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Frei Cappio apresenta fragilidade; semana terá julgamento decisivo

by jpereira last modified 2007-12-18 20:27

Religioso tem quedas de pressão; CNBB convoca cristãos a fazerem jejum solidário; ministro do governo Lula reafirma que Planalto não vai negociar

Religioso tem quedas de pressão; CNBB convoca cristãos a fazerem jejum solidário; ministro do governo Lula reafirma que Planalto não vai negociar

17/12/2007

Banner_sao_franciscoJorge Pereira Filho,
da redação

Com fortes quedas de pressão e mal-estar, frei Luiz Flávio Cappio inicia o seu 21º dia sem comer nesta segunda-feira (17). A partir de hoje, o religioso precisará ser acompanhado diariamente por um médico de confiança. Seu corpo já apresenta sinais de fragilidade orgânica por conta do jejum (leia mais). Mesmo assim, frei Cappio tem reafirmado sua disposição de permanecer com seu protesto até que o governo paralise as obras de transposição do rio São Francisco, retire o Exército do local e inicie um processo de ampla discussão sobre alternativas para a convivência com o Semi-Árido.


A disputa do governo com ribeirinhos, pescadores, indígenas, movimentos sociais e críticos do projeto de transposição deve ganhar contornos decisivos nesta semana. O Supremo Tribunal Federal (STF) poderá levar a julgamento, na quarta-feira (19), o processo movido pela Procuradoria Geral da República que pede a paralisação do projeto. Uma liminar já freou temporariamente a transposição, que está sendo executada pelos militares (veja reportagem).


Um dos argumentos levantados pelo MPF é o de que o projeto viola o Plano de Recursos Hídricos, pois tem como objetivo o aproveitamento da água para uso econômico, e não para consumo humano. Dados oficiais, do próprio Ministério da Integração Nacional, prevêem que apenas 4% do volume de água transposto vai para o povo nordestino; 70% será para irrigação e 26% para uso urbano-industrial (veja quadro).


Para a Comissão Pastoral da Terra (CPT), a transposição não vai favorecer quem mora no Semi-Árido e precisa de alternativas para conviver com os períodos de seca; mas sim empresários do agronegócio e do setor industrial, sobretudo a elite cearense. Dizem que o governo Lula pretende realizá-la para pagar um compromisso de campanha com o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) (leia reportagem). Geógrafos, ONGs e pesquisadores afirmam que existem soluções mais baratas e efetivas para a convivência do Semi-Árido do que o projeto de transposição (leia mais).


Governo não negocia

Enquanto se aproxima o julgamento do STF, crescem as manifestações de solidariedade ao protesto do bispo de Barra (BA) e o governo reafirma sua disposição de não negociar e tentar classificar a atitude do religioso de “fundamentalista”. Em entrevista à Folha de S. Paulo, o ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) enfatiza que o governo considera o protesto “inaceitável”, não pretende negociar com o religioso e o qualifica de “intransigente”.


Já a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) convocou os cristãos brasileiros, para esta segunda-feira (21), promoverem um jejum em solidariedade a frei Cappio (leia reportagem). Movimentos populares como a Via Campesina e organizações sociais promovem também hoje um dia de mobilizações. Em Brasília, representantes do Comitê da Bacia do rio São Francisco vão fazer uma vigília, com a participação de artistas. Em Porto Alegre (RS) estão previstos ato público na Praça da Matriz e celebração na Capela da Assembléia Legislativa. Em Belo Horizonte (MG), as atividades acontecem na terça-feira (18).


Em Salvador (BA), cerca de três mil pessoas já participaram de uma vigília em apoio ao bispo na Bahia, que começou no sábado (15) e não tem data para acabar. Acontecem celebrações três vezes por dia, intercaladas com apresentações culturais. Em Bom Jesus da Lapa (BA), houve uma vigília no final de semana.


O movimento de jejum solidário teve início no dia 30 de novembro, a partir do sócio-educador Marcos Arruda (do Instituto Pacs - Políticas Alternativas para o Cone Sul). Aos poucos, ganhou adesão em diversos lugares do Rio de Janeiro e da Bahia, em outros estados como Paraná, Goiás, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Ceará, Paraíba, Pernambuco, além de outros países – Alemanha e Áustria. Cerca de 200 pessoas aderiram ao movimento. Costumam permanecer de um a dois dias ingerindo apenas água. (* Colaborou Clarice Maia, da Articulação São Francisco Vivo)


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