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Carta em apoio a frei Cappio

by jpereira last modified 2007-12-17 17:52

Artistas como Aroeira, Camila Pitanga e Wagner Moura assinam manifesto em apoio à greve de fome do religioso e contra a transposição do rio São Francisco

Artistas como Aroeira, Camila Pitanga e Wagner Moura assinam manifesto em apoio à greve de fome do religioso e contra a transposição do rio São Francisco


Rio de Janeiro, 05 de Dezembro de 2007




Prezado Dom Cappio,


Gostaríamos de expressar nossa profunda admiração por seu gesto de coragem  ao dedicar a própria vida para salvar o rio São Francisco - símbolo da cultura e fonte de sobrevivência do povo brasileiro.

Esperamos que finalmente o governo desista das obras de transposição das águas do rio São Francisco e inicie um debate aberto e verdadeiro sobre as necessidades da população local. Apoiamos as iniciativas de revitalização do Velho Chico, que podem gerar acesso à água para um número muito maior de pessoas, sem destruir o meio ambiente.

Como dizem as comunidades locais, o Velho Chico está "doente" e temos o dever de preservá-lo para as futuras gerações.



Esta mensagem expressa nosso apoio, carinho e solidariedade.


Atenciosamente,

Dira Paes

Diretora Geral

Movimento Humanos Direitos


__________________________________________________________

Assinam o documento:

Adair Leon Rocha


Aroeira


Bete Mendes


Bruno Cattoni


Camila Pitanga


Carla Marins


Cássia Reis


César Guerreiro


Chico Diaz


Clarice Niskier


Clarisse Sette


Cristiane Costa


Cristina Pereira


Daniel Carvalho de

Souza


Daniel Negri


Dedina Bernadelli


Dira Paes


Eduardo Tornaghi


Emilio Gallo


Generosa de Oliveira


Íris Gomes da Costa


Klaus Deueche

Rabello


Leonardo Vieira


Letícia Sabatella


Luciana Lopes


Luiz Fernando Lobo


Marcos Frota


Marcos Winter


Mario da Paixão

Taurinho


Miriam Rezende


Osmar Prado


Pepita Rodriguez


Ricardo Rezende


Salete Hallack


Silvia Buarque


Vic Militello


Virginia Berriel


Wagner Moura


Zezé Polessa

Falta de respeito com seu povo...

Posted by Edy Borges at 2007-12-11 08:38

A cada dia que vivo, surpreendo com a ganância dos poderosos, parece que eles esqueceram o verdadeiro sentido para o qual fomos criados. Esquecem rápido a origem de suas vitórias, e logo absorvem o intoxicante sabor do poder. Nosso Brasil não precisa de mais um "simples" governante, e sim de um lider que pensa como seu povo, se faz é por eles e para eles, pois essa é a função de um lider. Mas a comodidade é tanta que eles (políticos) não querem perder o seu "precioso" tempo com problemas brasileiros... cada dia perco meus sonhos de ver nosso país nas mãos de um ser humano capaz de mudar, ou quem sabe, fazer a diferença! Mas não é bem isso que vejo...nosso caro Lula, confiei tanto em ti, apostei minhas forças e minhas esperanças, acreitava que por mais que todos falassem de ti meu voto não seria perdido! Ainda há tempo, basta trabalhar... ...nossos sonhos não são mais os mesmos, pois já não vejo espaço para eles... Mas não tem problema, porque eu sonho novamente... e seja onde for eu estarei com o meu povo. Apoio Cappio! Estou com o Sr. frei, confio que tua missão será válida e esse povo tão bom protegido. Lula atende o povo que te elegeu. "...esperar não é saber. Quem sabe faz a hora, não espera acontecer..."

