Um dia de jejum solidário pelo Brasil
Em diversas capitais brasileiras, manifestações de solidariedade ao protesto de frei Cappio que, nesta terça-feira (18), entre em seu 22º dia de greve de fome
18/12/2007
Débora Dias,
de Fortaleza (CE)
O dia 17 de dezembro foi marcado por vigília em defesa do Rio São Francisco. No Ceará, um grupo realizou o jejum solidário a dom Cappio e a todos os povos atingidos com o projeto de transposição do rio. Um altar com potes de água ao lado de imagens de São Francisco. Vinte e um passos, lentos, para lembrar os dias que dom Luiz Flávio Cappio está sem comer. Palavras de amor, de serenidade e protesto ocuparam a praça da Igreja do Otávio Bonfim, em Fortaleza. Por 24 horas, a partir do meio-dia de segunda-feira (17), integrantes de pastorais, entidades e movimentos sociais realizam místicas e celebrações para apoio e solidariedade ao religioso que mantém a greve de fome até que as obras de transposição do Rio São Francisco sejam suspensas.
"Queremos dar visibilidade que o projeto de transposição tem sim movimentos contrários no Ceará e que não é pouca gente", destacou a assessora da Cáritas Regional Ceará, Francisca Sena Rodrigues, também integrante da Frente cearensepor uma nova cultura deáguas e contra a transposição do Rio São Francisco. As atividades fazem parte do D ia Nacional de Vigília e Jejum Solidário, articulado pela Cáritas Brasileira em diversos Estados, com o apoio de fóruns e entidades. Indígenas, sem-terras, estudantes, religiosos, professores denunciaram os prejuízos com a transposição aos povos ribeirinhos, o alto custo do projeto (R$ 6,6 bilhões) e quem se beneficia com as obras, entre indústrias e grandes propriedades rurais (leia os argumentos contra e a favor do projeto).
Olhando o movimento na praça estava a dona de casa Francisca Cordeiro de Lima, que soube da atividade durante a missa do domingo. Até então, os motivos que levaram ao protesto do religioso não eram conhecidos por ela, nem os argumentos em torno do projeto de transposição. "Muita gente não sabe o que está acontecendo. Se não é para o bem da humanidade, sou contra". No entanto, Francisca temia que o sacrifício de dom Cappio não tivesse resultados junto ao governo federal. "Estamos na última lua do ano, que promete surpresas boas", anunciava o poeta e cantor José Vicente, durante mística.
As músicas se alternaram aos depoimentos sobre as mudanças ocorridas no Rio ao longo dos anos, as alternativas para a convivência no semi-árido e, principalmente, o gesto do bispo na Bahia. "Vivemos um momento tão delicado e nos sentimos impotentes diante do grandioso gesto de dom Cappio, que conhecendo a realidade do povo, do rio, se coloca a serviço desse povo e desse rio", ressaltou a integrante da Comissão Pastoral da Terra, Senhorinha Soares. Ela fez parte do grupo que realizou o jejum solidário. "Vamos transmitir uma energia de comunhão, numa sintonia para além do que as palavras podem dizer", demonstrou o poeta José Vicente.













