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Um projeto pensado ainda no Brasil Colônia

by jpereira last modified 2007-12-18 19:48

Os primeiros documentos sobre a transposição do rio São Francisco remontam à época que a então família de Dom João VI veio ao Brasil, durante o período colonial

Os primeiros documentos sobre a transposição do rio São Francisco remontam à época que a então família de Dom João VI veio ao Brasil, durante o período colonial

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17/12/2007


1847 -> “Venderia as jóias da coroa”

Foi com o Imperador Dom Pedro II, em 1847, que a proposta da transposição do rio São Francisco ganhou oficialmente a agenda do poder político brasileiro. Dom Pedro II chegou a dizer que leiloaria as jóias da coroa para viabilizar a construção dos canais em 10 anos. A idéia, no entanto, já estava sendo discutida quando a família real veio ao Brasil. Documentos do período de Dom João VI mostram que técnicos já discutiam o aproveitamento da água do rio em 1818.


Década de 1980 -> Governo militar

A transposição do rio São Francisco permaneceu na agenda pública, durante mais de um século, como uma carta na manga nos momentos mais dramáticos da seca no Nordeste. E a primeira vez que o projeto foi escrito e elaborado ocorreu justamente após uma das estiagens mais fortes que se têm notícias no Brasil (1979-1983). O estudo ocorreu durante o governo militar de João Batista de Oliveira Figueiredo, sob a coordenação do Ministro do Interior Mário Andreazza e executado pelo Departamento Nacional de Obras e Saneamento (DNOS). Cabrobó-PE seria o ponto inicial dos canais que conduzem a água até o Vale do Cariri (rio Jaguaribe), no Ceará e outras bacias beneficiadas.


Anos 1990 -> Novo impulso

O projeto ganhou a mídia e entrou para o debateu público, de vez, no início dos anos 1990. Após a redemocratização, o primeiro presidente a encampar a proposta foi Itamar Franco que, em agosto de 1994, enviou um decreto ao Senado dizendo declarando ser do interesse da União, para fins de estudo, o potencial hídrico das bacias das regiões Semi-Áridas dos Estados do Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba, com vistas à transposição.


1995 -> FHC encampa o projeto

Cinco meses depois de eleito, Fernando Henrique Cardoso assinou o documento “Compromisso pela Vida do São Francisco”, prevendo um programa de revitalização da bacia hidrográfica do rio e a construção do Eixo Norte e Eixo Leste. O projeto contou com forte apoio das elites políticas do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco. Gerou oposição na Bahia. O governo FHC chegou a reservar R$ 300 milhões no orçamento para iniciar o projeto.


2002 -> A vez do governo Lula

Ainda no segundo turno das eleições presidenciais, o então candidato petista Lula recebeu o apoio do cearense Ciro Gomes (PPS), quarto colocado no primeiro turno, e assumiu o projeto da transposição. Eleito, Lula escolhe o ex-ministro de FHC para comandar o Ministério da Integração Nacional que, em julho de 2004, apresenta um relatório de impacto ambiental das obras buscando o licenciamento. Entre setembro e outubro de 2005, o governo decide suspender o projeto após primeira a greve de fome de 11 dias realizada por frei Luiz Cappio. O governo se comprometeu a fazer um amplo processo de discussão sobre a transposição antes de retomar o projeto. Nada disso acontece (leia mais). E, reeleito, o presidente Lula anuncia que o projeto está no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Em julho de 2007, o Exército começa as obras (veja a cronologia do projeto no governo Lula).


Fontes:

Clóvis Cavalcanti, pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco

José Vieira Camelo Filho, doutor em Economia, pelo Instituto de Economia da UNICAMP.

Transposição do Rio São Francisco - Sou contra.

Posted by Felipe Luiz Gomes e Silva at 2007-12-18 18:27

O Presidente Luiz Inácio Lula da Siva falou: "estou convencido de que o nordeste deve parar de exportar nordestinos pobres" Eu também estou convencido, há muito tempo. As Ligas Camponesas lutaram por justiça social. Gregório Bezerra, Julião, D. Hélder, Celso Furtado, Margarida Alves e muitos outros e outras lutaram. No livro "Seca e Poder", da Editora Perseu Abramo, Celso Furtado demonstra as suas razões contrárias à transposição do Rio São Francisco. Luiz Inácio insiste em aprofundar a política neoliberal de Fernando H.Cardoso e a dependência do imperialismo estadunidense. Ele está no governo mas não tem poder. O poder está nas mãos das oligarquias e do capital internacional, sempre estiveram irmanados. Saludos y viva Abya Yala, Felipe Silva

Confuzinho esse presidente, não?

Posted by Geraldo Franco at 2007-12-19 22:14

Olá amigos. Pilatos, lá na Bíblia e Noel Rosa em sua benfaseja música, nos diziam e repetiam que a verdade mora num poço. Ora pois. Sua Exa. presidente espera que um rio triste, poluído, esvaziado, mal-tratado desde quase a sua nascente em Minas Gerais, venha a resolver os problemas da pobreza de milhares de pessoas. Parece que ele quer milagres, não? Se é milagres que deseja, porque não entrega a tarefa à Igreja, ao Bispo, que é o responsável terrestre in-direto dessas atividades? Já o Bispo parece não querer milagres, e sim o status-quo, deixar como está e ver comé que fica, como há anos a Igreja fez no país, cujas pessoas de muito falar estão secas, como o Agreste. D. Helder a quem nunca se ouve, dizia-nos: "o Deserto é fértil", e com razão. Mas o S. Francisco não pode mais resolver todos os problemas de todos, muito menos das pessoas de suas margens, como a palavra diz, marginalizadas, esquecidas. Não parecem esquesitos esses desencontros, essas confusões? Não cabe a alguém de maior e melhor siso enteder essas contradições, trabalhar nos paradoxos e matar as xaradas que nos apresentam a vida no NE? Mas não esperem que estas pessoas surjam do Judiciário! Por eles já estariam em recesso há mais de um mês! Já o Congresso demonstra ser o lugar adequado para se tomarem essas decisões, depois de estudados os problemas - TODOS ELES - por gente que entenda de fato e não por milagreiros políticos de terceira classe que mal sabem gerenciar as ovelhas dançarinas e as jararacas malabaristas que dão trabalho em seu próprio partido. Quanto ao Sr. Bispo, sugiro-lhe que se salve na terra, vá reler a Bíblia e procure com mais afinco onde anda a verdade, e, se num poço, profundo que seja, que o perfure, e quem sabe encontre água de um aquífero que com certeza deva lá estar. Ou transfira águas de várzeas, Ou, ou, ou...


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