Tinha esperança no Lula, agora só tenho no povo

Posted by Robson Azevedo Dos Santos at 2007-12-15 02:02

Eu tenho 19 anos, vivi pouco tempo mais já tenho desilusões com tudo que vejo em relação à política. Como pode uma pessoa se dizer do povo e ter atitudes neoliberais como essa de transposição do Rio São Francisco?sem se quer levar em consideração o meio ambiente;a população que depende do rio para sobreviver;e até as questões culturais do país,pois quem nunca ouviu uma música do Luis gonzaga ressaltando a beleza do velho chico?ou qualquer música caipira do mesmo com a mesma endeusação? Num belo dia eu passei em frente a esse belo e me perguntei"como o ser humano pode ser tão frio,inconsequente,ambicioso a tal ponto de destruir uma beleza como essa, um patrimonio nacional?" Ainda não citei os impactos ambientais que esse lugar irá sofrer, sem falar quem realmente vai ser beneficiado com essa transposição.Os grandes latifundiarios estão torcendo pra esse absurdos,pois eles seram o maior,aliás,únicos benficiados dessa falta de consiência ambiental. A minha esperança com relação aos políticos mudarem esse cenário,se acabou. O que me resta agora é acreditar que o povo possa mudar, não só o situação do velho chico, mais que seja feita uma revolução na vida dos brasileiros com os pensamento do povo, e não com o pensamentos de emissoras como a globo que só truxeram retrocesso para o país desde sua existência,ou com a cabeça da burguesia, como em todas revoluções existentes até agora

carta ao ministro da integração nacional

Posted by padre marcos radaelli at 2007-12-14 11:35

Exmo. Sr. Geddel Quadros Vieira Lima, Ministro da Integração Nacional.

