A primeira greve de fome: uma vida pelo São Francisco
Depois de permanecer 11 dias ingerindo apenas água do rio, frei prometia voltar ao jejum se acordo fosse descumprido
29/11/2007
Marcelo
Netto Rodrigues,
da
redação
Como se ainda fosse necessário mais algum sinal místico para o frei Luiz Flávio Cappio adotar a greve de fome como último recurso possível contra a transposição das águas do Rio São Francisco, a certeza veio no dia em que a Agência Nacional de Águas (ANA) concedeu a outorga e o Certificado de Sustentabilidade Hídrica ao projeto.
Não bastasse frei Luiz ser franciscano, ter nascido no dia em que se celebra a morte de São Francisco e estar decidido a entregar a sua vida pela do rio, o religioso ainda se viu impelido a entrar em greve de fome no mesmo dia em que a ANA deu a sua licença ao projeto – 26 de setembro de 2005, a mesma data de nascimento do santo.
A data, desconhecida pela agência e também pela maioria dos fiéis (já que os dias dos santos se referem aos dias de sua morte), não passou em branco aos olhos de frei Luiz. “Estou desde 26 de setembro de 2005, dia do nascimento de São Francisco, em jejum e oração permanente”, escreveu, referindo-se à data, em carta endereçada ao povo do Nordeste.
“Estou em Cabrobó, Pernambuco, às margens do São Francisco (local do ponto de captação no eixo norte da transposição), numa capela dedicada a São Sebastião. Minha disposição, amadurecida e lúcida, é de dar a minha vida pela vida do Rio São Francisco e de seu povo, contra o projeto de transposição, e em favor de soluções verdadeiras e sustentáveis para a região semi-árida”, dizia outro trecho da carta.
Há, ainda, mais coincidências. Frei Luiz nasceu justamente na mesma data em que se comemora o dia de São Francisco (4 de outubro, quando há 779 anos, o santo foi sepultado em Assis, na Itália, aos 45 anos). Em 2005, nesse dia, frei Luiz completou 59 anos e 9 dias de greve de fome.
Mas o religioso não pode ser acusado de planejar que seu protesto coincidisse com o período de celebração de São Francisco. Muito antes, na Páscoa daquele ano, o religioso registrou em cartório sua predisposição em sacrificar a sua própria vida “pela vida do Rio São Francisco e de seu povo” logo que a ANA aprovasse o projeto.
Irmã água
Durante os dias que ficou sem comer, frei Luiz só ingeriu água do rio, que trata de “Irmã Água, preciosa e casta, humilde e boa”. Mais um ensinamento de São Francisco – o santo dos pobres, dos humildes e protetor dos animais – que, no “Cântico das Criaturas”, trata a água como “Irmã bondosa, útil e bela”.
Bispo da diocese de Barra, na Bahia, desde 1997 (escolhido por não ter outro que se dispusesse a viver na região), frei Luiz vive na beira do rio há mais de 30 anos. Antes de vir para o sertão nordestino com a roupa do corpo, este paulista de Guaratinguetá, filho de italianos, ordenado sacerdote franciscano em 1971, trabalhou três anos na periferia de São Paulo, junto à Pastoral Operária.
No dia 4 de outubro de 1992, para alertar os ribeirinhos dos sintomas de morte do rio, e como prova de seu amor por ele e por seu povo, o religioso iniciou uma peregrinação de 6 mil quilômetros ao longo do São Francisco, completada em um ano. A experiência gerou o livro “O Rio São Francisco – Uma Caminhada entre Vida e Morte”.
O religioso saiu da nascente do rio, na Chapada da Zagaia, na Serra da Canastra, em Minas Gerais, até chegar, no dia 4 de outubro de 1993, no oceano Atlântico, entre Alagoas e Sergipe.
Em 1994, durante a Caravana da Cidadania pelo São Francisco realizada por Lula, frei Luiz foi apresentado a ele por seu professor de teologia, Leonardo Boff.
Razão e loucura
Aos que acham sua atitude extrema, frei Luiz responde: “quando a razão se extingue, a loucura é o caminho”. Mas, ao contrário do que isso possa dar a entender, deixa bem claro que não não deseja a morte: “Eu não quero morrer, mas eu quero vida para todos”, disse durante missa que reuniu cerca de 2.500 pessoas em frente à capela em que estava, em Cabrobó, no dia 4 de outubro de 2005.
Sem saber do peso e dos desdobramentos da negociação levada a cabo pelo governo, frei Luiz garantiu que só encerraria a greve em posse de documento “assinado pelo Exmo. Sr. Presidente da República, revogando e arquivando o Projeto de Transposição”, como estava previsto em sua declaração registrada em cartório.
O texto dizia ainda que caso o documento de revogação, devidamente assinado pelo Exmo. Sr. Presidente, chegasse quando ele não fosse mais senhor dos seus atos e decisões, por caridade, deveriam prestar socorro a ele, pois seu desejo era o de não morrer.
Determinação
Ele deixou claro, ainda: “Peço, encarecidamente, que haja um profundo respeito por essa decisão e que ela seja observada até o fim”, um pedido feito para motivar o povo a protegê-lo caso a polícia ou médicos tentassem levá-lo à força para algum hospital nos momentos finais. O religioso sabe que, tradicionalmente, um desejo de morte é visto como lei entre as pessoas simples do povo.
