na região.


A atitude da Colômbia pode isolar Uribe no continente?

Essa é uma aposta arriscada. Poderia fortalecer a posição da Colômbia ou dos Estados Unidos por trás da Colômbia, sem que necessariamente fortaleça Uribe. O perigo é que a política iniciada com o ataque ganhe força na região e se desenvolva uma situação totalmente polarizada. É aí onde a política tem que manter abertos os espaços e as matizes e, obviamente, onde é necessário defender a soberania dos povos. É urgente parar esta ofensiva completamente.

boa jorge

Posted by carlos ribeiro at 2008-03-10 22:22

mais uma vez um show de bola, nada de entrevistador q pergunta perguntando e não respondendo. parabéns! p.s.: cadê a tatiana?

ops

Posted by carlos ribeiro at 2008-03-10 22:24

escrevi tudo errado, troca o "...de..." por "...como um..."

Ótimo

Posted by Emerson at 2008-04-10 14:03

Ótima,clara e concisa entrevista.

A Atitude da Colombia - CIA e assassinato de Correa nos planos americanos

Posted by Telma at 2008-04-14 05:22

Um ex-agente americano- John Perkins -fala claramente dos planos para assassinar Correa. A entrevista na TV pode ser vista aqui:

http://www.youtube.com/watch?v=JidliiXUsMQ

Segundo Helga Serrano, ativista Equatoriana com a Rede Internacional para Aboliçãp de Bases Militares Estrangeiras, e varias outras organizações o fechamento das bases militares americanas é PRIMORDIAL uma vez que els são a estrutura que permite este tipo de atividade. A hora também é de apoio ao Presidente Correa, que , claro é alvo da CIA , sem duvida. E a participaçaõ americana, documentada pode ser vista em:

http://www.democracynow.org/2008/3/4/with_us_assistance_colombia_carries_out


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