Escrevo esta mensagem com a finalidade de auxiliá-lo em questões terminológicas relativas ao artigo publicado por Vossa Senhoria no Jornal Folha de São Paulo, neste dia 10 de Dezembro de 2007. Recebi com certa preocupação a maneira como o conceito de “democracia” foi trabalhado em relação à problemática da greve de fome do bispo Cappio em Sobradinho. É bem verdade que símbolos podem ser usados como meios para fins indesejáveis. Mas em hipótese alguma pode-se afirmar com tanta unilateralidade que os símbolos foram por vezes usados “para fraudar, enganar, manipular, distorcer e fragilizar a democracia e as instituições”. Uma afirmação assim considerada é indutivista e ingênua, pois não considera sua totalidade, suas constâncias e nem mesmo a peculiaridade dos que elaboram a historiografia e sua realidade. Aqui valem alguns questionamentos: quem escreveu a história? Sob que ótica? Certos símbolos ferem a democracia do ponto de vista de quem? De que classe ou parcela da população? Creio que o conceito de democracia por vós apresentado é um tanto forjado. Democracia, em termos gerais, significa “forma de governo na qual o poder emana do povo e em nome dele é constituído; soberania popular; igualdade”. É lamentável quando aqueles que foram colocados no poder pelo povo, para servir ao povo e segundo a vontade deste povo, se distanciam do povo. Passam a privilegiar interesses de grupos reduzidos, distanciando-se da vontade popular. Prezado ministro, isto sim é o que significa tornar-se um ícone “para fraudar, enganar, manipular, distorcer e fragilizar a democracia e as instituições”. Todo cidadão é por sua própria natureza um político. Político não são apenas aqueles que estão em esferas representativas do poder (do povo). Estes, aliás, devem tomar o constante cuidado para que jamais se afastem da vontade do povo e é sempre necessário ser sensíveis a isto, ouvindo suas manifestações e dando a elas o devido valor. É inaceitável que Vossa Senhoria e os demais representantes do povo tenham classificado a manifestação do bispo como “terrorismo simbólico” e “chantagem”. Lembro que os “símbolos” que enfraquecem e destroem a democracia e as instituições não são oriundos apenas das camadas populares, mas podem estar presentes também entre os representantes do povo. Faço votos de que Vossa Senhoria jamais esteja entre estes, crendo no bom senso que o prezado ministro possui indubitavelmente. Não estou aqui questionando se a forma de protesto escolhida pelo bispo é a mais adequada ou não. Apenas questiono a ambigüidade atribuída ao conceito “democracia”. O que o bispo está fazendo, qualquer cidadão tem o direito e dever de fazer, mesmo que seja em outras modalidades de protesto. Ele é bispo, mas antes disso é cidadão. Sua manifestação não pode ser classificada de ilegítima. Igualmente não é válido o argumento apresentado por Vossa Senhoria de que uma democracia não deve dobrar-se à “certeza de um único indivíduo, por mais impactante que seja o simbolismo que ele pretenda associar”. Esta afirmação é tão irreal, pois basta Vossa Senhoria avançar mais algumas páginas no Jornal Folha de São Paulo deste mesmo dia 10 de dezembro e ver que o Exército barrou uma romaria de apoio ao bispo que está em greve de fome. O que se diz do povo ribeirinho? Eles foram consultados pra conferir se é do desejo deles ou não a transposição do rio? Vossa Senhoria tem certeza de que a manifestação de Dom Cappio é a “certeza de um único indivíduo”? Parece que os fatos comprovam exatamente o contrário. Além do mais o que o senhor chama de ícones não entorpece a democracia. Quando os “ícones” manifestam a vontade do povo, o mínimo que os organismos públicos de governo devem fazer é submeter-se aos mesmos sim. Aliás, eles surgem do meio do povo exatamente quando o governo se afasta dos anseios do povo. Os ícones, na verdade, são um sintoma. É como uma febre, que denuncia alguma anormalidade no corpo. Será que os nossos ícones populares não são como uma febre que denuncia alguma doença no corpo da sociedade? Pense bem nisto, ao invés de rejeitar estas vozes e desconsiderar seus argumentos ou razões. Tenha certeza de que a atitude do bispo não é imposição de “uma vontade individual à vontade de um governo legitimamente constituído”. Será que este governo legitimamente constituído não esqueceu a vontade coletiva, pois não a ouve, e orienta-se apenas em favor de pequenos grupos ou interesses que divergem dos interesses populares? Aqui a situação é bem inversa. Lembro ainda que a fé cristã não é uma fé alheia ao compromisso político. Há pessoas que afirmam que o Estado é laico, mas se esquecem de levar em conta que as pessoas que formam este mesmo Estado possuem fé e a professam, em sua maior parte, em instituições religiosas, não importando qual seja sua religião. O Estado não pode deixar isto passar por despercebido. Toda pessoa de fé é também cidadã. O bispo está em uso de plenos direitos de cidadão. Mas seria bom que Vossa Senhoria, que se diz Católico, estudasse melhor e aprofundasse seu conhecimento sobre a pessoa de Jesus Cristo. Deixe um pouco de lado suas convicções particulares ou subjetivas, e busque o Cristo objetivamente. Neste momento uma boa pergunta é esta: por que Jesus Cristo morreu? Se o Bispo Cappio morrer, pergunte: por que Cappio morreu? Será que ele, como discípulo de Jesus Cristo, não está seguindo os passos de seu mestre? Ou será que Vossa Senhoria seria capaz de afirmar também que Jesus Cristo teria atentado contra a própria vida e usado sua condição de Filho de Deus para “colocá-la a serviço de uma militância política baseada num fundamentalismo que só entende a rendição incondicional como resposta”? Jesus não morreu, foi assassinado por permanecer fiel à sua missão. E desta trama contra sua vida participaram os líderes políticos de sua época. Será que ainda dá pra dizer que ele atentou contra a própria vida, ou deu sua vida para a vida dos seus? E um discípulo, como Cappio, que deve continuar a obra do seu Mestre, deve ser infiel e abandonar sua missão? Leia os Evangelhos, por favor. Entenda que o Bispo Cappio não está atentando contra a própria vida, mas está defendendo a vida num sentido maior, pois o amor que mora em seu coração é maior. É bem verdade, como Vossa Senhoria afirmou, que “a Igreja, a santa Igreja”, não é fundamentalista. Não é mesmo. Mas com certeza ela é radial em suas opções. E sua raiz está no amor de Deus, criador e doador da vida. Não só a vida humana, mas toda forma de vida existente sobre a face da terra. É neste sentido que o bispo pensa na vida e a quer defender. Talvez “seu coração tenha razões que a própria razão desconheça”. Concordo plenamente com Vossa Senhoria que muitos acabam se aproveitando da situação. Lamentamos, juntos, isso tudo. Mas não é novidade. Quantos também não se aproveitaram e ainda se aproveitam de Jesus e da fé pra sua ascensão até mesmo política, exibindo fotos ao lado de líderes religiosos? Não podemos nos assustar com isso, mas sempre buscar a sinceridade do coração humano e a verdade de suas intenções. Acredito muito que a morte de Cappio não é desejada. Eu não a desejo, creio que Vossa Senhoria não a deseja e não me restam dúvidas de que o próprio Bispo Cappio não a deseja. Meu único desejo é que o bispo viva, que o seu povo ribeirinho viva e que a sua voz seja ouvida. Que as leis sejam respeitadas. As que precisam, sejam transformadas. E precisamos de leis. De boas leis. Que a ética e a moral, sem moralismos baratos, sejam concretas. Mas que acima de tudo reine a lei do amor. O desejo é que esta questão seja resolvida, o quanto antes e definitivamente. Não creio que Cappio esteja desrespeitando a Igreja, mas que pense muito e com atenção na Palavra da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Esta não o condenou, mas dirigiu-lhe algumas orientações. Devemos sempre ser obedientes à Igreja, e sei que ele também está sendo e sempre será. Sei que precisamos de vozes proféticas, como a do bispo Cappio, mas o queremos com vida e queremos que seu povo viva. Por isso, além de pedir que ele preserve sua vida, peço também ao Estado que preserve o São Francisco. Peço a Deus que olhe por todos. Que olhe por vossa Senhoria e oriente sempre o coração do querido bispo Cappio, conservando-o como fiel discípulo e missionário de Jesus Cristo. Atenciosamente, Padre Marcos Radaelli

carta ao ministro da integração nacional

Posted by padre marcos radaelli at 2007-12-14 11:35

Exmo. Sr. Geddel Quadros Vieira Lima, Ministro da Integração Nacional.

Escrevo esta mensagem com a finalidade de auxiliá-lo em questões terminológicas relativas ao artigo publicado por Vossa Senhoria no Jornal Folha de São Paulo, neste dia 10 de Dezembro de 2007. Recebi com certa preocupação a maneira como o conceito de “democracia” foi trabalhado em relação à problemática da greve de fome do bispo Cappio em Sobradinho. É bem verdade que símbolos podem ser usados como meios para fins indesejáveis. Mas em hipótese alguma pode-se afirmar com tanta unilateralidade que os símbolos foram por vezes usados “para fraudar, enganar, manipular, distorcer e fragilizar a democracia e as instituições”. Uma afirmação assim considerada é indutivista e ingênua, pois não considera sua totalidade, suas constâncias e nem mesmo a peculiaridade dos que elaboram a historiografia e sua realidade. Aqui valem alguns questionamentos: quem escreveu a história? Sob que ótica? Certos símbolos ferem a democracia do ponto de vista de quem? De que classe ou parcela da população? Creio que o conceito de democracia por vós apresentado é um tanto forjado. Democracia, em termos gerais, significa “forma de governo na qual o poder emana do povo e em nome dele é constituído; soberania popular; igualdade”. É lamentável quando aqueles que foram colocados no poder pelo povo, para servir ao povo e segundo a vontade deste povo, se distanciam do povo. Passam a privilegiar interesses de grupos reduzidos, distanciando-se da vontade popular. Prezado ministro, isto sim é o que significa tornar-se um ícone “para fraudar, enganar, manipular, distorcer e fragilizar a democracia e as instituições”. Todo cidadão é por sua própria natureza um político. Político não são apenas aqueles que estão em esferas representativas do poder (do povo). Estes, aliás, devem tomar o constante cuidado para que jamais se afastem da vontade do povo e é sempre necessário ser sensíveis a isto, ouvindo suas manifestações e dando a elas o devido valor. É inaceitável que Vossa Senhoria e os demais representantes do povo tenham classificado a manifestação do bispo como “terrorismo simbólico” e “chantagem”. Lembro que os “símbolos” que enfraquecem e destroem a democracia e as instituições não são oriundos apenas das camadas populares, mas podem estar presentes também entre os representantes do povo. Faço votos de que Vossa Senhoria jamais esteja entre estes, crendo no bom senso que o prezado ministro possui indubitavelmente. Não estou aqui questionando se a forma de protesto escolhida pelo bispo é a mais adequada ou não. Apenas questiono a ambigüidade atribuída ao conceito “democracia”. O que o bispo está fazendo, qualquer cidadão tem o direito e dever de fazer, mesmo que seja em outras modalidades de protesto. Ele é bispo, mas antes disso é cidadão. Sua manifestação não pode ser classificada de ilegítima. Igualmente não é válido o argumento apresentado por Vossa Senhoria de que uma democracia não deve dobrar-se à “certeza de um único indivíduo, por mais impactante que seja o simbolismo que ele pretenda associar”. Esta afirmação é tão irreal, pois basta Vossa Senhoria avançar mais algumas páginas no Jornal Folha de São Paulo deste mesmo dia 10 de dezembro e ver que o Exército barrou uma romaria de apoio ao bispo que está em greve de fome. O que se diz do povo ribeirinho? Eles foram consultados pra conferir se é do desejo deles ou não a transposição do rio? Vossa Senhoria tem certeza de que a manifestação de Dom Cappio é a “certeza de um único indivíduo”? Parece que os fatos comprovam exatamente o contrário. Além do mais o que o senhor chama de ícones não entorpece a democracia. Quando os “ícones” manifestam a vontade do povo, o mínimo que os organismos públicos de governo devem fazer é submeter-se aos mesmos sim. Aliás, eles surgem do meio do povo exatamente quando o governo se afasta dos anseios do povo. Os ícones, na verdade, são um sintoma. É como uma febre, que denuncia alguma anormalidade no corpo. Será que os nossos ícones populares não são como uma febre que denuncia alguma doença no corpo da sociedade? Pense bem nisto, ao invés de rejeitar estas vozes e desconsiderar seus argumentos ou razões. Tenha certeza de que a atitude do bispo não é imposição de “uma vontade individual à vontade de um governo legitimamente constituído”. Será que este governo legitimamente constituído não esqueceu a vontade coletiva, pois não a ouve, e orienta-se apenas em favor de pequenos grupos ou interesses que divergem dos interesses populares? Aqui a situação é bem inversa. Lembro ainda que a fé cristã não é uma fé alheia ao compromisso político. Há pessoas que afirmam que o Estado é laico, mas se esquecem de levar em conta que as pessoas que formam este mesmo Estado possuem fé e a professam, em sua maior parte, em instituições religiosas, não importando qual seja sua religião. O Estado não pode deixar isto passar por despercebido. Toda pessoa de fé é também cidadã. O bispo está em uso de plenos direitos de cidadão. Mas seria bom que Vossa Senhoria, que se diz Católico, estudasse melhor e aprofundasse seu conhecimento sobre a pessoa de Jesus Cristo. Deixe um pouco de lado suas convicções particulares ou subjetivas, e busque o Cristo objetivamente. Neste momento uma boa pergunta é esta: por que Jesus Cristo morreu? Se o Bispo Cappio morrer, pergunte: por que Cappio morreu? Será que ele, como discípulo de Jesus Cristo, não está seguindo os passos de seu mestre? Ou será que Vossa Senhoria seria capaz de afirmar também que Jesus Cristo teria atentado contra a própria vida e usado sua condição de Filho de Deus para “colocá-la a serviço de uma militância política baseada num fundamentalismo que só entende a rendição incondicional como resposta”? Jesus não morreu, foi assassinado por permanecer fiel à sua missão. E desta trama contra sua vida participaram os líderes políticos de sua época. Será que ainda dá pra dizer que ele atentou contra a própria vida, ou deu sua vida para a vida dos seus? E um discípulo, como Cappio, que deve continuar a obra do seu Mestre, deve ser infiel e abandonar sua missão? Leia os Evangelhos, por favor. Entenda que o Bispo Cappio não está atentando contra a própria vida, mas está defendendo a vida num sentido maior, pois o amor que mora em seu coração é maior. É bem verdade, como Vossa Senhoria afirmou, que “a Igreja, a santa Igreja”, não é fundamentalista. Não é mesmo. Mas com certeza ela é radial em suas opções. E sua raiz está no amor de Deus, criador e doador da vida. Não só a vida humana, mas toda forma de vida existente sobre a face da terra. É neste sentido que o bispo pensa na vida e a quer defender. Talvez “seu coração tenha razões que a própria razão desconheça”. Concordo plenamente com Vossa Senhoria que muitos acabam se aproveitando da situação. Lamentamos, juntos, isso tudo. Mas não é novidade. Quantos também não se aproveitaram e ainda se aproveitam de Jesus e da fé pra sua ascensão até mesmo política, exibindo fotos ao lado de líderes religiosos? Não podemos nos assustar com isso, mas sempre buscar a sinceridade do coração humano e a verdade de suas intenções. Acredito muito que a morte de Cappio não é desejada. Eu não a desejo, creio que Vossa Senhoria não a deseja e não me restam dúvidas de que o próprio Bispo Cappio não a deseja. Meu único desejo é que o bispo viva, que o seu povo ribeirinho viva e que a sua voz seja ouvida. Que as leis sejam respeitadas. As que precisam, sejam transformadas. E precisamos de leis. De boas leis. Que a ética e a moral, sem moralismos baratos, sejam concretas. Mas que acima de tudo reine a lei do amor. O desejo é que esta questão seja resolvida, o quanto antes e definitivamente. Não creio que Cappio esteja desrespeitando a Igreja, mas que pense muito e com atenção na Palavra da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Esta não o condenou, mas dirigiu-lhe algumas orientações. Devemos sempre ser obedientes à Igreja, e sei que ele também está sendo e sempre será. Sei que precisamos de vozes proféticas, como a do bispo Cappio, mas o queremos com vida e queremos que seu povo viva. Por isso, além de pedir que ele preserve sua vida, peço também ao Estado que preserve o São Francisco. Peço a Deus que olhe por todos. Que olhe por vossa Senhoria e oriente sempre o coração do querido bispo Cappio, conservando-o como fiel discípulo e missionário de Jesus Cristo. Atenciosamente, Padre Marcos Radaelli

