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O maior desafio eleitoral de Chávez

by jpereira last modified 2007-11-29 17:44

Disputa acirrada marca referendo constitucional que pode conduzir o país ao Socialismo do Século 21

Disputa acirrada marca referendo constitucional que pode conduzir o país ao Socialismo do Século 21


28/11/2007
Claudia Jardim,

de Caracas (Venezuela)


Pela primeira vez, depois de nove anos de governo e vencer nove processos eleitorais, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, enfrentará nas urnas uma disputa acirrada no referendo da reforma constitucional. Ainda que a popularidade de seu governo supere os 62%, o presidente tem encontrado dificuldades para emplacar seu projeto de transformação da Carta Magna, especialmente entre os setores populares, o núcleo duro do eleitorado chavista.


“Tivemos que inventar oficinas e folhetos para debater o conteúdo da reforma porque não recebemos nenhum material de apoio do governo. Muitos aqui no bairro não sabem a importância da reforma e se deixaram enganar pela propaganda da oposição”, reclama a trabalhadora social, Isolina Brito.

Nas últimas semanas, a campanha eleitoral tem sido marcada por uma guerra de propagandas, em especial, da oposição que tem afirmado que o governo expropriará a propriedade privada, tergiversando a proposta original. “Aqui no morro o pessoal que tem uma quitandinha, um cabelereiro, ficaram assustados”, comenta Isolina.

De acordo com a última pesquisa de intenção de voto divulgada pela empresa Hinterlaces, há um empate técnico entre o “Sim” chavista (46%) e o “Não” da oposição(45%). Do total de pessoas entrevistadas, 9% ainda estavam indecisos. Outra pesquisa divulgada pelo Instituto Datanalisis apontava uma vitória do “Não” com 44,6 % contra 30,8%.

Isolina Brito diz não confiar nas pesquisas e que, apesar da apatia de alguns de seus vizinhos, em Petare, ela diz que despertará a todos com o toque da Diana às 3 horas da manhã. “Domingo é dia de festa. Temos que sair cedinho pra votar”.

Manipulação e tensão católica

Hugo Chávez também desacredita as pesquisas. “Tratam de colocar em dúvida os venezuelanos e o mundo, repetindo uma pesquisa e cifras manipuladas. Assim, quando ganharmos no domingo, como estou seguro que ganharemos, sairão dizendo que houve fraude, que foram roubados ", afirmou.

Na última semana, o presidente venezuelano fortaleceu o discurso pelo voto plebiscitário. “Quem vota Sim, vota por Chávez, quem vota Não, vota contra Chávez e contra a revolução”.

O sociólogo venezuelano, Javier Biardeau, acredita que o governo poderá alcançar uma maioria dos votos, mas não significará uma vitória política. “A ampla margem a que está acostumado o governo não se repetirá. A reforma não convenceu”, diagnostica.

Na reta final da campanha, o governo entrou em um novo conflito com a Igreja Católica, que abertamente convocou à seus fiéis a votarem contra a reforma. A Conferência Episcopal Venezuelana (CEV) afirma que a reforma constitucional é “desnecessária, moralmente inaceitável e inconveniente para o país”.

O Comando de Campanha do governo respondeu à Igreja. “Se querem assumir uma posição, sejam bem-vindos, se assumam como partidos políticos, mas não aceitamos que utilizem a religião e seus princípios humanistas para manipular a população”, disse a porta-voz da campanha do Sim, Blanca Eekhout.

A violência também marcou o fim da campanha eleitoral. No final de novembro, um trabalhador da estatal Petrocasa, de 19 anos, foi assassinado na cidade de Valência, quando pretendia romper o bloqueio de um grupo de manifestantes que protestavam contra a reforma.


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