O recado parece ter surtido efeito. Romeiros que chegavam para visitá-lo, “queriam estar próximos do bispo como se quisessem protegê-lo ou como se quisessem sua proteção”, reportou à Agência Carta Maior, frei Florêncio Vaz, que esteve com frei Luiz nos dias 1º e 2 de outubro de 2005.
Frei Luiz ficava cada dia mais fraco. “De sábado para domingo, foi visível como ele definhou, ficou com os gestos mais lentos e com o rosto mais magro”, relatou frei Florêncio. Era dado como certo em Cabrobó que o bispo só sairia dali em procissão, “celebrando a vitória do povo ou indo para o cemitério num caixão”. E Lula é quem carregaria este caixão por toda a vida.
O presidente já havia, por duas vezes, tentado demover frei Luiz de sua determinação em levar a sua greve de fome até as últimas conseqüências antes de selar o acordo pelo qual decidiu suspender sua greve. Mas Lula não falava em arquivamento do projeto.
Primeiro, enviou uma carta convidando o frei para ir a Brasília. O religioso rejeitou o convite, considerando que a carta não mudava a posição do Planalto. Depois, Lula fez uma proposta, por meio do deputado Walter Pinheiro (PT-BA), de liberar R$ 400 milhões para a revitalização do rio, antes de dar início às obras de transposição.
Como se a situação já não estivesse delicada, Lula afirmou, no dia 3, “que se todo mundo fosse fazer greve de fome por alguma coisa, ficaria complicado”. Uma declaração no mínimo constrangedora sabendo-se que Lula leu a última frase da primeira carta que frei Luiz lhe escreveu: “Minha vida está em suas mãos”.
No dia 4, para piorar ainda mais a situação, frei Luiz havia respondido em mensagem gravada: “Presidente, em toda minha vida vesti a sua camisa, e neste momento, eu espero que você vista a minha”.
Após o acordo firmado, a dúvida ainda persiste, já que quando perguntado por um repórter sobre o futuro da transposição, o então ministro Jacques Wagner respondeu rispidamente: “Você ouviu em algum momento eu citar a palavra adiamento?”. Como isso fazia parte do conversado, frei Luiz já anunciava: “se o acordo for descumprido, eu volto à greve de fome”.
resposta ao revoltado
Filho, você tem certeza de tudo que tá falando? "Um dos maiores benefícios para o povo do sertão nordestino"... Será? Por acaso você já leu em algum lugar que essa "PEQUENA" obra, de 4,5 bilhões de reais, vai ajudar somente cerca de 5% do território e 0,3 % da população do semi-árido brasileiro? Tem certeza que esse é um dos maiores benefícios para o povo do sertão? Bom, não estou muito certo disso. Vamos pensar, gasta-se 4 bilhões e meio de reais que poderiam ser usados para, diretamente, matar a fome de sabe-se lá quantas pessoas, numa obra que vai beneficiar menos de meio porcento da população, provavelmente os grandes latifundiários da região - como se estes precisassem de mais algum benefício. Acho que esse dinheiro todo poderia ser melhor utilizado de outras formas, inclusive formas que não detonam o meio ambiente. Tudo bem, há pontos positivos para essa obra, sim, mas não se pode negar os MUITOS pontos negativos que também existem. Se, ainda assim, você é a favor da transposição do rio - que, a propósito, já não está numa situação muito boa e corre o risco de morrer se a obra for realizada -, tudo bem, é um direito seu, e com certeza você será acompanhado por boa parte da população, mas vamos lá neh, pelo menos respeite quem tem uma opinião contrária a sua ;D E... bem, acho que o fato da igreja católica só ver poder, posse e superioridade não foi o que determinou o ponto de vista do bispo =P Só pra deixar bem claro, não defendo o bispo pelo fato de ele ser BISPO, isso não tem nada a ver com religião, mesmo porque eu sou ateu. Só acho que a opinião do bispo é DELE, ele tem o direito de fazer o que quiser com sua vida e seu estômago, então seria legal se a gente simplesmente respeitasse, neh? Desculpa se pareceu em algum momento que eu tô convencido de que sou o dono da verdade. Isso tudo é só o meu ponto de vista.













Estou revoltado com esse bispo
SERÁ POSSIVEL QUE UM PORRAAAAAAAAAAAA DE UM BISPO VAI PARAR UM DOS MAIORES BENEFICIO PARA O POVO DO SERTAO NORDESTINO? DEIXA ESSE IDIOTA MORRER DE FOME SIM PELO MENOS ELE LIMPA A ALMA DE SÓ PENSAR EM POUCOS AO INVES DE PENSAR EM TANTOS, SERÁ POSSIVEL QUE A IGREJA CATOLICA SÓ VER PODER, POSSE, SUPERIORIDADE..MANDA ESSE BISPO PROCURAR UMA LAVAGEM DE ROUPA OU QUEM SABER PROCURAR AJUDA PSICOLOGICA OU SE ELE QUER AJUDAR ALGUEM ..QUE VÁ PARA OS ASSALTANTES DO RIO DE JANEIRO OU QUEM SABE REZAR PARA O GOVERNO NAO CRIAR OUTRA CPMF...BISPO INBECIL, IDIOTAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA