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Derrota reacende debate sobre revolução bolivariana

by jpereira last modified 2007-12-05 16:44

Chavistas e setores do governo buscam encontrar razões do “voto-castigo”; “pode ser que ainda não estejamos maduros, nem o povo está preparado para assumir o projeto socialista”, avaliou Hugo Chávez

Chavistas e setores do governo buscam encontrar razões do “voto-castigo”; “pode ser que ainda não estejamos maduros, nem o povo está preparado para assumir o projeto socialista”, avaliou Hugo Chávez
Venezuela

05/12/2007



Claudia Jardim

de Caracas (Venezuela)


Silêncio absoluto na periferia. Nos bairros ricos de Caracas, ruas vazias. É segunda-feira, dia seguinte do referendo constitucional em que o “não” barrou a reforma constitucional proposta pelo presidente venezuelano Hugo Chávez, colocando no congelador seu projeto de implementação de um Estado socialista na Venezuela.


Em uma disputa apertada, o ‘não’ venceu com 50,7% dos votos contra 49,29% dos que apoiaram o ‘Sim’. A festa da oposição na madrugada – primeira vitória eleitoral em nove anos – foi tímida. Durou pouco mais de 4 horas. A abstenção foi de 44% do eleitorado, marcada principalmente nos Estados e municípios com ampla base chavista. “Onde estiveram os 6 milhões de militantes do partido, para onde foram os trabalhadores bolivarianos e as comunidades organizadas?”, questionou Nanci Rodriguez, líder comunitária em Petare, decepcionada com a derrota.


Alguns setores do governo, desde o domingo, tentam justificar a derrota e encontrar um culpado. O fracasso do comando de campanha, a incapacidade do Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV) de mobilizar seus 6 milhões de militantes, a manipulação dos meios de comunicação privados e os “dissidentes” do chavismo como o partido Podemos e do ex-general Raúl Isaías Baduel podem ter tido algum peso. Mas outro sinal é que o governo tenha se afastado da população que o apóia.

“A falta de atenção aos problemas da comunidade por parte do governo pode ter sido uma das causas. Como se motivarão a votar se saem na rua e está tudo cheio de lixo, esgoto a céu aberto. Vai no mercado e não encontra leite, desanima mesmo”, justifica Nanci Rodriguez. Nas eleições de dezembro de 2006, Chávez foi reeleito com pouco mais de 7,300 milhões de votos. No referendo, 4,379 milhões de eleitores votaram pelo ‘sim’. A pergunta é: Onde foi parar os mais de 3 milhões de votos chavistas?


A abstenção nos derrotou”, admitiu Chávez.

Na avaliação do sociólogo Edgardo Lander, a abstenção foi uma espécie de “voto castigo” dos partidários do presidente. “Neste caso, havia a possibilidade de não apoiar de forma incondicional a proposta de Chávez, sem que isso significasse um perigo à presidência ou a continuidade do processo de mudanças”, avalia Lander.


A seu ver, o resultado mostrou que os processos de politização dos setores populares estão dando frutos. “Milhões de eleitores populares não se submeteram à chantagem política de votar 'sim' por Chávez e 'não' por Bush”, avalia. Na madrugada da segunda-feira, logo após o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) anunciar os resultados do referendo, Chávez falou em cadeia nacional. Visivelmente abatido, aceitou a derrota. “O povo falou, há que escutar a voz do povo”, disse.

No dia 3, Chávez afirmou acreditar que “se enganou” ao propor a reforma neste momento. “Pode ser que ainda não estejamos maduros, nem o povo está preparado para assumir o projeto socialista”, avaliou em um programa da televisão estatal, pouco depois de ter assumido a derrota no referendo. “Penso que é o momento de fazer a autocrítica. Se o povo não está maduro, então o problema não está na proposta, mas sim no povo?”, questiona Lander.

Oposição interna

O projeto de reforma propunha a inclusão do Poder Popular na escala dos poderes do Executivo, o que a médio e longo deveria permitir aos Conselhos Comunais ir assumindo mais espaços de poder. Necessária e intencionalmente, o Poder Popular deveria confrontar os interesses de governadores e prefeitos. “Esse foi um dos problemas. Claro que muitos governadores e prefeitos não apoiariam uma reforma na qual eles seriam prejudicados”, avaliou o assessor de Assuntos Internacionais da chancelaria, Maximilien Arvelaiz.


A seu ver, a falta de apoio nos Estados determinadas pelos governantes locais impediu que a proposta fosse difundida e conquistasse o apoio da população. “Não houve mobilização, temos de reconhecer que não conseguimos mostrar os benefícios desta reforma. A direita interna foi mais hábil”, ponderou Arvelaiz.


Enquanto isso, a oposição que festejou com timidez os resultados das urnas, pregou a reconciliação com Chávez. O governador do Estado de Zulia e ex-candidato presidencial, Manuel Rosales, disse que espera "que este resultado sirva para que busquemos a paz e a harmonia na Venezuela".

O discurso foi repetido pelo oposicionista Leopoldo López, prefeito de Chacao, um dos municípios que compõem o Distrito Metropolitano de Caracas. "Esse é o momento para nos reencontrarmos, todo o povo", disse. "Poderemos sentar com o presidente para ver qual é o projeto de país que ele quer para todos os venezuelanos."


Na opinião de alguns analistas, ao estender a mão, a direita venezuelana avalia que reuniu respaldo para tentar enquadrar ao presidente, devido a seu debilitamento no referendo. Na avaliação de Maximilien Arvelaiz, a oposição está enganada. “Se pensam que haverá uma pausa na revolução, estão equivocados. A derrota nos obriga a ser ainda mais eficientes, rever algumas coisas no projeto e mostrar resultados concretos à população. Esse foi o sinal que mandaram nas urnas. O trem do processo revolucionário não se freia com a derrota”, explica. A líder comunitária Nanci Rodriguez é mais direta: “Ou deixamos de brincar de revolução ou isso vai por água abaixo”.

quem precisa de inimigos?

Posted by carlos ribeiro at 2007-12-06 17:27

Pequenas pérolas comentadas: 1 - “Penso que é o momento de fazer a autocrítica. Se o povo não está maduro, então o problema não está na proposta, mas sim no povo?” HAHAHA! Pelé no regime militar dizia q o povo não precisava votar pq não sabia... a desculpa é sempre a mesma qdo se tem medo do voto, e se dizem democráticos... 2 - "O trem do processo revolucionário não se freia com a derrota" HAHAHA! essa eu vou me abster, igual a um monte de chavista...

Tudo pelo social

Posted by paulo almeida at 2007-12-07 07:15

Até quando uns egocêntricos dogmáticos väo ficar vendendo gato por lebre em nome do socialismo? Pelo amor de qualquer coisa, criem vergonha na cara! Este socialismo marxista faliu no mundo inteiro porque tem as mesmas bases do também equivocado capitalismo. Ou seja, ambos se amparam em Kant. Kant errou abolindo o idealismo, e Marx errou adotando um idealismo materialista, vide Kant... Até quando precisaremos errar par aprendermos que o socialimo do Chaves, Lula e etc. está errado, e nao vai além do Paulo Maluf, FHC e etc? Acho que a maioria já viu o suficiente.

D gaveta de sapateiro à casa de bonecas

Posted by Magno Oliveira at 2007-12-07 11:38

Todo processo revolucionário possui duas características básicas: o conflito de categorias de pensamento e a relação homem/tempo. O primeiro, em síntese, é a perspectiva de ruptura com o modelo hegemônico historicamente constituído e o novo com o seu conjunto de inusitados. O segundo, desdobramento do primeiro, diz respeito ao tempo de se consolidar uma outra categoria de pensamento. A revolução cubana, por exemplo, só obteve êxito na consolidação do socialismo a custa de muita luta ao longo do tempo. Hoje, quase 50 anos depois, o povo cubano tomou o rumo de sua própria história com a experiência democrática que não existia há 50 anos atrás. No momento, a Venezuela, Bolívia, Equador e Nicarágua, apesar das adversidades, mais difíceis do que as que Cuba enfrentou, conseguiram eleger Presidentes comprometidos com processo revolucionário socialista e, de fato, empenhados na concretização da revolução e na constituição de nações democráticas populares. Contraria e infelizmente, a ditadura no nosso Brasil perdura desde 1964, com uma nova maquiagem após o processo de "abertura política". Lula se elegeu após várias tentativas, tudo levava a crer que ingressaríamos em momento de mudança estrutural na economia, na educação, na saúde pública, etc, mas nada disso ocorreu, o nosso Presidente e o seu grupo político viraram as costas para os movimentos sociais populares e se renderam ao modelo ditatorial vigente. Entretanto, é preciso continuar acreditando que ingressaremos no mesmo processo dos nossos países irmãos: Venezuela, Bolívia, Equador e Nicarágua. Magno Oliveira

Socialismo bolivariano

Posted by Chico at 2007-12-08 19:10

Antes de comentar algo sobre a derrota no referendo, eu gostaria de fazer uma pergunta: existe alguma base teórica, algum livro, algum guia intelectual sobre o que vem a ser o socialismo bolivariano? Eu realmente gostaria muito de saber, pois confesso que não consigo enxergar, claramente, qual o objetivo de Chávez para a Venezuela.

Não estou recriminando ninguém, mas apenas intrigado. Mao tinha o seu livrinho, os soviéticos tinham os seus, os cubanos expõem suas teses em algumas obras. Existe alguma literatura, algum livro em que se explicite, claramente o que é o socialismo do século XXI, ou socialismo bolivariano? Pergunto pois não consigo entender, claramente, como se pretende "incrementar a participação democrática", "construir um novo projeto latino-americano", "resgatar a dívida para com os excluídos", "promover a revolução", "romper com o paradigma vigente" etc. Para mim, são objetivos muito amplos e pouco claros.

Gostaria de algo que esclarecesse, entre outras, questões como: como será feita a produção (mãos privadas, mãos públicas ou um modelo misto?); como será feita a realocação de recursos (políticas distributivas por meio de impostos progressivos, abolição da propriedade privada com distribuição pública de recursos...?); como será estruturada a democracia (eleições diretas, eleições indiretas por meio de conselhos comunais, eleições indiretas por meio de assembléia nacional, eleições indireta para cargos regionais com eleição direta para cargo nacional...?); como se dará o processo de desenvolvimento nacional (investimento puramente público, investimento público-privado, investimento privado, investimento privado com base em arranjos cooperativos...?); como será a relação com os vizinhos latino-americanos (relação de igualdade soberana sem interferência, promoção da revolução pura e simples, promoção da revolução com o intuito de construir uma grande confederação ou federação...?). Enfim, gostaria de algo que me explicasse qual o plano de Chavez para a Venezuela, qual tipo de país Chavez imagina para o futuro.

Se alguém conhecer obras que esclareçam essas e outras questões, eu ficaria agradecido se me indicassem.

agora vc apertou

Posted by carlos ribeiro at 2007-12-10 17:05

Não existe nada escrito pq eles não tem coragem de expor suas idéias ao debate, o texto q queria q se passasse no referendo é tão subjetivo q de qualquer posição q se ataque um defensor da nova constituição pode se esquivar. são pérolas do mais puro casuísmo, ufanismo e idealismo (aliás, um trio q sempre anda junto)

empate tecnico na Venezuela

Posted by khadija slemen at 2007-12-10 20:08

Penso que houve um empate, na verdade Chavez venceu sim, pois além do empate técnico muito não votaram...medo? inexperiencia? a proposta de Chaves é "revolucionaria" (não precisamos de livrinho pra isso), o reverendo propunha Poder ao Povo, acho que o resultado é um bom inicio de discussão politica: o povo tem o Poder de mudar as coisas, ele é e deve estar representado no Poder Executivo, mas isso é um aprendizado... quem sabe depois...

livro

Posted by Chico at 2007-12-16 20:36

QUando perguntei sobre livros, perguntei porque, geralmente, as revoluções se dão com base em planos já elaborados anteriormente. Assim foi com a Revolução Francesa (alicerçada nos Iluministas), com a REvolução Russa (alicerçada em Marx e Engels), com a Revolução chinesa (Marx e Engels mais MAO) etc.

Fala-se muito em "proposta" de Chavez. Quando pergunto sobre obras, pergunto justamente para entender que proposta é essa. Até hoje não consegui entender, concretamente, que proposta há para a Venezuela.

Sobre os comentários

Posted by Wellington Santana at 2007-12-11 02:24

Por que os comentários mais antigos não permanecem? Não há espaço para todos?


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