carta ao ministro da integração nacional

Posted by padre marcos radaelli at 2007-12-14 11:35

Exmo. Sr. Geddel Quadros Vieira Lima, Ministro da Integração Nacional.

Escrevo esta mensagem com a finalidade de auxiliá-lo em questões terminológicas relativas ao artigo publicado por Vossa Senhoria no Jornal Folha de São Paulo, neste dia 10 de Dezembro de 2007. Recebi com certa preocupação a maneira como o conceito de “democracia” foi trabalhado em relação à problemática da greve de fome do bispo Cappio em Sobradinho. É bem verdade que símbolos podem ser usados como meios para fins indesejáveis. Mas em hipótese alguma pode-se afirmar com tanta unilateralidade que os símbolos foram por vezes usados “para fraudar, enganar, manipular, distorcer e fragilizar a democracia e as instituições”. Uma afirmação assim considerada é indutivista e ingênua, pois não considera sua totalidade, suas constâncias e nem mesmo a peculiaridade dos que elaboram a historiografia e sua realidade. Aqui valem alguns questionamentos: quem escreveu a história? Sob que ótica? Certos símbolos ferem a democracia do ponto de vista de quem? De que classe ou parcela da população? Creio que o conceito de democracia por vós apresentado é um tanto forjado. Democracia, em termos gerais, significa “forma de governo na qual o poder emana do povo e em nome dele é constituído; soberania popular; igualdade”. É lamentável quando aqueles que foram colocados no poder pelo povo, para servir ao povo e segundo a vontade deste povo, se distanciam do povo. Passam a privilegiar interesses de grupos reduzidos, distanciando-se da vontade popular. Prezado ministro, isto sim é o que significa tornar-se um ícone “para fraudar, enganar, manipular, distorcer e fragilizar a democracia e as instituições”. Todo cidadão é por sua própria natureza um político. Político não são apenas aqueles que estão em esferas representativas do poder (do povo). Estes, aliás, devem tomar o constante cuidado para que jamais se afastem da vontade do povo e é sempre necessário ser sensíveis a isto, ouvindo suas manifestações e dando a elas o devido valor. É inaceitável que Vossa Senhoria e os demais representantes do povo tenham classificado a manifestação do bispo como “terrorismo simbólico” e “chantagem”. Lembro que os “símbolos” que enfraquecem e destroem a democracia e as instituições não são oriundos apenas das camadas populares, mas podem estar presentes também entre os representantes do povo. Faço votos de que Vossa Senhoria jamais esteja entre estes, crendo no bom senso que o prezado ministro possui indubitavelmente. Não estou aqui questionando se a forma de protesto escolhida pelo bispo é a mais adequada ou não. Apenas questiono a ambigüidade atribuída ao conceito “democracia”. O que o bispo está fazendo, qualquer cidadão tem o direito e dever de fazer, mesmo que seja em outras modalidades de protesto. Ele é bispo, mas antes disso é cidadão. Sua manifestação não pode ser classificada de ilegítima. Igualmente não é válido o argumento apresentado por Vossa Senhoria de que uma democracia não deve dobrar-se à “certeza de um único indivíduo, por mais impactante que seja o simbolismo que ele pretenda associar”. Esta afirmação é tão irreal, pois basta Vossa Senhoria avançar mais algumas páginas no Jornal Folha de São Paulo deste mesmo dia 10 de dezembro e ver que o Exército barrou uma romaria de apoio ao bispo que está em greve de fome. O que se diz do povo ribeirinho? Eles foram consultados pra conferir se é do desejo deles ou não a transposição do rio? Vossa Senhoria tem certeza de que a manifestação de Dom Cappio é a “certeza de um único indivíduo”? Parece que os fatos comprovam exatamente o contrário. Além do mais o que o senhor chama de ícones não entorpece a democracia. Quando os “ícones” manifestam a vontade do povo, o mínimo que os organismos públicos de governo devem fazer é submeter-se aos mesmos sim. Aliás, eles surgem do meio do povo exatamente quando o governo se afasta dos anseios do povo. Os ícones, na verdade, são um sintoma. É como uma febre, que denuncia alguma anormalidade no corpo. Será que os nossos ícones populares não são como uma febre que denuncia alguma doença no corpo da sociedade? Pense bem nisto, ao invés de rejeitar estas vozes e desconsiderar seus argumentos ou razões. Tenha certeza de que a atitude do bispo não é imposição de “uma vontade individual à vontade de um governo legitimamente constituído”. Será que este governo legitimamente constituído não esqueceu a vontade coletiva, pois não a ouve, e orienta-se apenas em favor de pequenos grupos ou interesses que divergem dos interesses populares? Aqui a situação é bem inversa. Lembro ainda que a fé cristã não é uma fé alheia ao compromisso político. Há pessoas que afirmam que o Estado é laico, mas se esquecem de levar em conta que as pessoas que formam este mesmo Estado possuem fé e a professam, em sua maior parte, em instituições religiosas, não importando qual seja sua religião. O Estado não pode deixar isto passar por despercebido. Toda pessoa de fé é também cidadã. O bispo está em uso de plenos direitos de cidadão. Mas seria bom que Vossa Senhoria, que se diz Católico, estudasse melhor e aprofundasse seu conhecimento sobre a pessoa de Jesus Cristo. Deixe um pouco de lado suas convicções particulares ou subjetivas, e busque o Cristo objetivamente. Neste momento uma boa pergunta é esta: por que Jesus Cristo morreu? Se o Bispo Cappio morrer, pergunte: por que Cappio morreu? Será que ele, como discípulo de Jesus Cristo, não está seguindo os passos de seu mestre? Ou será que Vossa Senhoria seria capaz de afirmar também que Jesus Cristo teria atentado contra a própria vida e usado sua condição de Filho de Deus para “colocá-la a serviço de uma militância política baseada num fundamentalismo que só entende a rendição incondicional como resposta”? Jesus não morreu, foi assassinado por permanecer fiel à sua missão. E desta trama contra sua vida participaram os líderes políticos de sua época. Será que ainda dá pra dizer que ele atentou contra a própria vida, ou deu sua vida para a vida dos seus? E um discípulo, como Cappio, que deve continuar a obra do seu Mestre, deve ser infiel e abandonar sua missão? Leia os Evangelhos, por favor. Entenda que o Bispo Cappio não está atentando contra a própria vida, mas está defendendo a vida num sentido maior, pois o amor que mora em seu coração é maior. É bem verdade, como Vossa Senhoria afirmou, que “a Igreja, a santa Igreja”, não é fundamentalista. Não é mesmo. Mas com certeza ela é radial em suas opções. E sua raiz está no amor de Deus, criador e doador da vida. Não só a vida humana, mas toda forma de vida existente sobre a face da terra. É neste sentido que o bispo pensa na vida e a quer defender. Talvez “seu coração tenha razões que a própria razão desconheça”. Concordo plenamente com Vossa Senhoria que muitos acabam se aproveitando da situação. Lamentamos, juntos, isso tudo. Mas não é novidade. Quantos também não se aproveitaram e ainda se aproveitam de Jesus e da fé pra sua ascensão até mesmo política, exibindo fotos ao lado de líderes religiosos? Não podemos nos assustar com isso, mas sempre buscar a sinceridade do coração humano e a verdade de suas intenções. Acredito muito que a morte de Cappio não é desejada. Eu não a desejo, creio que Vossa Senhoria não a deseja e não me restam dúvidas de que o próprio Bispo Cappio não a deseja. Meu único desejo é que o bispo viva, que o seu povo ribeirinho viva e que a sua voz seja ouvida. Que as leis sejam respeitadas. As que precisam, sejam transformadas. E precisamos de leis. De boas leis. Que a ética e a moral, sem moralismos baratos, sejam concretas. Mas que acima de tudo reine a lei do amor. O desejo é que esta questão seja resolvida, o quanto antes e definitivamente. Não creio que Cappio esteja desrespeitando a Igreja, mas que pense muito e com atenção na Palavra da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Esta não o condenou, mas dirigiu-lhe algumas orientações. Devemos sempre ser obedientes à Igreja, e sei que ele também está sendo e sempre será. Sei que precisamos de vozes proféticas, como a do bispo Cappio, mas o queremos com vida e queremos que seu povo viva. Por isso, além de pedir que ele preserve sua vida, peço também ao Estado que preserve o São Francisco. Peço a Deus que olhe por todos. Que olhe por vossa Senhoria e oriente sempre o coração do querido bispo Cappio, conservando-o como fiel discípulo e missionário de Jesus Cristo. Atenciosamente, Padre Marcos Radaelli


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